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	<title>Ernesto von Rückert</title>
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	<description>Pensamentos, idéias,  comentários, poemas, músicas, imagens</description>
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		<title>Amor e egoísmo</title>
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		<pubDate>Sun, 13 May 2012 15:38:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ernesto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Relacionamentos]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone" title="Amor" src="https://lh6.googleusercontent.com/-qaCxnhTDo7w/T6_VPETacKI/AAAAAAAAEPU/YnCWGt4_v3g/s512/3amor1%255B1%255D.jpg" alt="" width="440" height="512" /></p>
<p>O egoísmo é a fonte de todos os males e todos os vícios. A princípio poder-se-ia pensar que fosse uma coisa boa, pois, com ele, cada um consegue maximizar os benefícios pessoais. O problema é que o ser humano é gregário. Em nossa espécie existem duas pulsões instintivas muito fortes. A primeira é a da conservação de si mesmo, isto é, a sobrevivência. Esta é egoísta e procura o benefício da própria pessoa, para que continue viva e goze do máximo de vantagens. A segunda é a conservação da espécie. Esta, no esquema da natureza, é superior à primeira, que só existe para  que ela possa ocorrer. Consiste na procriação e manutenção da prole até que, por sua vez, possa procriar. Isso é o que Dawkins chamou de “O gene egoísta”. Todo o nosso organismo é um aparato para perpetuar os nossos genes. Existimos para procriarmos. Mas essa pulsão, ao contrário da primeira, é altruísta. Para conseguirmos procriar e criar nossos rebentos, temos que renunciar a muita coisa para nós mesmos, para constituirmos uma família que dê suporte à criação dos filhos. Há conflitos entre as duas pulsões e é preciso achar um equilíbrio. A primeira é belicosa, a segunda é pacifista. O amor é uma sublimação do instinto de procriação. Todo tipo de amor, inclusive a caridade. E a civilização se construiu sobre o desejo de paz em vez de guerra. A guerra é egoísta, a paz é altruísta. O egoísmo é destruidor, o altruísmo é construtor. Quanto mais civilizado se é, mais altruísta e menos egoísta se é. Porque, inclusive, o altruísmo consegue resolver, de modo mais satisfatório ainda, a questão da manutenção do indivíduo, pela cooperação mútua, que provê cada um do que precisa, por ação de todos, sem que seja preciso lutar e vencer o outro para se sobreviver. Todos, uns pelos outros, proverão a todos de tudo que é preciso. Isso é a construção da civilização. Conclusão: o egoísmo obra contra o bem geral e o altruísmo a favor.</p>
<p>Vejamos o caso particular dos relacionamentos amorosos. O fim último, no esquema da natureza, é a procriação. Mas, sendo o homem racional e consciente, isso é sublimado, de modo que o amor acontece mesmo sem se ter em vista a procriação. E o que é o amor? É um sentimento, uma emoção, mas também uma intelecção, algo consentido racionalmente. É um desejo, um querer, uma vontade, uma resolução. E é uma ação, um comportamento e, principalmente, uma relação interpessoal, que envolve reciprocidade. Mas tem um aspecto importantíssimo. O amor é livre. Não se tem amor por obrigação, nem por piedade, nem por gratidão, nem por conveniência. O amor não se vende e não se compra, Não se empresta e não se devolve. É doado e recebido de presente, completamente de graça. Não se pode exigir amor, cobrar amor. Quando se ama, apenas se ama e se deixa a amada livre para nos amar ou não. E, mesmo que nos ame, para poder amar a outrem também. O amor não tem perenidade nem exclusividade. Pode acabar, simplesmente. Sem nenhum motivo. E pode ser dado a mais de uma pessoa, bem como recebido de mais de uma pessoa. Isso é normal e o impedimento de sua  realização (porque o sentimento não há como se impedir) é fonte de muita infelicidade. O que há no amor é um compromisso de dedicação, de compartilhamento de interesse, gostos, projetos, responsabilidades, de cumplicidade, de apoio, de doação mutua, de estima, de respeito, de admiração.</p>
