24 janeiro 2010

by @ 2:05. Filed under Inespecífica


Pensamentos, posições, idéias, comentários, poemas, músicas, imagens e o que mais for de interesse científico, filosófico, artístico, cultural e pessoal de Ernesto von Rückert.
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7 março 2010

Inteligência

by @ 22:36. Filed under Educação, Inteligência, Neurociências

Cabeça

Veja a apresentação da palestra que tenho feito sobre Inteligência:

http://www.4shared.com/file/236469046/f39a2242/INTELIGNCIA.html

28 fevereiro 2010

Pseudociências

by @ 18:24. Filed under Ciências, Epistemologia

A questão das pseudociências não é levada a sério em muitas universidades. Na disciplina Filosofia, que deve ser obrigatória para todos os cursos, no tópico de epistemologia, é preciso que se discuta o conceito de ciência, de protociência e de pseudociência, identificando-as. Algumas destas últimas, mesmo não tendo caráter científico, podem ser úteis como conhecimento vulgar, não necessariamente errôneo. A maioria, contudo, é completamente errada mesmo, levando quem nelas confia a tomar sérios prejuízos. É, pois, uma responsabilidade das universidades tomar uma atitude enérgica contra a disseminação de tais enganações, e não compactuar com elas, em nome de uma falsa aprovação às culturas populares. Estas podem ser mantidas só se forem benéficas ou, pelo menos, inofensivas.

Unificação das interações

by @ 18:23. Filed under Cosmologia, Física Quântica

No meu entendimento, não há como unificar as interações com a gravidade, pois esta não é uma interação. Apenas na aproximação do espaço local tangente é que a gravidade aparenta ser uma interação. As teorias de unificação descartam a relatividade geral e consideram a gravidade como uma interação. Acho isso muito esquisito e vejo que, por isto, é que não conseguem, inclusive detectar gravitons. As ondas gravitacionais são ondas de curvatura do espaço-tempo e não perturbações de um campo quantizável, como o são as demais.

Sem dúvida que tem. Física mesmo, isto é, comportamento da natureza. A questão é que a Física Teórica ganhou um status de independência da fenomenologia que faz parecer que tudo que é obtido teoricamente corresponde ao comportamento da natureza. Isto é um perigo, mas advém da vaidade dos pesquisadores. Einstein, por exemplo, não se sentiu seguro de sua Relatividade Geral enquanto o desvio das estrelas no eclipse e a medida da precessão do periélio de Mercúrio não a confirmaram. É dessa pretensão descabida que surgem os Universos paralelos, os buracos brancos e outras fantasias.

A teoria das cordas (ou das branas ou a “M”) pretende unificar as partículas como modos de vibração de cordas ou membranas em múltiplas dimensões. Pode ser que consiga, mas pode ser só uma brincadeira (só que gasta fortunas dos contribuintes). No meu entendimento, o Universo é composto de um único e vasto “campo”, aqui e acolá concentrado em partículas quantizadas que são os bósons e férmions (quarks, leptons, gluons, fótons etc). Mecanismos que precisam ser descobertos garantem a estabilidade de certos quarks e produzem a matéria (e antimatéria). Explicações de como isso tudo funciona e como o conteúdo de massa-energia curva o espaço ainda não existem, fenomenologicamente (não apenas a equação). Física é entender o funcionamento da natureza. Ainda falta saber muita coisa.

A ciência não deve dizer apenas “como”, mas também, “por que”. Não só descrever e quantificar, dando as equações que relacionam as grandezas descritivas dos atributos das entidades, mas entender por que é que as coisas se dão como se dão. É o que eu chamo de fenomenologia conceitual. São as interpretações da Mecânica Quãntica, por exemplo. Isto ainda não está resolvido de modo pacífico. Não me alinho à concepção positivista de que só interessa saber se dá certo. Quero saber a explicação.

Matemática natural

by @ 18:21. Filed under Epistemologia, Física, Matemática

Certamente que a matemática (que inclui aritimética, álgebra, geometria, análise, topologia e tudo o mais) é um construto humano, que estabelece relações entre símbolos representativos de objetos abstratos, de uma forma lógica e com uma metodologia capaz de possibilitar inferências correspondentes a novas relações a partir de outras.
O mais curioso é que, quando se faz uma correlação entre os entes matemáticos e os entes naturais para que a matemática os represente, as inferências obtidas matemáticamente, na maior parte das vezes, são detectatas de forma correspondente nas entidades naturais representadas. Acho que isto não é uma mera coincidência.
É claro que a física precisa testar a veracidade dessas conclusões teóricas, como o desvio da luz tangente a um eclipse e a precessão do periélio de Mercúrio confirmaram a relatividade geral. Mas os físicos teóricos têm uma confiança muito grande de que a experiência confirmará suas teorias, deduzidas matematicamente.
No meu entendimento, isto advém do fato de que a lógica, alicerce da matemática, não é gratuita, mas é tal qual é em virtude da natureza ser tal qual é. Isto é, a matemática é, de certa forma, uma ciência natural e não uma abstração. Pelo menos a matemática que tem utilidade.

