10 outubro 2005

Intróito

by @ 2:05. Filed under Inespecífica

Pensamentos, posições, idéias, comentários, poemas, músicas, imagens e o que mais for de interesse científico, filosófico, artístico, cultural e pessoal de Ernesto von Rückert.

ABERTO EM 10 DE OUTUBRO DE 2005.

Clique no título da postagem para exibir todos os seus comentários e inserir um, se quiser.
Clique no título do Blog para voltar a seu início.
Para buscar um assunto, digite a palavra chave na caixa ao lado, e clique em “search”.
Visite meu outro blogger: Wolf Edler .
Veja as respostas que dei no Formspring .
Pergunte-me o que quiser no Ask.
Veja meus sites preferidos no Delicious .
Assista meus vídeos no YouTube .
Compartilhe meus textos no Scribd .
Veja minhas fotos no Picasa .
Encontre-me como Wolf Edler no orkut, wolfedler no twitter e wolfedler no facebook.
Contacte-me pelo e-mail: ernestovon@yahoo.com.br .

18 julho 2015

MINHA BODA

by @ 2:26. Filed under Poesia

Não me será penosa, a vida, mas airosa,
se bem querer, porém, ao longo eu sempre ter.
Então não ter fortuna ou nada pra valer,
não me será dolosa, a sorte, tão honrosa.

Assim eu só quisera viver a quimera
de ter alguém amado e lindo a meu lado,
que o amor desejado, então me fosse dado,
tanto quanto pudera haver na primavera.

Aí eu bem seria alguém que só diria
que tudo que fizesse, por mais que quisesse,
jamais eu não faria, sem muita alegria.

Enquanto o tempo roda, tudo que me açoda,
ainda que pudesse haver maior benesse,
minha vida toda seria minha boda.

Ernesto von Rückert


18 junho 2015

Considerações sobre a arte e a ciência

by @ 18:37. Filed under Artes, Ciências, Educação

Fazer ciência é uma arte. E há uma ciência de se fazer a arte. Atividades aparentemente díspares, no entanto possuem uma convergência notável. Tanto o cientista quanto o artista são criadores, pois criam conhecimento e criam beleza. E há uma profunda beleza no conhecimento, como não se aprecia bem a beleza sem conhecimento. Keats deplorou Newton por explicar o Arco-íris, considerando que isso lhe tirara a poesia. Mas a poesia está em saber como surge o arco-íris. Do mesmo modo que a filosofia, sem ser, conceitualmente, nem uma ciência nem uma arte, em seu fazer é a quintessência da ciência e da arte. Pois há uma ciência e uma arte de filosofar. Sim, porque filósofo não é o que entende de filosofia, mas o que filosofa.

Em seu sentido mais amplo, arte é o domínio do fazer humano. Tanto o fazer útil e prático quando o fazer apenas ligado à fruição do prazer da contemplação de seu resultado. Neste caso falamos das “belas artes”. Se bem que o valor artístico de uma obra de arte não se prende, necessariamente, a sua beleza. E nem tem a arte compromisso em transmitir qualquer mensagem, mesmo que a isso se preste muito bem e para isso seja muito válido que dela se faça uso. Uma questão é se uma obra feita sem um propósito artístico consciente, como um quadro pintado por um macaco, seja ou não obra de arte. Do ponto de vista de quem aprecia, seria sim. Inclusive podendo ser bela.

No caso da ciência, a arte considerada é a arte útil. A arte significando o saber fazer. Pois a um cientista não se requer apenas conhecimento, mas também, habilidade em dele fazer uso, inclusive para desenvolver mais conhecimento. Porque o conhecimento se constrói sobre o conhecimento e essa construção tem que ser feita com arte. Mesmo na proposição de hipóteses inéditas e inovadoras, mister se faz dominar a arte de ser cientificamente criativo. Parte disso repousa na capacidade inconsciente de intuir. Isso é que faz a diferença que distingue os gênios dos grandes talentos.