<p>Assim, cada pessoa envolvida em um relacionamento amoroso, é uma pessoa integral, completa e livre. Não é propriedade do amado. Não deve nenhuma submissão ao amado, Não tem que prestar conta de nada ao amado. Tem-se que amar pensando assim. Ama-se porque se gosta daquele amor, tanto da pessoa quanto do fato de amá-la. E, é claro, deseja-se que isto seja recíproco. E se rejubila quando o é. Mas não se pode exigir que o seja. E, quando se ama de verdade, e não egoisticamente, fica-se feliz com a felicidade do ser amado, mesmo que essa felicidade não consista em nos amar. Quem não ama assim, de fato, não ama a pessoa, mas a si mesmo, querendo ser amado mais do que amar. Todavia só se é amado quem ama sem pretender sê-lo. Então o amor é retribuído de graça. Ou não. E não se pode fazer nada a respeito.</p>
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		<title>Loucura</title>
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		<pubDate>Tue, 08 May 2012 19:51:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ernesto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pensamentos]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Só mesmo os loucos é que fazem alguma diferença para o mundo. Os normais passam a vida tão normalmente que não têm importância nenhuma.&#8221;</p>
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		<title>O valor do amor.</title>
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		<pubDate>Sat, 28 Apr 2012 22:34:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ernesto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pensamentos]]></category>
		<category><![CDATA[Relacionamentos]]></category>

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		<description><![CDATA[Só o amor faz a vida valer a pena. Tudo o mais é poeira e vaidade.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter" title="Amor" src="https://lh5.googleusercontent.com/-Bm_i-cUde5A/T5xyiuyGbEI/AAAAAAAAD_E/btwHCe14QxA/s450/amormaiormoldura2004a%255B1%255D.jpg" alt="" width="450" height="314" /></p>
<p style="text-align: center;"><em><strong><span style="color: #0000ff;">Só o amor faz a vida valer a pena. Tudo o mais é poeira e vaidade.</span></strong></em></p>
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		<title>Amor&#8230; apenas amor.</title>
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		<pubDate>Fri, 20 Apr 2012 02:31:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ernesto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Relacionamentos]]></category>

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		<description><![CDATA[Doutras feitas falei filosoficamente de amor neste espaço. Agora quero falar de amor de outro jeito. Quero falar do sentimento, da emoção. Quero dizer como sei que estou amando. E quero cogitar de quando o amor acaba. O amor que vou falar não é outro senão aquele que prende um homem a uma mulher e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter" title="Amor" src="https://lh6.googleusercontent.com/-amqRP2UNRSs/T5DJy0dmEhI/AAAAAAAAD2I/6XIZHbmKIhQ/s434/amor%255B1%255D.jpg" alt="" width="434" height="344" /></p>
<p>Doutras feitas falei filosoficamente de amor neste espaço. Agora quero falar de amor de outro jeito. Quero falar do sentimento, da emoção. Quero dizer como sei que estou amando. E quero cogitar de quando o amor acaba. O amor que vou falar não é outro senão aquele que prende um homem a uma mulher e consiste na coisa mais esplendorosa que pode acontecer na vida de uma pessoa. Existem outros amores, é certo. Deles não cuidarei, porque quero extravasar o que transborda em meu peito mas que,  paradoxalmente, me deixa nele um vazio que não tem tamanho e nada é capaz de encher senão amor. Não o que sai de mim, porque este extravasa e é inesgotável, mas aquele de que estou sedento, aquele que espero merecer e não me vem. Aquele cuja falta me esgota todas as lágrimas e cujo vislumbre me ilumina e transfigura, me faz sentir invadido por um enlevo celestial e leva meu ser a radiar como uma explosão de supernova.</p>
