24 janeiro 2010

by @ 2:05. Filed under Inespecífica


Pensamentos, posições, idéias, comentários, poemas, músicas, imagens e o que mais for de interesse científico, filosófico, artístico, cultural e pessoal de Ernesto von Rückert.
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26 julho 2010

Minha opção pela Marina

by @ 18:15. Filed under Política

Votarei na Marina Silva para presidente, apesar dela ser crente e criacionista. Meu receio está em que assuntos que atinjam seu credo religioso possam influenciar suas decisões: pesquisa científica, posicionamentos que esbarrem na ética dita cristã, como células-tronco, pesquisas genéticas e doações de órgãos, por exemplo. Este é o senão que vejo nela. De qualquer modo, prefiro um crente honesto do que um ateu que não o seja. Para mim, Dilma e Serra não são confiáveis pelos compromissos assumidos com quem os apoiam e, mesmo, pelo que vejo de sua conduta política. É claro que podem até ser competentes, mas isto é uma segunda condição. A primeira, inescapável, é a honestidade e o compromisso com um governo fundamentalmente ético, antes de tudo. Quanto aos tópicos que mencionei, isto é mais da alçada do legislativo, apesar de poder haver o veto presidencial, que, inclusive, pode ser derrubado. Mas, nos outros aspectos, o programa da Marina é muito melhor e, o que é mais importante, Marina inspira a confiança de que, de fato, o cumprirá. Sinceramente, já votei no Lula e no PT em muitas eleições, mas estou inteiramente decepcionado com esse partido. O mesmo se dá com o PSDB. Aquele idealismo do tempo do MDB esvaiu-se completamente. E coisa que eu abomino é pragmatismo. Marina não é o presidente ideal, mas é preferível, especialmente porque também é mulher, mestiça de negra e de origem pobre. Mas não é ignorante como o Lula. É claro que um homem branco e rico poderia ser um bom presidente. Depende de sua ideologia e conduta. No contexto desta eleição, voto em Marina. Jamais faço uso do “voto útil”.

24 julho 2010

Meus ancestrais

by @ 1:09. Filed under Pessoal

O pai do meu pai era austríaco e a mãe dele portuguesa. O pai da minha mãe era primo do Rui Barbosa. Na minha família todo mundo é artista, cientista e intelectual, possui bibliotecas, toca piano ou coisa assim. Ninguém é empresário, negociante ou fazendeiro. Todos são médicos, engenheiros, advogados, professores ou militares. Meu pai era professor de história e geografia. O pai dele de Russo e Tcheco (falava oito idiomas). O avô dele de Química (lecionou para o arquiduque Francisco Ferdinando). Eu de Física e Matemática. O pai da minha mãe era almirante. O que ninguém tem é dinheiro, pois todos são idealistas e desprendidos, além de perdulários. Respiro cultura desde a infância. Quero muito mesmo ir à Europa, pois tenho parentes em Portugal e na Áustria. Meu sonho é Paris.

Respeito aos ateus

by @ 1:08. Filed under Ateísmo, Religião

Um crente xingar ateus  depõe contra as pessoas religiosas sérias e bem-intencionadas. Respeito as crenças de todos, apenas lamento seu equívoco e procuro esclarecer de forma lúcida e cortez. Estou aberto a críticas bem fundamentadas e respeitosas. Se você me convencer que estou errado, mudo o meu pensar. Mas isto não será fácil, pois minhas convicções ateístas são fruto de prolongados e profundos estudos e reflexões, já que isto não é algo leviano, uma vez que envolve toda a minha cosmovisão. Espero ser respeitado da mesma forma que respeito quem pensa diferente de mim. Só não respeito o escracho, a arrogância, a presunção e a hipocrisia, bem como a crueldade para quem tenha opiniões diversas. Meu ateísmo não faz de mim um ser humano menos ético, compassivo, tolerante, honesto, justo, probo, solidário, virtuoso e bondoso do que qualquer outro que assim o seja como crente. Pessoas vis, covardes, mesquinhas, intolerantes, malvadas, cruéis, desonestas, corruptas e venais as há entre crentes e descrentes, do mesmo modo que inteligentes ou burras, cultas ou ignorantes, diligentes ou preguiçosas, altruístas ou egoístas, democratas ou ditatoriais, virtuosas ou pecadoras. A diferença está apenas em considerar se Deus existe ou não, sem outras implicações.

