10 outubro 2005

Intróito

by @ 2:05. Filed under Inespecífica

Pensamentos, posições, idéias, comentários, poemas, músicas, imagens e o que mais for de interesse científico, filosófico, artístico, cultural e pessoal de Ernesto von Rückert.

ABERTO EM 10 DE OUTUBRO DE 2005.

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12 novembro 2013

Assistam meu Hangout em “Mentes Brilhantes”.

by @ 22:11. Filed under Inespecífica

Mentes Brilhantes

30 maio 2013

Considerações sobre o Conservadorismo

by @ 21:32. Filed under Economia, Política

O conservadorismo ou conservantismo é um termo usado para descrever posições político-filosóficas, alinhadas com o tradicionalismo e a transformação gradual, que em geral se contrapõem a mudanças abruptas (cuja expressão máxima é o conceito de revolução) de determinado marco econômico e político-institucional ou no sistema de crenças, usos e costumes de uma sociedade. Um dos seus maiores defensores modernos foi Russell Kirk, que o exprimiu em dez princípios.
Os dez princípios conservadores de Russell Kirk são o cúmulo da asnice. Vejamos:
1. O conservador acredita que existe uma ordem moral duradoura.
Não existe. A moral é relativa à época, ao local e ao estrato social. Ela evolui. E é bom que seja assim. Por exemplo, há pouco tempo homossexualidade era imoral, hoje não é. Melhorou. O que é perene e universal é a ética, mas a moral nem sempre é ética.
2. O conservador adere ao costume, à convenção, e à continuidade.
Isso só é bom quando o costume é um bom costume. Mas aderir ao costume porque é costume, mesmo que não seja bom é o cúmulo da burrice. Maus costumes têm é que ser abolidos mesmo. E o que é convencional também não é bom porque assim o é. Pode ser e pode não ser. Se não for, tem é que ser mudado mesmo. Contuinuidade? Porque? Não há razão plausível nenhuma para o continuísmo. Apenas para continuar o que está bom. Mas isso não é continuísmo.
3. Os conservadores acreditam no que pode ser chamado o princípio da prescrição.
Seguir o que está prescrito só porque assim esteja é outra asnice. Dizer que o que é bom é o que é antigo não procede. Pode até ser, em alguns casos, e nada deve ser rejeitado só por ser antigo. Mas também não deve ser prescrito por isso. Os antigos não eram melhores do que os atuais. Pelo contrário, hoje se tem muito mais conhecimento e sabedoria acumulada. Portanto é muito mais provável que as considerações mais recentes sejam melhores do que as mais antigas. Não se deve fazer algo porque está estabelecido assim, mas porque se vê que é bom e razoável. Aliás, Buddah já o dizia:
“Não acredite em algo simplesmente porque ouviu. Não acredite em algo simplesmente porque todos falam a respeito. Não acredite em algo simplesmente porque esta escrito em seus livros religiosos. Não acredite em algo só porque seus professores e mestres dizem que é verdade. Não acredite em tradições só porque foram passadas de geração em geração. Mas depois de muita análise e observação, se você vê que algo concorda com a razão, e que conduz ao bem e beneficio de todos, aceite-o e viva-o.”
4. Os conservadores são guiados por seu princípio da prudência.
Uma certa prudência é necessária, mas a prudência é um grande entrave para as mudanças. Arriscar é preciso se se quer consertar o mundo. E o mundo está muito errado, sendo esse erro o fruto de séculos de acomodação e de prudência. Não é verdade que a coletividade seja sábia necessariamente em tudo. Para checar isso temos a nossa inteligência. A prudência, contudo, não usa a inteligência. Usa a inércia. E o povo sofredor não suporta mais a inércia dos que detêm as condições de promover mudanças.
5. Os conservadores prestam atenção ao princípio da diversidade.