<p>Esse amor é aquilo que te deixa mole como gelatina quando o olhar da pessoa amada cai no fundo dos seus olhos e sua perfumada presença inebriante te entontece. Aquele sentimento que de deixa o coração batendo compassado e profundo, que depõe todas as tuas defesas, que faz descer um calor por todos os teus chacras até aquele que se intumesce e se umedece, mostrando que teu ser é um só e fica completamente paralisado, embevecido, apatetado. Mente, alma, corpo e coração ressoam em uníssono, no compasso de uma melodia etérea, da música das esferas, do som das galáxias em seu rodopio. Aquele sentimento que abre uma janela de luz, coada por um vitral iridescente como de uma catedral, que ao te iluminar te torna leve como o ar e tu levitais, não sentis mais o chão sob teus pés e nada mais te importa do que essa visão paradisíaca. Tu és levado em um arroubo místico para fora do planeta, do sistema solar, da galáxia e do universo.</p>
<p>E isso tudo pode acontecer, mesmo sem a presença física do ser amado. Mesmo tendo uma distância geográfica, que a internet faz zerar, o amor se instala na alma e se torna tão forte, tão intenso, tão sincero, tão completo, tão inebriante, tão real e verdadeiro como se os amados estivesse juntos, naquela juntidade que anseiam vir a ter para se entregarem totalmente ao calor que os une. E mesmo de longe, sentem e sofrem as mesmas emoções, vivem os mesmos sonhos, fazem os mesmos planos, curtem os mesmos momentos de amor, como se lado a lado estivessem.</p>
<p>Isso é o amor e o amor, além desse sentir e dessa emoção, desse desejo de união das mentes, dos corações, das almas e dos corpos é também um querer consentido pela razão, pela vontade. Uma disposição de dedicação integral, de doação total, de cumplicidade, de companheirismo, de profunda amizade, de uma proteção cercada de tão grande ternura que o pensamento de que qualquer mal ou infelicidade vá toldar o ser amado é fonte de tristeza e resolução em evitá-lo seja como for.</p>
<p>Tu amas quando acordas, te deitas, e vives todos os momentos pensando no ser amado. Quando a saudade da sua ausência, por menor que seja, te oprime o peito com uma dor indizível. Quando o seu retorno te enche de um júbilo incontido e tu o abraças rodopiando e beijando, segurando sua cabeça com os dedos entre os cabelos completamente embriagado de felicidade, mesmo que seja só em pensamento ou em sonhos. Quando a perspectiva de viveres até o último dia em sua companhia for a maior aspiração de tua vida e nunca cogites de que isso não venha a ocorrer.</p>
<p>Isso tudo é o amor e nada é mais importante para a felicidade do que ele. Amar e ser amado são a razão de existirmos. É o plano da natureza para a vida, esta singular ocorrência que temos o raríssimo privilégio de desfrutarmos e que não podemos desperdiçar por razão nenhuma. Nada justifica deixar de viver um grande amor. Nem a prosperidade, nem as convenções sociais, nem as religiões, nem as barreiras econômicas, étnicas, culturais ou de que ordem sejam. Mas um grande amor sempre vem da admiração, do compartilhamento de interesses, de convicções, de gostos, de ideais e, sem dúvida nenhuma, da atração física, da “química”.</p>
<p>Mas o amor tem que ser inteiramente livre. Que ninguém seja dono de ninguém nem pretenda dominar ou controlar o ser amado. Se isso ocorrer não há mais amor. O amor é altruísta, não é possessivo, não é dominador. É gentil, é solícito. Não tem o menor ciúme, pois isso é justamente o oposto do amor. Para amar é preciso se estar inteiramente solto. Não se ama por obrigação, nem por coação, nem por gratidão, nem por piedade. Ama-se pelo prazer de amar e ser amado. E amor só com amor se paga, como sexo só com sexo se paga. Quem diz que ama para ter qualquer outro tipo de compensação que não o próprio amor não ama. É um interesseiro e um traidor. Traição é inadmissível no amor pelo próprio princípio do que seja o amor. Não é possível trair um amor, pois no momento em que se trai,  já não se ama mais.</p>
<p>Para que o amor seja assim livre ele não pode ser associado a nenhuma dependência econômica. Cada pessoa adulta tem que prover-se a si mesma. Os filhos são cuidados pelo pai e pela mãe. No momento em que algum relacionamento amoroso ficar vinculado à dependência econômica, ele deixa de ser amoroso. É claro que dois que se amem podem e devem compartilhar responsabilidades financeiras. Mas que isso seja uma opção e não uma necessidade.</p>