Fé e crença

by @ 1:03. Filed under Ateísmo, Religião

Quanto à fé, esta difere de crença pelo seguinte:

Crença é a aceitação de assertivas não comprovadas nem evidentes face a sua plausibilidade e os indícios a seu favor. Por exemplo eu creio, sem provas, de que existe um mundo objetivo fora da minha mente. Eu creio que é possível se estabelecer uma convivência harmônica e fraterna entre os homens. Eu creio que é possível se fazer justiça na sociedade. Eu creio que é possível se chegar a um conhecimento sempre mais próximo da verdade de forma racional. Assim por diante…

Em meu blog escreví um texto sobre minhas crenças fundamentais:

http://wolfedler.blogspot.com/2008/11/meu-credo.html

A fé, por outro lado, é uma crença sem apoio em indícios que a suportem. Isto é meramente uma definição.

As religiões se fundamentam em uma fé e em uma doutrina em torno dessa fé, a partir da qual é erigida uma organização que envolve estruturas administrativas, pessoal, rituais, edificações e muito mais.

Existiram, existem e poderão vir a existir várias religiões na humanidade, algumas já extintas. Cada uma delas possui um conjunto de artigos de fé, professados pela coletividade que a segue. Tais artigos se referem, quase sempre, à relação do homem com a vida e a morte, bem como à existência e características de suas divindades e outros seres espirituais envolvidos. Não havendo nada de sobrenatural não se pode falar de religião, mas apenas de algum código de conduta ou ideologia política.

As afirmações que as diferentes religiões fazem a respeito desses assuntos são discordantes entre si. Em todas elas, contudo, há fiéis sinceros e piedosos, que crêem convictamente em seus artigos e pautam sua vida pelos preceitos prescritos por elas. Para eles sua crença é a verdade, sem a mínima hesitação.

Certamente que a verdade tem que ser unica. Logo não é possível que todas estejam certas ao mesmo tempo, mas apenas uma, ou nenhuma. Logo a fé não pode ser erigida como critério de verdade.

Há que se buscar, pois, a verdade a respeito desses assuntos em uma verificação fática de evidências comprobatórias ou em algum raciocínio lógico que permita tirar a conclusão a respeito, a partir de evidências indiretas.

No caso em tela, a questão é se existe ou não existe Deus.

Para precisar a questão há que se considerar o que se entende por Deus e que tipo de deus está por se verificar a existência.

Diferentes religiões conceituam seus deuses ou seu Deus de forma distinta. Contudo há um denominador comum a todos esses conceitos para que se possa denominar algo como sendo um deus.

O conceito de Deus se reporta a um ente, que, caso exista, seria um ser. Um ente é algo que pode existir objetiva e substancialmente, isto é, fora de mentes que o concebam, sendo feito de alguma coisa e possuindo propriedades que caracterizem sua essência, ou seja, que possam identificá-lo como sendo o que é e não outra coisa.

A essência de Deus é possuir as propriedades de onipotência, onipresença e onisciência. Muitas religiões também atribuem a Deus as propriedades de justiça, bondade e sabedoria, mas a ausência delas não deixaria de caracterizar tal ente como Deus.

A Deus é atribuída a criação do Universo, isto é, a causação do ato de levar o Universo da inexistência para a existência. A maioria das religiões também atribui a Deus o provimento continuado do Universo, ou seja, todas as ocorrências que se possam dar com qualquer constituinte do Universo seriam fruto da vontade, do consentimento e da iniciativa de Deus. Esta última concepção constitui o “teísmo”, enquanto a primeira apenas, o “deísmo”.

A substância de Deus, nessas duas concepções, não é física, isto é, Deus não é feito de matéria nem campos nem radiação, que são os constituintes físicos do Universo. Seria outro tipo de substância, denominado “espírito”, de que também seriam feitos a alma humana, os anjos e os demônios. Espírito é uma substância etérea, quer dizer, não possui massa nem outros atributos físicos, como volume e cor.