A desigualdade existe naturalmente. Todavia, elevá-la a um princípio social e considerar justa a sua existência é uma iniquidade. Esta é a principal diferença entre a direita e a esquerda: A direita considera as desigualdades justas. Ou seja: é justo que existam pobres e ricos. Todo e qualquer sistema político-econômico, para ser justo e promover a harmonia, a liberdade, a fraternidade e a prosperidade têm que ser igualitário em sua proposta. Isto é, garantir a todos as mesmas oportunidade de ser feliz.
6. Os conservadores se purificam por seu princípio da imperfeição.
Admitir a existência de imperfeições no homem e na sociedade é óbvio. Considerar que isso seja aceitável é péssimo. Se não se tiver em mente sempre um ideal de perfeição não se progride, não se tem um modelo de situação a ser conquistada. Tal princípio leva à perene mesmice, que é o fulcro do conservadorismo. Uma idiotice.
7. Os conservadores estão convencidos de que a liberdade e a propriedade são intimamente relacionadas.
De modo nenhum. Muito pelo contrário. A propriedade é uma prisão. Um mundo sem propriedade é muito mais livre. A propriedade provoca a cobiça e sua consequente guarda. Causa apreensão e perda de tempo em seu cuidado. Os despossuídos não têm nada a perder. Se a sociedade toda for assim, o crime não terá mais razão. Tudo é de todos e nada é de ninguém. O argumento de que sem propriedade não ha estímulo para o trabalho não procede. Sendo a propriedade comum, todos são estimulados a colaborar para a manutenção e o crescimento dos bens que todos compartilham. Quanto menos vinculados os bens forem a indivíduos ou grupos, maior é a liberdade, pois não há restrições para o uso de tudo por todos.
8. Os conservadores suportam ações comunitárias voluntárias, tanto quanto se opõem ao coletivismo involuntário.
Concordo que as ações comunitárias devam ser voluntárias e não impostas. Mas discordo que elas devam ser “suportadas”, mas sim buscadas. É a eduação que proverá o desejo de agir em prol do bem comum e não do individual. Certamente que as iniciativas têm que ser localizadas e não patrocinadas pelos governos. Todavia é preciso que a sociedade relegue ao ostracismo todos os que sejam refratários ao trabalho comunitário.
9. O conservador percebe a necessidade de prudentes restrições ao poder e às paixões humanas.
Concordo, mas não dentro do esquema de poder conservador. Claro que tiranias têm que ser impedidas. Mas o conservador abomina a anarquia e valoriza a existência do poder. No entanto, qualquer poder, mesmo controlado, não é melhor do que a sua diluição total pela sociedade, que é a anarquia. Na anarquia os empreendimentos sociais são feitos por colaboração e com uma gestão adrede constituída e limitada a sua execução. Certamente isso só se alcança ao fim de um longuíssimo processo educativo.
10. O pensador conservador compreende que essas permanências e mudanças devam ser reconhecidas e reconciliadas em uma sociedade vigorosa.
Nisso é que ele está completamente equivocado. Conservadores pretendem ser uma opção moderada entre libertários e revolucionários radicais. Mas o espectro político-econômico não se dá ao longo de uma linha. Ele é pluridimensional, havendo posições para todos os lados, bem como gradações ao longo de cada uma delas. Anarquismo, socialismo, comunismo, conservadorismo, liberalismo, capitalismo, tradicionalismo, gradualismo, coletivismo, objetivismo e outros “ismos”, não se distribuem linearmente. E, mesmo, cada um deles possui variantes, como o anarco-comunismo e o anarco-capitalismo. Todavia, posso dizer que o conservadorismo é uma posição totalmente equivocada e malsã. É prejudicial à sociedade como um todo, só beneficiando aqueles que já são detentores do poder, de propriedades e de dinheiro, que querem que tudo continue como está para que suas benesses não sejam perturbadas e para que o resto do povo possa continuar a serví-los.

