10 outubro 2005

Intróito

by @ 2:05. Filed under Inespecífica

Pensamentos, posições, idéias, comentários, poemas, músicas, imagens e o que mais for de interesse científico, filosófico, artístico, cultural e pessoal de Ernesto von Rückert.

ABERTO EM 10 DE OUTUBRO DE 2005.

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19 junho 2019

Conjugação do Amor

by @ 15:30. Filed under Poesia

Viver, sem amor ter, não é viver,
nem ser, por merecer, sequer um ser.
É ter, sem nem querer, um só sofrer
de ver, com desprazer, se fenecer.
Pra dar, a alcançar, e aí mudar…
Contar, se desejar, de bem, um mar
e alçar, pra despejar, sobre um altar,
a eivar, sem sopesar, de tanto amar.
A ir, sem combalir, a seu porvir.
Carpir, pra espargir, sem dor sentir.
E vir, todo a bulir, ao vento ouvir,
sentir, o cor balir, pro amor parir.
A dor, que com ardor, se foi dispor.
Em cor, por bem do amor, se fez na flor.
Torpor, todo o calor, vindo do amor,
candor, do bosque em flor, tornou-se olor.

5 junho 2019

ANARQUIA

by @ 0:10. Filed under Política
Tem-se a noção de que anarquia signifique bagunça, desordem. Nada disso! Anarquia significa ausência de governo. Trata-se da situação em que a sociedade se estabelece sem que haja um governo. Para tal, contudo, é preciso que todos sejam extremamente conscientes, responsáveis, ordeiros e diligentes, para que tudo ocorra a contento e a vida prossiga de modo a propiciar a todos o que precisem, sem problemas. Daí que a anarquia não pode ser estabelecida por meio de uma revolução, mas apenas por um processo evolutivo civilizatório da humanidade. Com essa evolução, os governos deixarão de haver naturalmente, por total falta de necessidade de que existam. Certamente que, não havendo nenhum governo, também não haja estado soberano e nem fronteiras, tornando-se todo o mundo uma única unidade política. Uma sociedade ordeira, harmônica, diligente, pacífica e fraterna, sem crimes, sem desonestidades, sem conflitos, sem injustiças. Assim não é preciso haver polícia, forças armadas, advogados, promotores, juízes e nada disso. Porque não haverá serviço nenhum para tais profissões.
A democracia já é um meio caminho para a anarquia. Quanto mais democrático for uma nação, mais próxima está de se tornar anárquica. Contudo é difícil se conceber a abolição de um estado dentro de um mundo em que existam outros estados com seus governos. De qualquer modo, não vejo como o mundo inteiro passe à anarquia simultaneamente. Então haverá de se encontrar uma forma de alguma região do mundo não possuir um governo e não ser um estado (mas podendo continuar a ser um país, pois país não é um conceito político e sim cultural), ao tempo em que outras regiões se constituam em estados. Tal situação pode, até, se prolongar por um bom tempo (alguns séculos).
O atingimento de tal situação terá que ser gradual, pouco a pouco a sociedade assumindo encargos que os governos atualmente encampam. Os empreendimentos, então, serão geridos por comitês “ad hoc” formados para cada um e desfeitos finda a empreita. O ideal é que essa situação política se dê em uma situação econômica comunista e, melhor ainda, em uma economia de doação, sem a existência de dinheiro. Ou seja, o anarco-comunismo. Tal é o ideal que proponho e difundo para que as pessoas encampem a ideia e já vão agindo no sentido de que essa situação seja atingida. Principalmente fazendo o máximo possível de trabalhos de graça, compartilhando o máximo que se puder com todos, executando o que seria competência dos governos por conta própria. Tudo isso cada vez mais até que os governos sejam dispensáveis. Considerando que os regimes políticos mais antigos são autocráticos e despóticos, vê-se que a passagem para a democracia é um grande progresso por limitar o poder do governante de modo que atenda os interesses dos governados. O próximo passo evolutivo é, simplesmente, eliminar o governante e permitir que o próprio povo se auto-governe, sem nenhum governo, o que é a anarquia. Então a democracia, em que o poder é concedido pelo povo, é um meio termo entre a autocracia, em que a fonte do poder está no próprio governante e a anarquia, em que, simplesmente, não há poder nenhum.