<p>Todavia o amor não precisa ser exclusivo. E isso não se configura em traição. Qualquer um é capaz de amar, de se apaixonar, de ter todo esse sentimento já descrito por mais de uma pessoa. Com toda a sinceridade, toda a honestidade, toda a intensidade, toda a emoção, todo o consentimento. Quem nunca se sentiu oprimido por ter que fazer uma escolha entre duas pessoas que ama, porque não se admite que isso possa acontecer? Porque não? Porque a sociedade, por razões econômicas e religiosas assim o estabeleceu. Mas se todos os envolvidos estiverem cientes e concordem, que vilania há nisso? Como não seria muito mais feliz o mundo e quanta dor não seria evitada se isso fosse normalmente admitido. De forma honesta, decente. Indecente é ser monogâmico de fachada e manter casos extraconjugais escondidos. Não consigo entender essa postura. Não digo que assim tenha que ser, mas que assim possa ser. Amores plurais, francos, abertos, aceitos pela sociedade com normalidade no convívio cotidiano.</p>
<p>Mas… o amor pode acabar e há casos em que acaba. Isso é triste, muito triste. Não vou considerar a situação em que o amor acaba porque um dos parceiros comete uma grande felonia. Então é que não havia amor e, muito provavelmente, nunca houve, pelo menos por parte desse. Digo do amor amoroso mesmo, em que os amantes se querem muito. Mas isso pode acabar. Como pode? Pode ser que as expectativas fossem equivocadas. Pode ser que o convívio tenha se desgastado. Pode ser que os gênios não se casem. Pode ser que os interesses que não fossem comuns passaram a ser preponderantes. Pode ser que as pessoas se esqueceram de regar essa plantinha. Pode ser um problema de saúde. Pode ser que um dos parceiros perdeu o desejo. Ou pode ser que tudo não passou de uma ilusão, de uma fantasia, que um dia foi revelado. Mas… se nenhuma vilania foi cometida, a lembrança desse amor ficará para sempre guardada de modo carinhoso no coração. E nenhum novo amor tem o direito de apagar essas doces lembranças porque elas foram a parte mais importante da vida, enquanto o amor foi vivo. Sepultar velhos amores é a pior coisa que se pode fazer. Há que se cultivarem suas lembranças com aquela doce tristeza de pensar o que poderia ter sido e não foi. Com uma saudade do que não aconteceu. Mas a saudade também é uma coisa boa. Quem vier a amar alguém que já teve um grande amor tem que aceitar isso e conviver com a lembrança dos amores passados de seu novo amor.</p>
<p>Por tudo isso eu digo, o que se atribui a Shakespeare:</p>
<p>Se o amor te machucar, ame mais.<br />
Se amar mais te machucar mais, ame mais ainda.<br />
Se amar mais ainda de machucar mais ainda, ame ainda mais.<br />
Até que o amor não te machuque mais.</p>
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		<title>O Ovo de Páscoa</title>
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		<pubDate>Sun, 08 Apr 2012 04:11:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ernesto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pessoal]]></category>

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		<description><![CDATA[A prática de presentear ovos decorados por ocasião da Páscoa remonta a tempos anteriores ao cristianismo. Na antiga Pérsia, isto se dava na comemoração do Ano-novo, que ocorria no Equinócio de Primavera. Entre os hebreus, eles também faziam parte do &#8220;Seder de Pesach&#8221;, o jantar comemorativo da passagem (páscoa) do anjo que matou os primogênitos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter" title="PESANKAS" src="https://lh3.googleusercontent.com/-CnPJcczDMak/T4EO2C0dXpI/AAAAAAAADqs/jaMz44H1Bik/s400/pessankas.jpg" alt="" width="400" height="299" /></p>
<p><strong><em>A prática de presentear ovos decorados por ocasião da Páscoa remonta a tempos anteriores ao cristianismo. Na antiga Pérsia, isto se dava na comemoração do Ano-novo, que ocorria no Equinócio de Primavera. Entre os hebreus, eles também faziam parte do &#8220;Seder de Pesach&#8221;, o jantar comemorativo da passagem (páscoa) do anjo que matou os primogênitos do Egito, exceto daquelas casas que foram marcadas pelo sangue do cordeiro imolado. O ovo simboliza a nova vida. Na cristandade, há uma tradição, da igreja ortodoxa, que conta que Maria Madalena ofereceu um ovo pintado de vermelho ao imperador romano, para simbolizar a ressurreição do Cristo (o vermelho era o sangue, a casca o sepulcro e a vida que brota do ovo a ressurreição). Na quaresma oriental, carne, ovo e leite eram proibidos, e a oferta de um ovo simbolizava o fim das privações. A associação com o coelho remonta ao antigo Egito, como símbolo da fertilidade.</em></strong></p>