2 fevereiro 2013

O Mito da Monogamia

by @ 17:30. Filed under Biologia, Relacionamentos, Sexualidade

Acabei de ler o livro “O Mito da Monogamia”, de David P. Barash e Judith Eve Lipton”, traduzido pela Record. Trata-se de um livro de divulgação científica biológica, com abundantes referências para tudo o que diz. Ele faz uma análise do comportamento gamético desde vermes, insetos e aracnídeos, passando por peixes, répteis, aves, outros mamíferos e o homem. De forma magistral fica sobejamente demonstrado que a monogamia não é o padrão gamético entre os animais e nem é biologicamente natural do homem. Isso vale, inclusive, para espécies que sejam “socialmente” monogâmicas, nas quais as cópulas extra-par são muito mais costumeiras do que se supunha. Raríssimas são as que são, biologicamente mesmo, monogâmicas. O que, absolutamente, não é o caso da humana. Todavia, em seu último capítulo “E daí?”, o livro considera que o estabelecimento social da monogamia como padrão, pelo menos na maior parte do mundo dito “civilizado”, faz com que ela deva ser considerada como a melhor alternativa para quem viva nessas sociedades, em que pese a possibilidade e a tendência para casos extra-conjugais. Este capítulo está em completo desacordo com a totalidade do resto do livro. Minha expectativa era de que ele proporia novos arranjos sociais gaméticos, como o fez Bertrand Russell em seu “O Casamento e a Moral”, ou, até mesmo, mais ousados, como a possibilidade de arranjos plurais estáveis ou algum tipo de onigamia com uma estrutura familiar ampliada para garantir os cuidados e a criação das crianças. No entanto ele não ousa contrariar as convenções sociais (e religiosas) em favor da realidade biológica e da eudemonia.

23 janeiro 2013

O Andar do Bêbado

by @ 14:15. Filed under Pessoal, Sociedade

Terminei de ler, de novo, o livro “O Andar do Bêbado” do Leonard Mlodinow. Além de traçar um belo panorama da história da Teoria das Probabilidades e da Estatística, o autor mostra, cabalmente, por meio da análise de muitos casos. como a maior parte do que se supõe que seja resultado de planejamento, é resultado meramente do acaso e das coincidências. Ter plena ciência disso é fundamental para que se tenha uma boa noção dos fatores que conduzem a nossa vida e saber que, em grande parte, ela não é, absolutamente, conduzida por nada. Mostra, ainda, que muito do que se atribui à competência dos agentes, não passa de sorte (acaso) e que grande sucesso não significa, na maior parte das vezes, muito talento. A seguir vou ler “Uma Senhora toma Chá”, do David Salsburg. Mas antes tenho que acabar outros que estou lendo em paralelo: “O Mito da Monogamia”, de Barash e Lipton, “Visão a Partir de Lugar Nenhum”, de Thomas Nagel e “História do Pensamento Ocidental”, de Bertrand Russell.

1 janeiro 2013

Simplesmente Einstein

by @ 19:07. Filed under Cosmologia, Física, Relatividade

Acabei de ler esse livro, de Richard Wolfson (Globo), e achei excelente. O autor aborda a relatividade, tanto a especial quanto a geral, de uma forma intuitiva e bem acessível a quem não tem formação científica. Possibilitou, inclusive, que eu mesmo aclarasse alguns aspectos conceituais da teoria.

Apenas reparo que ele confunde os conceitos de matéria com  massa e radiação com energia em alguns lugares, como ao falar sobre a equação E=mc², em que fala de conversão de matéria em energia e não de massa em energia.  Numa aniquilação de par partícula e antipartícula a matéria não é transformada em energia e sim em radiação. A massa é que é transformada em energia. Isso precisa ficar bem claro, porque matéria e radiação são entidades constitutivas do Universo, enquanto massa e energia não são, mas apenas atributos dessas entidades. São categorias diferentes. É possível converter matéria em radiação e vice-versa (se se incluir a anti-matéria), bem como massa em energia e vice versa. Mas nunca matéria em energia nem massa em radiação ou vice-versa.

Para quem quiser um aprofundamento matemático um pouquinho maior, recomendo a excelente obra do grande filósofo Bertrand Russell: ABC da Relatividade (Zahar). Para um aprofundamento maior, o livro “Introdução à Relatividade Especial” de Robert Resnick (Polígono). Em nível mais avançado “Gravitation and Spacetime” de Ohanian ou “Spacetime Physics”, de Taylor e Wheeler e, bem avançado, “Gratitation” de Misner, Thorne e Wheeler.