4 junho 2019

AMOR

by @ 12:14. Filed under Relacionamentos

Amor é um sentir, um pensar, um desejar, um querer e um agir, isto é, uma emoção, um sentimento, um apetite, uma volição e uma ação. Mas também é uma intelecção, refletida, consentida, explicitada e assumida. Esse complexo de fatos psíquicos caracteriza o amor em todos os planos, piedade, compaixão, solidariedade, afeição, amizade, amor platônico, erotismo. Amor filial, maternal, paternal, fraternal, conjugal, idealista. A intensidade e a sequência em que eles aparecem pode variar. O amor sempre emociona, enternece, e envolve um desejo de zelo, cuidado e proteção da coisa amada, bem como um desejo de reciprocidade. Mas o amor só se realiza quando é expresso em vontade e essa vontade em ação. Não basta sentir e desejar para amar, é preciso querer e provar. O amor envolve dedicação e renúncia, paciência e perseverança, trabalho e recompensa, alegria e tristeza, euforia e depressão. É algo envolvente e inebriante. O amor não é possessivo, ciumento, exclusivista, castrador, sufocante. Pelo contrário, o amor é libertário e altruísta. Não me refiro apenas ao amor erótico mas a todas as modalidades, inclusive as formas idealistas de amor à verdade, à justiça, à sabedoria, à humanidade, à natureza. O amor não pode ser cerceado em sua intensidade e abrangência. Ele não possui limites. Quanto mais se ama a mais coisas e pessoas, mais capacidade se tem de amar. E quanto mais se ama, mais se realiza e maior é a felicidade, mesmo que nem sempre seja correspondido. E certamente, é algo de que se possa contemplar em sua estética e fruir o máximo prazer que é amar o amor.

Nada vale mais que o amor. O amor não pode ser negado, restringido, dividido, negociado, reprimido, proibido, cerceado, contido, escondido, subtraído… O amor só pode ser adicionado, multiplicado, extravasado, espalhado, revelado, disseminado, compartilhado, cultivado, frutificado… Sem barreiras, exclusividade, desculpas, rodeios, mentiras, ciúmes, trapaças, temores, pudores, exigências, cobranças… Com alegria, harmonia, ternura, carinho, respeito, amizade, admiração, zelo… Mas ardoroso, impulsivo, sôfrego, extasiante, avassalador… Por sentimentos, desejos, vontade, ações, testemunhos, declarações, gentilezas, presentes… Entre toques, abraços, beijos, enlaces, suores, tremores, estertores, exaustão… E tem que fazer vibras todas as fibras do ser numa melodia celestial, exalar os mais inebriantes perfumes, propiciar as mais belas imagens do ser amado, sentir as mais suaves e arrepiantes carícias e evocar os mais significativos momentos de indizível romance, prazer e elevação. Viver sem amar não é viver, é padecer e suportar a mais indizível tristeza que a vida pode conceder. Busca o amor antes de tudo o mais. Nunca é tarde para amar enquanto houver vida. A falta de tudo o mais, com amor, pode ser suportada. A presença de tudo o mais, sem amor, é insuportável. Ao buscar e achar o amor, não se prenda a compromisso nenhum senão a retribuir o amor com amor. E nem condicione a doação do amor a nenhuma reciprocidade. Nenhuma paga requer o amor, nem mesmo o amor. Nem a perenidade, nem a exclusividade. Muito menos qualquer servidão ou retribuição não amorosa. Mas, uma vez o amor ao amor se dando, apenas por amor, tudo o mais poderá e será dado de favor, sem conta nem exigência.