Posso admitir que quem crê aceita evidências para fundamentar sua fé. E posso também considerar fé como sinônimo de crença, mas não de confiança. Confiança vai além da fé, sendo a fé mesclada com a esperança, ou uma esperança com fé.

Na verdade, grande parte das discussões filosóficas é puramente semântica. Para evitarmos perder tempo discutindo o que entendemos pelo significado das palavras, vou aceitar que fé seja crença com ou sem evidências. O que discutiremos é se essas evidências existem ou não.

O que estou fazendo neste tópico é exatamente teologia natural, às vezes chamada de teodicéia (que também pode ser entendida como o estudo da coexistência do mal com Deus). O que pretendo demonstrar é exatamente que Craig não tem razão em seus argumentos. Conheço perfeitamente o argumento Kalam e refutá-lo-ei aqui.

Não contesto a existência de Jesus como personagem histórico, apenas a sua divindade.

Continuando minha última postagem digo, ao contrário de Anselmo de Cantuária, que a existência não faz parte da essência de Deus. Existência não é uma propriedade de nenhum ente, mas uma situação. Existir é a condição para que um ente não seja meramente conceitual, isto é, só exista em mentes que o concebam. Denomino ser ao ente que, de fato, existe fora das mentes. Tal situação é objeto de uma verificação, que é, exatamente, o propósito deste debate.

Isto derruba o denominado “Argumento Ontológico” para a existência de Deus, segundo o qual Deus necessariamente existe pois, se é um ser perfeitíssimo, não poderia não existir, pois isto seria uma imperfeição. Ou seja, é preciso que haja um ser perfeitíssimo uma vez que se pode conceber tal coisa. Ora, perfeição é uma qualidade dos atributos de um ser e existir não é um atributo. Logo não é necessário que exista um ser perfeitíssimo. Mas pode ser que exista. Veremos.

Não vejo porque ética, bondade, justiça e sabedoria requeiram uma fonte trans-humana para existir. Mas isto não é o objetivo da presente discussão. Em outro tópico poderei me estender sobre isto. Entrementes podem consultar este tópico de meu blog:

http://wolfedler.blogspot.com/2008/07/tica-e-atesmo.html

Vamos analisar o argumento cosmológico, da forma como o apresenta Craig.

Como já debati isto num tópico em outra comunidade, colocarei aquí o link para que todos possam consultá-lo e postar suas refutações a meus argumentos:

http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=102514309&tid=5477802754424329834&na=1&nst=1

Também, quero colocar o link de outro tópico em que apresentei minha minha defesa do ateísmo:

http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=341467&tid=5330550560386409943&kw=ate%C3%ADsmo

Por hoje vou encerrar, aguardando novas postagens para respondê-las.

Convido-os a visitar também meu outro blog:

http://www.ruckert.pro.br/blog/

Pode ser que Deus não seja constituído da mesma substância do que almas, anjos e demônios. De qualquer modo, tanto estes quanto Deus não são seres físicos. Se cada um deles possuir um tipo de substância (filosófica e não quimicamente falando), não vem ao caso, no presente (demônios seriam anjos, logo da mesma substância). O que estou dizendo é que Deus, sendo um ser, possui uma substância, certamente que não física. Não estou fisicalizando Deus. O que não é feito de nada não é um ser, mas um mero conceito. Concordo que a substância de Deus seja uma substância divina exclusiva dele, que a substância dos anjos e demônios seja de outro tipo e a da alma humana outro ainda. Nada feito de átomos. Meu entendimento é que nada disso existe realmente. São só concepções. Espero poder mostra isto.

Outra questão é a da transcendência de Deus. Há outra possibilidade: a imanência. O que vém a ser isto? Ser transcendente é estar além, ou seja, fora do domínio dos constituintes do Universo que são matéria, campo, radiação, espaço e tempo. Se os anjos e as almas não são transcendentes, como, de fato seria o caso, se existirem, então o Universo também possuiria uma outra categoria não física de substâncias: o espírito (de dois tipos). Um estudo interessante é o da natureza do espírito e suas interações com o mundo físico, o que Allan Kardec pretendeu desenvolver mas, no meu entendimento, só apresentou doxas, isto é, sua opinião a respeito, sem base alguma.