18 dezembro 2012

Conceitos de “Fim do Mundo”

by @ 20:31. Filed under Cosmologia, Esoterismo, Religião

Com essa história do “Fim do Mundo” pretensamente anunciado pelo Calendário Maia para o dia 21 de dezembro, fico vendo gente que se encastela em “Bunkers” protegidos e supridos para sobreviver mais de dois anos e penso que, se for o “Fim do Mundo”, não adiantará nada. Para mim o “Fim do Mundo” seria a aniquilação do planeta, transformado em pedregulhos pela colisão com algum outro ou completamente vaporizado pela explosão do Sol. Não sobraria estrutura nenhuma, ser nenhum, “neris de pitibiribas”. O que percebo é que o que as pessoas chamam de “Fim do Mundo” tem muitos significados. Pode ser apenas o fim da civilização, com o retorno à barbárie e a morte de muita gente, mas não todo mundo. Pode ser a extinção da espécie humana, ficando outros seres vivos por aí. Pode ser o fim de todo tipo de vida no planeta, mas ficando o planeta. Pode ser a aniquilação do planeta (este o meu entendimento), ou pode ser o desaparecimento total de todo o Universo. A que o fatídico Calendário Maia se refere? A que o Apocalipse se refere? Se no Fim do Mundo haverá a ressurreição dos corpos, onde eles viveriam não havendo mundo? Porque, se são corpos, precisam estar apoiados em um chão, precisam de atmosfera para fazer pressão e fornecer oxigênio, precisam de alimento. Como seria? E se alguém disser como seria, de onde tirou essa informação?
Pelo que sei a espécie humana deve se extinguir, mas isso pode demorar ainda centenas de milhares ou alguns milhões de anos. A vida também vai acabar na Terra, quando o Sol ficar muito quente. Mas isso demora uns três bilhões de anos. E o Sol vai engolir a Terra e vaporizá-la, dentro de uns quatro ou cinco bilhões de anos. Quanto ao Universo, pode perdurar ainda por centenas de bilhões ou trilhões da anos. Depende do que vai acontecer: o Big Crunsh ou o Big Rip. Mas essas previsões mitológicas carecem de qualquer fundamento.

4 dezembro 2012

Preconceito ateísta

by @ 15:04. Filed under Ateísmo, Religião

Acho estranho que muitas pessoas que creiam em Deus considerem preconceito meu achar que estejam equivocadas. Elas mesmo são preconceituosas umas em relação às outras. Os protestantes consideram que os católicos estão completamente equivocados em rezar para Nossa Senhora e para os santos. Os judeus acham que os cristãos estão completamente equivocados em supor que Jesus seja o messias anunciado pelos profetas do Antigo Testamento. Os espíritas acham que os cristãos estão completamente equivocados em supor que Jesus Cristo seja Deus. Os muçulmanos acham que os judeus e cristãos estão completamente equivocados em considerar que Deus tenha três pessoas. Judeus, cristãos e muçulmanos acham que Brahma, Vishnu e Shiva são tão ficcionais quanto Zeus, Apolo, Athena ou Afrodite. Mas cada um acha que suas convicções são as corretas. Ora, se todos os religiosos pensam que os religiosos de outras religiões estão completamente equivocados, eu simplesmente acho que não há nenhuma que não esteja equivocada. Nem por isso eu acho que pessoas crentes, por isso, sejam burras e ignorantes. Estas as há em qualquer religião, tanto quanto entre ateus e agnósticos. Como há cultas e inteligentes de todas as convicções. Bem como pessoas do bem e do mal, bondosas e malvadas, honestas e desonestas. Isso não tem nada a ver com a religião professada ou a falta dela. É da índole da pessoa. O que eu acho é que uma pessoa precisa ter a mente aberta para refletir sobre os fundamentos de sua crença e discuti-los consigo mesma, para confirmá-los ou rejeitá-los. Não se manter presa a qualquer religião porque seja a que todos à sua volta professem. Tem que se inteirar das outras propostas e examiná-las. Inclusive da proposta ateísta. Por isso é que acho que religião deveria ser matéria obrigatória do Ensino Básico, ao lado de Filosofia, Sociologia e Psicologia. Para que todas fossem apresentadas aos jovens a fim de que escolhessem. Conheço muitas pessoas que mudaram de religião. Elas viram que a sua antiga não era adequada. Mas não examinaram todas. Poucos cristãos conhecem as propostas do Islã. Muitos, eu acho, se tornariam muçulmanos, se conhecessem. Ou judeus. Da mesma forma judeus e muçulmanos não conhecem a doutrina cristã. Ou o budismo, o hinduísmo, o zoroastrismo e outras possibilidades. Isso é muito ruim. Especialmente, acho que todos deveriam conhecer os argumentos agnósticos e ateístas e então examinarem tudo com serenidade, racionalidade e lucidez. Sem paixão, para, daí, tomarem uma decisão. Mas acho muito perigoso se filiar a uma particular denominação religiosa. Como acho ruim pertencer a um partido político. O bom é ter a mente aberta para aceitar parte de uma, parte de outra e parte de nenhuma. Todas têm algo de bom e algo de ruim. Inclusive o ateísmo. Há que se ter a mente aberta para todas as possibilidades. Sem preconceito a respeito de nenhuma delas. Exceto com relação à intransigência e à intolerância. Para isso pode se ter preconceito.