PRIMEIRA CLASSE

by @ 11:52. Filed under Música

COMUNISMO

by @ 10:47. Filed under Economia

Geralmente se considera que comunismo seja um regime político em que se suprimem as liberdades, a propriedade privada, o pluripartidarismo, a democracia, o livre mercado, promovendo o planejamento central e a estatização de toda a economia, com os trabalhadores se tornando empregados de um único patrão: o estado. Tal sistema é algo malsão e tenebroso, promovendo a infelicidade geral. Se isso é que é comunismo, sou inteiramente contra. Todavia isso não é, verdadeiramente, comunismo. Isso é um capitalismo de estado autocrático e despótico. Comunismo, como diz o nome, é o sistema econômico, e não político, caracterizado pela detenção compartilhada (comum) dos meios de produção e de serviços, bem como dos resultados dessa produção e desses serviços, pelos próprios trabalhadores, sem interveniência do governo. Difere do capitalismo pelo fato de que, no capitalismo, somente uma parcela da população detém esses meios, sendo a grande massa de trabalhadores empregados assalariados. No verdadeiro comunismo não há empregados e nem salários. Os trabalhadores são todos sócios ou autônomos. E a gestão dos empreendimentos é feita democraticamente, por representantes dos próprios trabalhadores dentre os competentes para tal. Ninguém aufere renda exclusivamente do capital, sendo todos trabalhadores que, também, são detentores de capital. Ou seja, o capital é totalmente distribuído pela população. Note que o comunismo, como sistema puramente econômico, pode existir em uma sociedade politicamente democrática, autocrática ou acrática. Não é característica do comunismo ser autocrático nem ser acrático. Nessa acepção de comunismo eu sou inteiramente comunista. Outro aspecto do comunismo é que ele é um sistema econômico de esquerda, significando isso que considera que as desigualdades sociais sejam injustas, propiciando, pois, a todos as mesmas oportunidades, conjugadas com as mesmas responsabilidades gerais, podendo haver responsabilidades específicas para que exerça determinadas funções. Ou seja, no comunismo não há hierarquia social, não há classes sociais. O ideal é que a economia comunista ocorra em uma situação de completo desmonetarismo, ou seja, abolição total do dinheiro. Mas pode haver comunismo com a existência do dinheiro. A economia comunista não monetária é uma economia de doação, na qual todos trabalham e doam o resultado de seu trabalho, quer em produtos, quer em serviços, para a sociedade, recebendo, por outro lado, da sociedade, tudo de que precisam inteiramente de graça e, mesmo, o que desejem além do que precisem. Tal situação fica muito mais bem estabelecida em uma sociedade organizada de forma inteiramente compartimentalista, sem individualismo. Isto é, em que o que seja necessário para a vida seja comungado por vários, como habitação, transportes, vestuário, lazer e, inclusive os relacionamentos amorosos, que não seriam apenas binários, podendo ser plurais, de um modo inteiramente sabido e consentido.

Tal situação sócio-econômica é que é propiciadora da maximização da felicidade para todos. Nesse caso se cumpre a máxima “de cada um segundo sua capacidade, a cada um segundo sua necessidade”. Sendo a economia compartilhada, os bens necessários ficam muito diminuídos, possibilitando que todos trabalhem muito menos, pela supressão da replicação de muita coisa em todos os lares de famílias individuais, por exemplo. O ideal é que as moradias se deem em Falanstérios, que são grandes edifícios residenciais para centenas de pessoas que vivem em comunidade, com dormitórios, refeitórios, lavanderias, espaço de lazer e tudo o mais compartilhados, incluindo pré-escola, ambulatório, horta comunitária, espaço para atividades físicas, cinemas e o que mais se quiser. Comunismo, então, é algo maravilhoso, que propicia o desabrochar das potencialidades humanas das pessoas nas artes, nas ciências e no que for. Além de dar cabo completo de toda pobreza no mundo. É preciso que se pugne para que tal concepção econômica seja alcançada, sem revolução nenhuma, mas por uma evolução civilizatória da humanidade, com a disseminação da solidariedade, da camaradagem, da generosidade e de todas as virtudes de modo geral. E a abolição do emprego assalariado tem que ser atingida gradualmente, de modo legal, por uma determinação que, gradualmente, vá transferindo a participação na propriedade dos empreendimentos para os próprios trabalhadores, o que poderia concretizar totalmente em algumas décadas, digamos umas dez apenas.