Imanência é a condição de algo fazer parte integrante de outra coisa, de modo indissociável. O panteísmo considera Deus como imanente ao Universo ou, em outras palavras, o Universo como uma emanação do próprio Deus e não algo extrínseco a ele. Isto, para mim, é mais implausível ainda e poderei discutir depois porque.

Ao Luciano, sobre fé e crença: A questão é apenas semântica, de relevância secundária. Posso aceitar que fé e crença sejam sinônimos nesta discussão, mesmo que considere que não o sejam. Para mim fé não é só crença religiosa, mas sim crença sem indícios de veracidade. O que estou me propondo a mostrar é exatamente que, no caso da existência de Deus, esses indícios não existem, muito pelo contrário, há-os em sentido oposto.

Sobre uma religião verdadeira: Eu não afirmei que nenhuma religião seja verdadeira mas sim que não podem ser todas verdadeiras, possivelmente nenhuma. Quem sabe a verdadeira ainda não foi criada? De fato eu acho que nenhuma seja verdadeira, mas no texto em não disse isto. Tal consideração é que passarei a discutir assim que terminar estas respostas.

Crença no futuro utópico: Certamente que isto é uma fé, se aceito que fé seja sinônimo de crença. Mas não é perigosa e nem ingênua, pelo contrário, é inteiramente possível, desejável, preferível e realizável, se se empreender um programa educativo, político e econônico para se chegar lá. Mas não é marxismo e nem um anarquismo revolucionário. É o comunismo anárquico ou, como prefiro denominar, comunitarismo.

Argumento ontológico: Claro que o argumento ontológico é apriorístico e o que eu disse é, justamente, que isto não tem cabimento. Não se pode dizer, de forma alguma, que seja necessária a existência de um ser perfeitíssimo apenas porque isto é concebível. O erro é exatamente ontológico, pois tal argumento supõe que a existência seja uma qualidade, quando não o é. Qualquer prova da existência de Deus só pode ser “a posteriori”, com base na verificação dos atributos essenciais de algum ser que se possa chamar de Deus.

Regimes materialistas: Os regimes políticos totalitários e tirânicos podem ser materialistas ou não. O comunismo prega o ateísmo bem como a “Ditadura do Proletariado”, como etapa transitória para o comunismo. Na prática o que houve nas nações comunistas foi uma “Ditadura do Partido Comunista”. Tal situação é execrável como também o são as ditaduras e regimes totalitários de qualquer nuance, sejam de esquerda ou de direita, ateus, cristãos, muçulmanos ou de que religião forem, como os regimes teocráticos do Irã, da Arábia Sudita e as monarquias absolutistas católicas da Espanha, no tempo da inquisição ou da França, no tempo das cruzadas. Seu caráter malévolo não provém de que crença professem quanto a Deus, mas da cassação das liberdades inerentes ao ser humano. O ateísmo não prega tal tipo de coisa, pelo contrário, tem um alto padrão de moralidade, inclusive por pautá-la na busca da maximização da felicidade para o maior número de seres e não em prêmios ou castigos pela conduta boa ou má.

Quando respondí ao questionamento do Márcio sobre a substância de Deus eu não estava dizendo nada sobre sua inexistência. Apenas afirmei que, mesmo que seja transcendente, Deus seria um ser e, portanto, constituído de alguma substância, que é aquilo de que é feito. Se não for um espírito então é alguma substância própria apenas de Deus, mas se não possuir algo de que seja feito não é um ser. Pode-se até dizer que a substância de Deus seja o próprio Deus, mas, ao que me parece, nem os teístas, nem os deístas nem os panteístas consideram que Deus seja apenas um conceito. Isto são os ateístas que consideram. Por outro lado, se se está discutindo a validade dos argumentos ateístas para a inexistência de Deus, é preciso que se considerem todos eles, tanto contra o teísmo quanto contra o deísmo e o panteísmo. Em nenhum lugar está dito que esta comunidade é teísta, mas sim que pretende apontar contradições na argumentação ateísta. E eu estou aqui para mostrar que não há contadições.

Examinarei o argumento de Platininga. A contestação que apresentei é de Kant e não de Hume.