29 novembro 2012

Ensino de Ciências

by @ 17:51. Filed under Ciências, Educação

Um grave problema que tenho detectado é o do ensino de ciências no nível médio da educação básica. O problema é que se tem preocupado exclusivamente com a competência em resolver questões de vestibulares e do ENEM e não em se ter um verdadeiro conhecimento científico e, principalmente, em se desenvolver habilidades de cientista e uma postura científica de abordagem da realidade. Isso é que é o mais importante. Vestibular e ENEM são só episódios. A vida requer uma visão científica do mundo para que se compreenda nossa inserção nele. E isso vale para todos, não importa o que, profissionalmente, venham a ser. Advogados, negociantes, fazendeiros também precisam saber ciência e ter uma postura científica perante o mundo. Essa postura se ganha com um estudo de física, química, biologia, geologia, astronomia, cosmologia e, principalmente, matemática. Sem deixar de lado a parte humanística: filosofia, sociologia, psicologia, história, geografia, artes, literatura, música e idiomas. Mas um estudo que tem que ser conduzido de forma completamente diferente da que vem sendo feita. Os exames vestibulares se preocupam mais em avaliar aplicações e não em verificar o embasamento conceitual e a competência metodológica em construir ciência. Isso pode e tem que ser desenvolvido na Educação Básica. As aplicações também precisam ser vistas, mas como uma consequência e não como o objetivo primordial. Professores que se voltam mais para a parte conceitual são defenestrados pelas direções porque os alunos acham que eles estão desperdiçando tempo, ao invés de treinarem a solução de questões de vestibulares e do ENEM. Isso é ridículo. O que é preciso é entender e compreender para, só depois, aplicar. E, principalmente, saber construir o conhecimento e não só absorvê-lo. O aluno tem que ser instado a agir, orientadamente, como um cientista e, ele mesmo, descobrir as explicações. Isso também levará ao aprimoramento da sensibilidade, percepção,  intuição, inteligência e criatividade, objetivos muito maiores do que o acúmulo de conhecimentos. E, principalmente, desenvolve o espírito inquiridor, crítico e, até, contestador, que não aceita o que seja ensinado como um cordeiro mas é capaz de discutir e, se preciso, refutar os ensinamentos. O que vale não é dar o peixe, mas ensinar a pescar. Urge que se mude esse modo de encarar o ensino sob pena das novas gerações se encontrarem completamente desprovidas de pessoas capazes de mudar o mundo.