Eternidade

by @ 18:19. Filed under Cosmologia, Metafísica, Religião

Eternidade é uma situação em que o tempo continua sempre a passar, sem cessar. Tal situação só tem sentido, se ocorrer, para o Universo como um todo. Qualquer subsistema do Universo certamente não permanecerá indefinidamente caracterizado como tal e, fatalmente, em algum momento, deixará de ter as características que lhe garantem a essência de ser o que é. Assim a única coisa que poderia ser eterna é apenas o próprio Universo, como o sistema de tudo o que existe. Mesmo assim não é garantido que o tempo não atinja um limite e cesse de passar. O conceito de eternidade também pode ser extendido para o passado, mas tudo indica que, de fato, o tempo não se extende indefinidamente para o passado, tendo havido um começo.

A única coisa que poderia não ter começo e nem fim é o próprio Universo. Qualquer de seus subconjuntos sempre tem um momento de formação e de desintegração. O fato de poder ser eterno tanto para o passado quanto para o futuro, não faz do Universo nada que não seja natural. Sobrenatural é algo que não existe. Existem coisas que não são naturais, mas são produtos de seres naturais, feito o homem, como os artefatos, as idéias, os conceitos, as normas, os valores etc. Nada disso é eterno, pois as abstrações só existem se houver mentes para concebê-las e as mentes estão em corpos que, todos eles, se desintegrarão um dia, antes mesmo do fim do Universo, juntamente com seus artefatos.

Por termos percepção e razão podemos fazer inferências a partir da observação do mundo. E elas conduzem à conclusão da extrema implausibilidade da existência de algum ser com as características que são consideradas essenciais para que seja denominado Deus. Não estou dizendo que seja justo e bom, apenas que tenha inteligência, vontade e poder para agir à revelia das leis da natureza, ou mesmo de estabelecê-las a seu bel prazer. Tal entidade não é absolutamente necessária para a explicação de coisa alguma e, se existir, não se manifesta à observação e nem é capaz de ser inferida por raciocínio nenhum, com base no conteúdo e nas ocorrências do Universo.

Assim não há justificativa para supor a eternidade de um ser extrínseco ao Universo que o tenha criado e a ele sobreviveria. Do mesmo modo, a existência indefinida da consciência, cessada a vida do corpo que a suporta, não tem base nenhuma, pois consciência, como função da mente, é uma ocorrência advinda do funcionamento do sistema nervoso, que deixa de existir com a fim do organismo de que faz parte.

21 fevereiro 2010

Ecce Homo

by @ 21:47. Filed under Filosofia

“Um dia a sua grandeza escapará da sua vista e sua baixeza o agarrará pelo pescoço; o seu pensamento mais sublime o amendrontará como um fantasma. Um dia clamará: tudo é falso.”

Esta frase tem uma profundidade límpida e é exatamente um resumo do que mais admiro em Nietszche: o filósofo que pôs o homem no seu devido lugar, que não só tirou Deus das considerações filosóficas, mas mostrou que o próprio homem não é nada de especial.

O que ele quer dizer, pela boca de Zarathustra, é que toda pretensão de elevação espiritural, mesmo ateísta, é vã. Nós somos apenas animais com um pouco mais de inteligência. O que regula nossas vidas são nossos instintos, de sobrevivência e de procriação. O que domina nossos pensamentos são os desejos carnais de alimento e sexo.

Construímos uma catedral de nobres propósitos e grandes sonhos idealistas, feita de cartas de baralho que repousam em um charco lamacento. Ela precisa estar sempre sendo reconstruída, pois suas cartas a todo momento caem na lama. Não podemos condenar os que, vencidos pelo cansaço para manterem-se virtuosos, idealistas, nobres, sábios, altruístas, despencam na fossa e se vêem tão devassos e criminosos quanto os que sempre condenou.

É isto que Nietszche está a proclamar: toda altivez é uma construção precária, a custo mantida, quem sabe não por nobres propósitos, mas por vaidade e carência de reconhecimento, de admiração, de afeição, ou, até, de vantagens sociais ou econômicas.

Existe, contudo, o reverso da medalha, para quem vencer este peso carnal que quer derrubar o espírito (no sentido filosófico e não religioso) e conseguir manter-se ereto. Este será o übermensch, o verdadeiro ser humano, em sua plenitude e grandeza, realmente altivo e glorioso em sua virtude.