No meu entendimento o fato de ser transcedental não significa que seja insubstancial. Não estou falando de substância química. Substância é aquilo de que um ser é feito e isto é algo que todo ser, como ente existente de fato, possui. Somente as entidades puramente conceituais não são feitas de coisa alguma. Certamente que Deus, existindo e sendo transcendente, não seria feito de nenhuma substância física e, como você o disse, nem de espírito, pois isto também seria algo criado por Deus. Posso conceber que a substância divina seja o próprio Deus, não pertencente a nenhum domínio natural nem espiritual. Mas não consigo conceber que um ser exista realmente, sem substância.

Técnicas pictóricas

by @ 1:03. Filed under Pintura e escultura

Foco-me em dois estilos: acadêmico e impressionista. No primeiro a pintura se apresenta da forma como é percebida pela visão ou a fotografia, mesmo que seja idealizada e enfatize alguns aspectos em detrimento de outros, justamente para expressar o que o pintor deseje priorizar como mais importante, bem como para transmitir movimento, emoções ou o que mais se deseje. No caso da impressionista, por outro lado, apesar de também ser figurativa, não pretende ser fotográfica, mas passar, por meio de traços ou pontos destacados de cores, as impressões capazes de evocar a percepção, até mesmo reforçada, dos elementos que o pintor quer ressaltar. A grande diferença é que o impressionismo não retrata a figura e as cores que se vêem, mas uma representação do que se vê numa forma que cause a impressão desejada, mais ou menos como num holograma. O quadro impressionista só adquire significado quando observado em seu todo a certa distância. Um pequeno detalhe isoladamente não informa nada sobre o que está sendo representado. Ambos os estilos apresentam dificuldades de execução e possuem suas técnicas próprias. Considero importante que o pintor domine ambos. Outros estilos diferem em sua concepção mas usam técnicas acadêmicas ou impressionistas. Tal é o caso do surrealismo, que, tecnicamente, é acadêmico. A pintura absrtrata, por outro lado, tecnicamente é impressionista. Este é o meu entendimento sobre esta questão. Se estiver errado, corrijam-me.
Quero, em postagens subsequentes, apresentar minhas dúvidas específicas sobre cada um deles.

Bertrand Russell e a Filosofia

by @ 1:02. Filed under Filosofia

Bertrand Russell dizia que estudou formalmente matemática, deixando filosofia para estudos autodidatas porque não conseguiria fazer o contrário. Do mesmo modo que lamento a falta de conhecimento de física, matemática, cosmologia e biologia pelos filósofos, lamento a falta de conhecimento de filosofia pelos físicos, matemáticos, cosmologistas e biólogos. Esses ramos do saber não podem ser entendidos plenamente uns sem os outros. Eu incluiria também a neuropsicologia. Além do mais, um filósofo, como entendido do saber humano, precisa ter boas noções de todas as artes. Mas, mais importante do que entender de filosofia e do resto é saber filosofar.

Argumentos ateístas

by @ 1:01. Filed under Ateísmo

Os argumentos ateístas não são falácias nem bobagens, nem irracionais, nem erísticos. Pode ser que algum ateu não saiba porque o seja, mas eu sei bem. Meu ateísmo é fruto de bastante estudo e reflexão, pois, inclusive, partiu de um posicionamento teísta que eu tinha e que procurei me aprofundar. Certamente que não me valho de argumentos com base nas incoerências das religiões ou na imoralidade de muitas de suas práticas. Isto é irrelevante para o mérito da questão da existência ou não de Deus. Tampouco teço críticas pessoais a defensores da fé, mesmo que alguns possam merecê-las, mas isto também é irrelevante. Centro-me nos fundamentos da própria fé e na contestação das propaladas provas filosóficas ou científicas da existência de Deus, como as apresenta Craig, por exemplo. Além disso apresento todos os indícios que me levam a descrer da existência de qualquer divindade. Espero debater no plano das idéias e ser respeitado em minha posição, como sempre o faço em relação a meus contendores em todos os debates que já participei. E mais: espero, sinceramente, que me convençam de que estou errado. Todavia, até o momento, ninguém foi capaz de fazê-lo.

