10 outubro 2005

Intróito

by @ 2:05. Filed under Inespecífica

Pensamentos, posições, idéias, comentários, poemas, músicas, imagens e o que mais for de interesse científico, filosófico, artístico, cultural e pessoal de Ernesto von Rückert.

ABERTO EM 10 DE OUTUBRO DE 2005.

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16 agosto 2015

Encontro Total

by @ 1:17. Filed under Poesia

Que melhor amiga pode ter em sua vida
homem que o que mais quer da vida é ser feliz,
do que aquela mulher que seu próprio coração
elegeu para amar o amor maior que puder dar.

Porque, em verdade, o verdadeiro amor só surge
por quem se tem admiração e amizade.
Aquela que nos faz venturosos os momentos
passados a curtir o que se tem em cumum.

De quem somos total complemento de seu ser,
que nos acha a melhor e mais perfeita companhia.
Que compartilha nossos projetos e ideais.
Vê a vida com nossa perspectiva.

Além disso tudo, nos encanta e nos fascina.
Nos enche de deslevo, ternura e tão desejo.
Nos cobre de mil carinhos, beijos e abraços.
E nos leva ao céu do amor em sensual conúbio.

Feliz, pois, é quem encontrou um tal tesouro.
Unindo, enfim, na mesma pessoa encantadora
que retribui, em luz,  esse amor e encantamento,
bastando na vido o outro ao um e o um ao outro.

Ernesto von Rückert, agosto de 2015

11 agosto 2015

PAI

by @ 0:35. Filed under Poesia

Trinta anos são passados.
Não mais ouço tua voz
ditar-me sábios conselhos,
nem vejo teus olhos claros
tanta bondade irradiar.

Como sinto tua falta…
Saudades das noites frias
em que, em nossas poltronas,
o vinho da vida bebíamos
em longas conversas profundas.

Hoje já chego à idade
em que desta vida partiste.
E, mais do que nunca, preciso
ouvir tua palavra amorosa,
guiar-me na sina da vida.

É tanta minha solidão
que, mesmo sabendo-te ausente,
teu vulto, em brumas envolto,
parece acercar-se de mim
e, sem querer, digo: Pai!

Ernesto von Rückert, maio de 2011

6 agosto 2015

Minha Morte

by @ 21:45. Filed under Artes, Poesia

Um dia… sim, vai ter um dia,
será o dia da minha morte.
Qualquer dia, nada especial,
em que pararei de funcionar.

Não sentirei nada, não saberei de nada.
Pararei de existir. Não terei lembranças.
Nada mais me importará. Tudo sumirá.
O mundo continuará, mas eu, não haverá.

Não serei castigado por nada.
Não serei premiado por nada.
Talvez alguém fique triste, mas passará.
Em verdade o mundo ficará aliviado.

Sou um estorvo, sou um encargo.
E não deixo herança para ninguém.
Só trabalho, cansaço e despezas
Para se livrarem de meus trastes.

Espero, porém, que algo que fiz
aos entes venturos possa ter valia.
São ensinamentos que em toda esta vida
ousei transmitir na lousa, no livro, da boca e no ecrã.

Foi para espancar toda ignorância.
Para levantar essa vil prepotência.
Pra longe deixar qualquer intolerância.
E, enfim, acabar o ardil preconceito.

A descortinar todo um mundo azul:
sem ódio, sem gana, sem medo, sem dor.
Só com harmonia, prazer, igualdade
e felicidade a quem dele for.

Onde não vai ter um sequer opressor.
Sem pátrias, sem guerras, sem donos, sem credos.
Isso eu espero ter contribuído
pra logo chegar essa aurora ideal.

Amei muito muito, amei muito mesmo.
Mas meus amores só foram em vão,
pois os amores me retribuídos
feneceram, acabaram, se quebraram.

Mas os que eu tinha, não eram de vidro.
Não se acabaram, eu sempre os tive.
Mas não levarei pra onde eu for ir
Pois eu não irei a lugar nenhum.

Acabarei e comigo se vão meus amores.
Minhas catedrais tão lindas, tão elevadas.
Porque o mundo não quer grandes amores.
Só comezinhos, só convencionais.

Mas os meus são grandiosos.
Não se limitam a nada estabelecido
e se estendem através dos amores a mais amores.
até abrangerem o mundo inteiro.

Todas as pessoas, os seres, a natureza, o Universo.
Sem posse, domínio, exclusividade nem ciúme.
Livres, francos, abertos, totais, entregues.
Incondicionais, devotados, amigos, cúmplices.

Amores dedicados, empenhados, responsáveis,
gentís, sutís, sensuais, virís.
sentimentais, românticos, poéticos,
vibrantes, enérgicos, fecundos.