13 novembro 2012

A Razão Áurea

by @ 11:35. Filed under Ciências, Matemática

Muitos me perguntam se há algo esotérico ou cabalístico na razão áurea. Porque motivo a natureza se comporta de modo a exibir essa razão em suas construções? Ora, isso é, nada mais, do que uma consequência natural de que, quando algo cresce, o crescimento é proporcional ao que já se tem. Como o juro composto. Ou a expansão do Universo. A matemática é simples e só reflete esse fato totalmente banal. Dada qualquer coisa que tenha uma grandeza X e esteja crescendo naturalmente em toda a sua extensão, é claro que a metade do todo cresce a metade do que o todo cresce. Ou qualquer outra fração. Isso é óbvio e perfeitamente natural, não tendo significado transcendental nenhum. Em outras palavras, X’ – X = kX. Além disso, observa-se que a razão de acréscimo k é, justamente, a razão do que se tinha antes para o que se tem agora, ou seja, X/X’. Daí se tira uma equação para k. De k = X/X’, tem-se X’ = X/k. Levando-se esse resultado na primeira equação tem-se X/k – X = kX. Não considerando X=0, pode-se eliminar X e se tem 1 – k = k², que é uma equação do segundo grau em k de solução k = (√5 – 1)/2 ≈ 0,618. O que se chama de “razão áurea” é o inverso disso (√5 + 1)/2 ≈ 1,618. Para se saber que tipo de função dá isso, consideremos o aspecto diferencial dx/dt = k.x(t). Ou seja dx/x = kt. Integrando, obtém-se ln(x) = kt + C, donde, x = A.e^(kt), sendo A o valor inicial da grandeza. Esse é o típico crescimento exponencial, como o de uma colônia de bactérias que tenha suprimento ilimitado de alimento, ou a expansão do Universo, dada pela “Lei de Huble”, segundo a qual a velocidade de recessão das Galáxias é proporcional à distância que se está dela, isto é v = dx/dt = Hx. A única diferença é que não se tem a condição de que a constante H seja a razão do que se tinha para o que se tem. É essa condição que fornece o aspecto harmônico do Náutilos, por exemplo. Ou a proporção dos lados e da altura do Parthenon, esse, agora, uma obra humana que imita a natureza.

26 outubro 2012

COMPONENTES DA EDUCAÇÃO ESCOLAR

by @ 10:31. Filed under Educação
Eis o sumário do que acho que deva ser a atividade educacional de uma escola. Idealmente isso tem que ser feito em dedicação integral. A lista está em ordem do que penso serem as prioridades. No meu entendimento a escola não pode abdicar de intervir em aspectos que alguns consideram atribuição da família. E não pode deixar de levantar questões controversas. É importante saber que educar não é ensinar e sim provocar a aprendizagem. Para isso é que a Pedagogia e a Didática existem. Ideal-mente não se deveria haver aulas. Mas, por ora, isso não é viável. As componentes abaixo listadas precisam se integrar à programação das disciplinas como uma obrigatoriedade inescapável, sendo, inclusive, incorporadas às avaliações. Por exemplo, em Física tem que se saber escrever um texto sobre um tema, corretamente e bem argumentado.
1. Formação da Personalidade e do Caráter. (todas as disciplinas)
1.1. Conhecimento, estabelecimento, crítica e contestação de valores.
1.2. Cultivo das virtudes e fortalecimento da vontade.
1.3. Desenvolvimento e controle da emoção.
1.4. Estabelecimento de relações interpessoais e sociais.
1.5. Fomento da solidariedade, colaboração, tolerância e altruísmo.
1.6. Cultivo da consciência política e ecológica.
2. Manutenção da Saúde e da Aptidão Física. (disciplina específica)
2.1. Estabelecimento de hábitos nutricionais corretos.
2.2. Conhecimento e cultivo de práticas higiênicas.
2.3. Prática de exercícios físicos.
2.4. Treinamento esportivo e participação em torneios.
3. Aprimoramento da Percepção, da Inteligência, da Crítica e da Criatividade. (todas as disciplinas)
3.1. Treinamento da sensibilidade.
3.2. Desenvolvimento do raciocínio.
3.3. Cultivo da intuição.
3.4. Estabelecimento do espírito inquiridor e crítico.
3.5. Desenvolvimento da criatividade e da inventividade.
4. Aquisição de Saberes. (todas as disciplinas)
4.1. Conhecimentos.
4.1.1. Busca de informações vulgares, científicas e filosóficas.
4.1.2. Entendimento dos conceitos, definições, razões, origens e propósitos.
4.1.3. Compreensão das relações das partes entre si e com o todo.
4.1.4. Verificação e comprovação das assertivas.
4.1.5. Discussão, aceitação ou rejeição dos conhecimentos e padrões.
4.2. Habilidades.
4.2.1. Domínio da comunicação e da expressão, oral, escrita e outras.
4.2.2. Aplicações dos conhecimentos.
4.2.3. Solução de problemas reais.
4.2.4. Execução de trabalhos práticos.
5. Desenvolvimento Artístico. (disciplinas específicas)
5.1. Cultivo da apreciação artística (plástica, musical, literária, teatral)
5.2. Conhecimento das técnicas dos ofícios e das belas-artes.
5.3. Treinamento das habilidades artesanais e artísticas.
6. Estabelecimento de Competências pelo desenvolvimento disso tudo.

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