Não é a mesma coisa

by @ 0:59. Filed under Evolução

A diferença fundamental é que um chip é um artefato e o cérebro é um sistema natural. Um artefato, por definição, é algo engendrado por um construtor. Um sistema natural surge da própria natureza. Algo semelhante a um chip em nível de complexidade seria, por exemplo, um sistema nervoso de um invertebrado primitivo, como uma minhoca. Não há nada que não permita à própria natureza fazer surgir, com o devido tempo, sistemas extremamente complexos, a partir de estruturas mais simples em um grau escalonado de complexidade. Também é preciso que se entenda que não se considera a probabilidade do surgimento fortuito de um sistema como um ser humano, diretamente a partir da organização direta de átomos individuais. Isto foi um processo gradativo que, ao longo de um imenso número de gerações, partiu da matéria inanimada até os organismos hoje existentes. A cada passo, o resultado do passo anterior fez o papel de elemento para a construção do passo seguinte. Nesta perspectiva a probabilidade se torna imensamente maior, como se pode facilmente calcular.

Proselitismo ateu

by @ 0:58. Filed under Ateísmo

De fato o que eu falei foi proselitismo mesmo. Considero um direito de ateus, como também de religiosos, procurarem convencer o povo de que estão com a verdade. Isto é proselitismo sim e é uma coisa inteiramente justificável e legítima. O que não é legítimo é fazer uso de inverdades, trapaças, enganações e métodos erísticos de argumentação. Estou convicto de que Deus não existe em face do grande volume de indícios nesse sentido, mesmo sem provas cabais, como também não as há no sentido oposto. Considero meu dever e minha missão difundir isto a todos, para que não se iludam com uma crença infundada. Mas não considero que quem a possua seja, só por isto, ignorante, burro ou mal-intencionado. Não vejo diferença entre ateus e neo-ateus, que, para mim, são apenas ateus. Além disso, não considero que Dawkins, Hitchens, Dennett, Onfray, Harris e outros sejam diferentes de Craig, Lewis, Dembsky, Behe, Denton e outros na defesa insistente de seus pontos de vista, nem que sejam mentirosos. O mesmo respeito que os religiosos exigem dos ateus quanto à legitimidade de sua crença e ao direito de a propagarem, os ateus exigem dos religosos quanto à legitimidade de sua descrença e ao direito de a propagarem também.

Criar rejeição social a néo-ateus é algo tão inadmissível quanto criá-la em relação a crentes de qualquer espécie, como fazem muitos religiosos em relação a religiosos de outras crenças que não as suas.

Quanto a um debate com Craig, estou inteiramente disponível para travá-lo.

18 julho 2010

O conceito de Deus

by @ 20:16. Filed under Religião

O conceito de Deus, não só para quem seja ateu, mas para todo mundo, é o de um ser extrínseco ao Universo que possua conhecimento total de tudo o que ocorre em todo o Universo o tempo todo, dotado de poder para agir à revelia das leis da natureza, capaz de fazer qualquer coisa. Este conceito é geral, aplicável a qualquer deus, de qualquer religião, seja único ou não. Tal é a essência do conceito. Os teístas das religiões monoteístas, ainda consideram que Deus seja único e infinitamente sábio, justo e bom, além de interferir cotidianamente no desenrolar de todas as ocorrências que se dêem com todos os seres do Universo. Não vejo que tais atributos sejam necessários para que algum ser seja denominado “Deus”. Saber se existe ou não algum ser com essas propriedades é uma questão de verificação e não de crença. E isto é possível, diferentemente do que alegam os agnósticos. Apenas que, no momento, ainda não se tem nenhuma evidência ou comprovação cabal da existência de nenhum deus, muito menos de um que seja bom, sábio e justo, como não se tem, também, de sua inexistência. O teísmo, o deísmo e o panteísmo são, pois, fundamentados numa crença. O ateísmo, por outro lado, é uma descrença, quando da modalidade cética (que advogo) ou uma crença, na modalidade forte. Isto é, o ateu cético não crê que exista deus algum enquanto o ateu forte crê que não exista deus nenhum. Estas posições são distintas, como uma análise criteriosa mostra. O ateísmo cético se fundamenta nos indícios de toda ordem que suportem sua descrença.

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