Mas nunca exigentes, prepotentes, castradores,
controladores, cobradores, exclusivistas.
Amores totalmente altruístas.
Rejeitados por serem tão amorosos.

Amores angelicais, celestiais
Mas reais, existenciais.
Amores de um mundo que não existe.
Que, ao morrer eu, acabarão.

Mas… talvez, apenas talvez.
Algum coração ainda amará
Quem um dia tanto lhe amou
E uma lágrima verterá.

Ernesto von Rückert

18 julho 2015

MINHA BODA

by @ 2:26. Filed under Poesia

Não me será penosa, a vida, mas airosa,
se bem querer, porém, ao longo eu sempre ter.
Então não ter fortuna ou nada pra valer,
não me será dolosa, a sorte, tão honrosa.

Assim eu só quisera viver a quimera
de ter alguém amado e lindo a meu lado,
que o amor desejado, então me fosse dado,
tanto quanto pudera haver na primavera.

Aí eu bem seria alguém que só diria
que tudo que fizesse, por mais que quisesse,
jamais eu não faria, sem muita alegria.

Enquanto o tempo roda, tudo que me açoda,
ainda que pudesse haver maior benesse,
minha vida toda seria minha boda.

Ernesto von Rückert


18 junho 2015

Considerações sobre a arte e a ciência

by @ 18:37. Filed under Artes, Ciências, Educação

Fazer ciência é uma arte. E há uma ciência de se fazer a arte. Atividades aparentemente díspares, no entanto possuem uma convergência notável. Tanto o cientista quanto o artista são criadores, pois criam conhecimento e criam beleza. E há uma profunda beleza no conhecimento, como não se aprecia bem a beleza sem conhecimento. Keats deplorou Newton por explicar o Arco-íris, considerando que isso lhe tirara a poesia. Mas a poesia está em saber como surge o arco-íris. Do mesmo modo que a filosofia, sem ser, conceitualmente, nem uma ciência nem uma arte, em seu fazer é a quintessência da ciência e da arte. Pois há uma ciência e uma arte de filosofar. Sim, porque filósofo não é o que entende de filosofia, mas o que filosofa.

Em seu sentido mais amplo, arte é o domínio do fazer humano. Tanto o fazer útil e prático quando o fazer apenas ligado à fruição do prazer da contemplação de seu resultado. Neste caso falamos das “belas artes”. Se bem que o valor artístico de uma obra de arte não se prende, necessariamente, a sua beleza. E nem tem a arte compromisso em transmitir qualquer mensagem, mesmo que a isso se preste muito bem e para isso seja muito válido que dela se faça uso. Uma questão é se uma obra feita sem um propósito artístico consciente, como um quadro pintado por um macaco, seja ou não obra de arte. Do ponto de vista de quem aprecia, seria sim. Inclusive podendo ser bela.

No caso da ciência, a arte considerada é a arte útil. A arte significando o saber fazer. Pois a um cientista não se requer apenas conhecimento, mas também, habilidade em dele fazer uso, inclusive para desenvolver mais conhecimento. Porque o conhecimento se constrói sobre o conhecimento e essa construção tem que ser feita com arte. Mesmo na proposição de hipóteses inéditas e inovadoras, mister se faz dominar a arte de ser cientificamente criativo. Parte disso repousa na capacidade inconsciente de intuir. Isso é que faz a diferença que distingue os gênios dos grandes talentos.

Quanto à ciência de fazer arte, cada uma tem a sua. A literatura requer o domínio da língua, bem como das técnicas de construção de personagens, enredos, cenas, no caso da prosa e, no caso do verso, de um vasto vocabulário e dos truques para fazer com que os versos expressem, num poema, a poesia. No caso da música, então, é que não se consegue fazer muita coisa em um dose bem grande de conhecimento. Nas artes plásticas, igualmente, especialmente na arquitetura. E o cinema é uma arte extremamente científica. Mesmo a dança, aparentemente apenas artística, envolve alguma ciência.

Infelizmente a educação básica, no Brasil, atualmente, confere pouca importância ao aspecto artístico. Para mim saber e fazer música, pintura, escrever, poetar, dançar, representar, fazer oratória e ter domínio razoável de todas as artes é tão importante quanto ter conhecimentos e habilidades em matemática, física, química, biologia, geografia, história, filosofia, sociologia, português, inglês. Porque não caem questões sobre artes no ENEM? Não me refiro apenas a conhecimentos artísticos, mas a habilidades artísticas (como, aliás, de todos os campos).