20 fevereiro 2010

Ser um físico

by @ 0:37. Filed under Inespecífica

A pesquisa em Física é apaixonante e merece que se dedique uma vida. Mas não enriquece, fora raras exceções. No Brasil são as Universidades e Institutos de Pesquisa que contratam físicos. Algumas empresas de grande porte como a Petrobrás, Eletrobrás e particulares do setor de telecomunicações, computação e energia também. Além de hospitais, para Física Médica. Um pesquisador terá chance de conhecer o mundo apresentando trabalhos, com despesas pagas, o que é muito interessante. E terá a satisfação de ter dado uma contribuição para o progresso da humanidade. Mesmo fazendo mestrado no Brasil, é interessante fazer doutorado no exterior. Vale a experiência. O salário de um físico é o de um professor universitário federal, com doutorado e dedicação exclusiva, iniciando em R$ 6.722,85. Mas ele só será um pesquisador após concluir o doutorado, depois do mestrado e do bacharelado. Eu recomendo que também faça a licenciatura, pois aí terá, desde a graduação, uma profissão: a de professor de Física.
Existe no Brasil um sistema denominado “sanduíche” em que se cursa o doutorado aqui e faz-se a tese no exterior, com bolsa. É uma boa idéia. Mas também é possível conseguir bolsa para o exterior, paga pelo Brasil. Isto é o mais comum hoje. É importante também ser professor, especialmente no Ensino Médio, em que muitos leigos ainda lecionam Física. E mesmo no nível superior, falta muita didática nos professores, especialmente na pós-graduação, em que muitos a consideram dispensável, o que é uma insensatez, para não dizer imbecilidade.

“O Segredo”

by @ 0:09. Filed under Comportamento

O segredo é que o tal “lei da atração” é a mais deslavada baboseira já inventada e publicada para enriquecer seus autores às custas da crendice ingênua do povo, que quer conseguir tudo sem esforço algum. O poder do pensamento positivo existe apenas como fator incentivador a que se envide maiores esforços, com redobrado ânimo e disposição, para se conseguir o que se quer. Mas desejar e ficar esperando acontecer não é nada sensato, pois só por um improbabilíssimo acaso poderá dar certo. A mente não tem poder nenhum sobre o mundo exterior, se a pessoa não agir. Então, maior inteligência acarretará um plano de ação mais propenso a dar resultado. Este é o segredo: Pensar e agir!

Carnaval não é coisa do Diabo

by @ 0:08. Filed under Comportamento, Sociedade

Diabo não existe. Carnaval é uma catarse. Ocasião em que se pode liberar os complexos e as repressões. Estou falando do carnaval de rua, do povo. Desfile de Escolas de Samba é outro departamento. Como foi dito, é lavagem de dinheiro, merchandising turístico e tudo o mais. Acho que os figurantes gostam e extravasam seus recalques. Bom, como disse Juvenal em sua décima sátira: “Panem et Circenses”. É o que os poderosos dão à plebe para que esqueça sua condição de servidão e pobreza e não reclame da falta de liberdade e riqueza. Faz um papel semelhante às religiões, só que pelo lado avesso. Futebol e televisão é a mesma coisa.
Sempre digo que esta noção de que tudo tem que ser aceito como manifestação cultural do povo não é correta. Veja-se, por exemplo, a farra do boi. Abominável! Pode ser que aquele carnaval de rua de 50 anos atrás, ingênuo e familiar, fosse uma manifestação cultural. Mas, hoje, é só manipulação de massas para vantagem econômica de alguns. Perdeu a autenticidade e a legitimidade. Não é mais tradição. E, mesmo que fosse, não é por ser tradição que algo deva ser preservado. Só se for benéfico. Existem tradições infames, como a ablação do clítoris de mulheres na África, ou, num caso recente, o assassinato em nome da honra de uma menina turca porque conversava com meninos. Inadmissível!

Queria ser um mágico

by @ 0:06. Filed under Anarquismo, Comportamento

Que fizesse um feitiço e o espalhasse na atmosfera do mundo, para que todo aquele que perpetrasse, mesmo em pensamento, mas com intenção de executar, qualquer maldade, instantaneamente caísse fulminado por um ataque cardíaco. Melhor ainda: soltasse um gás na atmosfera que acabasse com toda a maldade das pessoas. No instante seguinte a Terra toda seria habitada apenas por pessoas boas e de bem, e todo aparato policial, carcerário, judicial e militar poderia ser demolido, já que tudo isto só existe porque há pessoas que cometem crimes, são desonestas ou prejudicam a outras. No meu mundo, na minha Utopia, não há crime, nem maldade, nem governo, nem fronteiras, nem dinheiro, nem propriedade, nem família, nem religiões, nem partidos políticos. Ninguém tem nada, pois tudo é de todos e todos vivem em fraternal harmonia, compartilhando tudo, inclusive os companheiros e companheiras amorosos, numa forma comunitarista de vida. Toda criança é filha de todo adulto e todo adulto é pai de toda criança. Não há preguiça e nem cobiça, nada é particular. Se eu fosse um mágico por um dia, eu criaria este mundo.

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