Confunde-se muito o conceito de comunismo com o de marxismo, especialmente o marxismo-leninismo ou bolchevismo. Tal concepção é uma modalidade de comunismo caracterizada pela ditadura do proletariado como situação pretensamente provisória para o atingimento do comunismo. Só que esse provisório se tornou permanente onde se estabeleceu. Daí o marxismo-leninismo ser uma concepção autocrática, estatista, policialesca e centralizadora, que restringe as liberdades e coloca toda a população como empregada do governo de partido único. Realmente não é nada bom para o mundo. O problema é que muitos acham que comunismo é sempre assim, quando não é. O verdadeiro comunismo é o que foi descrito acima. Este, sim, é o ideal para o bem do mundo.

14 abril 2019

MEU QUINHÃO

by @ 15:46. Filed under Poesia

Quão vívidas são as doces lembranças.
Palavras ternas, promessas de amor.
Sonhos construídos, risos, crianças,
paisagens, flores… no mundo só cor.

A vida vivida com esplendor,
carinho, cuidado, muitas bonanças.
Cumplicidade, afeto e ardor.
Êxtase, paixão… grandes esperanças.

Guardo a saudade do que não se deu
com muita ternura no coração.
Viço formoso que não feneceu.

Pois haja o que houver, no céu ou no chão,
seguindo o caminho que apareceu,
esse grande amor será o meu quinhão.

22 fevereiro 2017

BEATITUDE

by @ 23:08. Filed under Poesia

Há muita gente no mundo
que pensa que o amor, na vida,
é coisa de vagabundo
nunca lhe dando guarida.

Tudo o que é importante
é o trabalho e o dinheiro.
O resto não vai adiante.
É coisa de aventureiro.

Assim a felicidade
escorre entre seus dedos.
E quando vier a idade,
o peito se enche de medos.

Não há mais sabedoria
que aquela da juventude,
em amar com alegria
vivendo em beatitude.

Ernesto von Rückert

7 setembro 2016

SAUDADE

by @ 18:10. Filed under Poesia

Saudade, quanta saudade…
Saudade da felicidade.
Da infância de minha vida.
De minha família querida.
E da infância de meus filhos,
com seus beijos tão melados.
Das tardes ensolaradas
nas férias tão encantadas.
Dos passeios saborosos
e os folguedos prazerosos.
Saudades dos meus amores.
De estar enamorado.
Saudades dos sonhos sonhados
de uma vida encantadora
num mundo embriagador
e um povo tão sedutor.
Saudades que vão passando
e a vida vai terminando
sem mais que deixar saudade
pro futuro já acabando.


Ernesto von Rückert

19 agosto 2016

DISSABORES

by @ 23:48. Filed under Poesia

Conheço pessoas maravilhosas:
casadas, solteiras ou separadas.
Cultas, educadas, muito bondosas,
inteligentes, nobres, dedicadas.


Que o mundo trouxe muitos dissabores,
desilusões, tristezas, amargura.
Levando-as a não crer mais em amores,
da vida tirando-lhes a doçura.


Creiam essas pessoas tão queridas
que a vida é só essa, e nada mais
merece tantas lágrimas sofridas.


Somente um amor grande demais,
a que se entregue todo, sem medidas,
dor nenhuma lhes deixará jamais.

16 julho 2016

MORRENDO…

by @ 17:17. Filed under Poesia

Tenho que fazer algo.
Mas eu estou com sono. Muito sono.
Por que tenho que fazer algo?
Porque viver é estar fazendo algo.
Quero fazer xixi. Estou apertado.
Mas meu corpo não se mexe.
Será que eu estou vivo?
Bem… Estou pensando. Logo existo!
Mas eu poderia existir, estando morto?
Como vou conseguir saber?
Será que estou sonhando?
Como vou conseguir saber?
Ninguém aparece.
Onde estou?
E a luz no fim do túnel?
Está tão escuro…
Está tão silencioso…
Está tão frio…
Será que estou morrendo?
Então, é assim?
Não estou achando gostoso.
Acho que estou sumindo…
Ainda respiro?
Não sei. Não percebo.
A música está rallentando…
Está tudo acabado.
Nada… Ponto final.

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