Em relação à ciência o processo educativo brasileiro atual também deixa muito a desejar. Porque ele se centra apenas na aquisição de conhecimentos e não no desenvolvimento da habilidade de gerar conhecimento. O defeito está no método de ensino. O correto seria o método da redescoberta, em que o estudante é feito um cientista e, ele mesmo, vai descobrir as leis naturais e sociais que outros já descobriram, como se fosse pela primeira vez. Educar não é ensinar e sim produzir aprendizado. E o maior aprendizado se dá quando a própria pessoa descobre o que tem que saber.

Desenvolvendo nos estudantes, tanto as ciências, exatas, biológicas e humanas, quanto as artes, muito especialmente a de escrever, bem como de argumentar e falar (dialética e retórica) se formarão adultos bem instruídos, hábeis, capazes e competentes  para conduzir a própria vida bem como interagir com a sociedade em que se inserem para maior proveito de todos. Isto é, para se construir um mundo justo, harmônico, fraterno, próspero, aprazível e feliz para cada pessoa do planeta.

5 junho 2015

CONJUGAÇÃO DO AMOR

by @ 10:28. Filed under Poesia

Viver, sem amor ter, não é viver,
nem ser, por merecer, sequer um ser.
É ter, sem nem querer, um só sofrer
de ver, com desprazer, se fenecer.

Pra dar, a alcançar, e aí mudar…
Contar, se desejar, de bem, um mar
e alçar, pra despejar, sobre um altar,
a eivar, sem sopesar, de tanto amar.

A ir, sem combalir, a seu porvir.
Carpir, pra espargir, sem dor sentir.
E vir, todo a bulir, ao vento ouvir,
sentir, o cor balir, pro amor parir.

A dor, que com ardor, se foi dispor.
Em cor, por bem do amor, se fez na flor.
Torpor, todo o calor, vindo do amor,
candor, do bosque em flor, tornou-se olor.

Ernesto von Rückert (2/6/15)

18 maio 2015

Tristeza do Amor

by @ 18:31. Filed under Poesia

Por  que  triste  me  deixa  o  amor,  aflito,
se  ventura  maior  é  amar  contrito,
não  pedindo  sequer,  com  pranto  ou  grito,
o  exclusivo  favor  de  ser  restrito.

Não  me  dói  ser  amado  em  parceria,
nem  me  aflige  meu  bem,  à  revelia,
amar  alguém  também,  que  escolheria
comigo  partilhar  tanta  alegria.

O  que  traz  a  meu  peito  tanta  dor
é  saber  não  poder  tão  grande  amor
em  seu  peito  encontrar,  acolhedor,
sentimento  igual  por  mim,  com  ardor.

Se  assim  fora,  esta  vida,  tão  penada,
só  teria  alegria  na  jornada,
por  sorver  a  ventura  apaixonada
de  encontrar  todo  amor  de  minha  amada.

Ernesto von Rückert

O VALOR DO AMOR

by @ 18:28. Filed under Poesia

Não quero nem mirra nem ouro.
Desdenho do incenso o olor.
Não prezo u’a coroa de louro.
Só quero da vida o amor.

Não vale a riqueza e a fama,
tampouco o saber e o poder.
É tudo jogado na lama,
se não se tem um bem-querer.

Vitórias repletas de glória
ou prêmios por bem merecer,
se evolam sem deixar memória,
não tendo a quem oferecer.

Mas tendo na vida o amor
que paz leve a seu coração:
sucesso perde o seu valor,
riqueza não tem precisão.

Ernesto von Rückert

9 abril 2015

Nau Solidão

by @ 13:58. Filed under Inespecífica

Solidão, amargura, tristeza,
invadem minh’ alma perdida,
que vaga sem rumo, à deriva,
sem vela, sem leme, sem quilha.

Não lhe acode notório saber,
nem lhe vale dinheiro ou poder.
Só lhe pode trazer lenitivo
a ventura do amor já perdido.

No oceano dessa solidão
passo os dias ao léo, meditando:
se me sobra saber, desencanto,
pois me falta querer, ser querido.

Quem sabe quem amo, algum dia,
perceba a amargura que sinto
e a meu amor dê guarida,
levando-me a nau ao bom porto.

Ernesto von Rückert

2 janeiro 2015

Sonhando…

by @ 23:43. Filed under Poesia

Sonhando eu não sabia
que sonhar eu não podia,
pois, sonhando noite e dia,
minha vida se esvaia.

Nos sonhos que, então, eu tinha,
tudo sempre me convinha,
já que amor a mim me vinha
e a alegria era a rainha.

Só que, ao vir a claridade,
escura era a realidade
do mundo, que é só maldade.

Então, tudo o que eu quisera,
era viver a quimera
de sonhos, em primavera.

Ernesto von Rückert

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