Quanto à ciência de fazer arte, cada uma tem a sua. A literatura requer o domínio da língua, bem como das técnicas de construção de personagens, enredos, cenas, no caso da prosa e, no caso do verso, de um vasto vocabulário e dos truques para fazer com que os versos expressem, num poema, a poesia. No caso da música, então, é que não se consegue fazer muita coisa em um dose bem grande de conhecimento. Nas artes plásticas, igualmente, especialmente na arquitetura. E o cinema é uma arte extremamente científica. Mesmo a dança, aparentemente apenas artística, envolve alguma ciência.

Infelizmente a educação básica, no Brasil, atualmente, confere pouca importância ao aspecto artístico. Para mim saber e fazer música, pintura, escrever, poetar, dançar, representar, fazer oratória e ter domínio razoável de todas as artes é tão importante quanto ter conhecimentos e habilidades em matemática, física, química, biologia, geografia, história, filosofia, sociologia, português, inglês. Porque não caem questões sobre artes no ENEM? Não me refiro apenas a conhecimentos artísticos, mas a habilidades artísticas (como, aliás, de todos os campos).

Em relação à ciência o processo educativo brasileiro atual também deixa muito a desejar. Porque ele se centra apenas na aquisição de conhecimentos e não no desenvolvimento da habilidade de gerar conhecimento. O defeito está no método de ensino. O correto seria o método da redescoberta, em que o estudante é feito um cientista e, ele mesmo, vai descobrir as leis naturais e sociais que outros já descobriram, como se fosse pela primeira vez. Educar não é ensinar e sim produzir aprendizado. E o maior aprendizado se dá quando a própria pessoa descobre o que tem que saber.

Desenvolvendo nos estudantes, tanto as ciências, exatas, biológicas e humanas, quanto as artes, muito especialmente a de escrever, bem como de argumentar e falar (dialética e retórica) se formarão adultos bem instruídos, hábeis, capazes e competentes  para conduzir a própria vida bem como interagir com a sociedade em que se inserem para maior proveito de todos. Isto é, para se construir um mundo justo, harmônico, fraterno, próspero, aprazível e feliz para cada pessoa do planeta.

5 junho 2015

CONJUGAÇÃO DO AMOR

by @ 10:28. Filed under Poesia

Viver, sem amor ter, não é viver,
nem ser, por merecer, sequer um ser.
É ter, sem nem querer, um só sofrer
de ver, com desprazer, se fenecer.

Pra dar, a alcançar, e aí mudar…
Contar, se desejar, de bem, um mar
e alçar, pra despejar, sobre um altar,
a eivar, sem sopesar, de tanto amar.

A ir, sem combalir, a seu porvir.
Carpir, pra espargir, sem dor sentir.
E vir, todo a bulir, ao vento ouvir,
sentir, o cor balir, pro amor parir.

A dor, que com ardor, se foi dispor.
Em cor, por bem do amor, se fez na flor.
Torpor, todo o calor, vindo do amor,
candor, do bosque em flor, tornou-se olor.

Ernesto von Rückert (2/6/15)

18 maio 2015

Tristeza do Amor

by @ 18:31. Filed under Poesia

Por  que  triste  me  deixa  o  amor,  aflito,
se  ventura  maior  é  amar  contrito,
não  pedindo  sequer,  com  pranto  ou  grito,
o  exclusivo  favor  de  ser  restrito.

Não  me  dói  ser  amado  em  parceria,
nem  me  aflige  meu  bem,  à  revelia,
amar  alguém  também,  que  escolheria
comigo  partilhar  tanta  alegria.

O  que  traz  a  meu  peito  tanta  dor
é  saber  não  poder  tão  grande  amor
em  seu  peito  encontrar,  acolhedor,
sentimento  igual  por  mim,  com  ardor.

Se  assim  fora,  esta  vida,  tão  penada,
só  teria  alegria  na  jornada,
por  sorver  a  ventura  apaixonada
de  encontrar  todo  amor  de  minha  amada.

Ernesto von Rückert

O VALOR DO AMOR

by @ 18:28. Filed under Poesia

Não quero nem mirra nem ouro.
Desdenho do incenso o olor.
Não prezo u’a coroa de louro.
Só quero da vida o amor.

Não vale a riqueza e a fama,
tampouco o saber e o poder.
É tudo jogado na lama,
se não se tem um bem-querer.

Vitórias repletas de glória
ou prêmios por bem merecer,
se evolam sem deixar memória,
não tendo a quem oferecer.

Mas tendo na vida o amor
que paz leve a seu coração:
sucesso perde o seu valor,
riqueza não tem precisão.

Ernesto von Rückert

9 abril 2015

Nau Solidão

by @ 13:58. Filed under Inespecífica

Solidão, amargura, tristeza,
invadem minh’ alma perdida,
que vaga sem rumo, à deriva,
sem vela, sem leme, sem quilha.

Não lhe acode notório saber,
nem lhe vale dinheiro ou poder.
Só lhe pode trazer lenitivo
a ventura do amor já perdido.

No oceano dessa solidão
passo os dias ao léo, meditando:
se me sobra saber, desencanto,
pois me falta querer, ser querido.

Quem sabe quem amo, algum dia,
perceba a amargura que sinto
e a meu amor dê guarida,
levando-me a nau ao bom porto.

Ernesto von Rückert

2 janeiro 2015

Sonhando…

by @ 23:43. Filed under Poesia

Sonhando eu não sabia
que sonhar eu não podia,
pois, sonhando noite e dia,
minha vida se esvaia.

Nos sonhos que, então, eu tinha,
tudo sempre me convinha,
já que amor a mim me vinha
e a alegria era a rainha.

Só que, ao vir a claridade,
escura era a realidade
do mundo, que é só maldade.

Então, tudo o que eu quisera,
era viver a quimera
de sonhos, em primavera.

Ernesto von Rückert

27 dezembro 2014

DEUS CRUEL

by @ 13:42. Filed under Poesia, Religião

Oh, Deus de crueldade infinita
que exigiste, pra salvação,
de teu filho, atroz provação,
a remir a humana desdita!

Se sois assim onipotente,
por que só não deste o perdão,
sem ter nada pra redenção,
provando ser benevolente?

Martírio de Cristo, Jesus,
demonstra, com toda razão
e traz a verdade à luz.

Esse Deus cristão do Universo,
a existir, sem ponderação,
é frio, cruel e perverso.

Ernesto von Rückert

12 dezembro 2014

Canto ao Amor

by @ 15:18. Filed under Poesia
Amor

Amor

Canto o amor que me acontece neste peito,
com o jeito e o dulçor que ele merece.
Se me aquece sem direito, num torpor,
com o valor que me apetece ser bem feito.
E aproveito, no sabor que me enternece,
numa prece, sem defeito, um canto por.

Pois, à mente, ele conduz, com galhardia,
alegria, docemente então produz.
E seduz, à revelia, não somente,
certamente se deduz, minh’alma fria.
Como iria, finalmente se induz,
tanta luz e caloria ser presente.

De meu bem quero obter a recompensa,
que se pensa ter também por merecer,
todo ser, por tão extensa entrega ao bem.
Mas porém, tem que saber todo o que pensa,
que compensa, muito além do agradecer,
só viver a glória intensa e amar alguém.

Pois o amor, se verdadeiro e bem profundo,
neste mundo, com ardor bem altaneiro,
vai maneiro, bem fecundo e abrasador,
a compor, bem cavalheiro e indo a fundo,
no imundo e aterrador chão do terreiro,
um faceiro e vagabundo esplendor.

Ernesto von Rückert

Mais Amor

by @ 15:11. Filed under Poesia
Namorados

Namorados

Por que amor não posso amar em paz,
se quero meu querer sem mal fazer?
E posso a quem eu quero ser capaz
de ser feliz tornar por bem querer?

Por que assim não deixam eu amar,
se amar o quanto mais puder, melhor?
Não é mais desamor amor não dar,
do que a mais amar achar pior?

O mundo, a que queremos consertar,
somente amor demais vai conseguir,
jamais amor podendo dar, negar.

Assim, se nesta vida eu posso ir
amando a tantos quanto eu alcançar,
amar amor nenhum vou desistir.

Ernesto von Rückert

[Ernesto von Rückert is proudly powered by WordPress.]