<p><strong><em>É natural comemorar o início de um novo ano na primavera (na zona temperada norte, onde floresceram as civilizações originais), pois é a época em que a vida ressurge, sepultada que ficou na neve invernal. Aproveitando esta época comemorativa, que transcende à cristandade (mesmo em nossos trópicos meridionais), quero levar a todos minha mensagem de fé na vida, de confiança em que, apesar de tudo, a vida se agarra à sua própria preservação e sempre ressurge renovada. Que nos rejubilemos por sermos parte desse fluxo que vem desde as primevas origens, a bilhões de anos, e por nós passa, quem sabe ainda, indo a bilhões de anos no futuro, quando algum ser, de alguma espécie, em algum lugar do Universo, possuirá uma sequência genética que se propagou através da nossa pessoa. Já imaginaram a maravilha que é isto? O infinito privilégio de, por acaso, sermos habitantes deste planeta que, talvez, possa ser o único do Universo a ostentar vida. Mas nossa singularidade é ainda maior. É possível que a vida exista em muitos outros lugares, mas a maior probabilidade é de que seja simplesmente procariótica (bactérias). O ser eucariótico e metazoário (em especial o vegetal e o animal) é algo tão especial que o fato de sermos um deles é, praticamente, uma impossibilidade. Mas estamos aqui. Mais ainda: somos suficientemente evoluídos para possuirmos inteligência em grau elevado e uma consciência. Que responsabilidade! Pelo que se tem notícia, somos a única ocorrência atual de tal tipo de coisa. Temos a capacidade de moldarmos nossa rota evolutiva, nossa condição neste planeta e, mesmo, fora dele. Não seguimos inconscientemente os ditames cegos da natureza, sem intervir. Adquirimos a capacidade racional de julgarmos o que é bom ou ruim e prevermos nosso futuro. E por ele sermos responsáveis.</em></strong></p>
<p><strong><em>Quero deixar aqui, nesta Páscoa, meu clamor para que tomemos consciência disto e permitamos que a vida ainda possa florescer por milhões de milhões de gerações, enquanto as condições do Universo o permitirem e, nesta jornada, façamos que ela seja boa e aprazível para todos os seres viventes, em harmonia com a natureza e, especialmente, dentro de nossa própria espécie, enquanto ela existir, e nas que serão nossas herdeiras. Que nos consideremos irmãos nesta única família, que é a humanidade e neste lar, que é o nosso planeta. Podemos fazer isto, basta que queiramos e não cedamos à inércia, e à covardia. E que, assim o fazendo, nos alegremos por nossa decisão, esta sim, comprometida com a ressurreição e a permanência da vida.</em></strong></p>
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		<title>O SIGNIFICADO DA VIDA</title>
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		<pubDate>Sun, 11 Mar 2012 04:40:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ernesto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>

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		<description><![CDATA[Mesmo considerando que tudo o que existe existe por acaso e que não há razão nem propósito nenhum para o Universo nem para nossa vida, o fato de possuirmos consciência nos pede encontrar um significado para esta existência, de modo que nossa mente não se desespere. Esse significado nós mesmos podemos dar à nossa vida, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone" title="idosos" src="https://lh6.googleusercontent.com/-Zf56cXmes7k/T1wteMC9CPI/AAAAAAAADZU/N1lBx82A_eg/s400/129613439521%255B1%255D.jpg" alt="" width="400" height="266" /></p>
<p>Mesmo considerando que tudo o que existe existe por acaso e que não há razão nem propósito nenhum para o Universo nem para nossa vida, o fato de possuirmos consciência nos pede encontrar um significado para esta existência, de modo que nossa mente não se desespere. Esse significado nós mesmos podemos dar à nossa vida, independentemente de qualquer coisa externa a ela. Para ver como, vamos analisar os diversos aspectos da vida humana, em uma progressão hierárquica a partir do mais básico até o mais elevado.</p>
<p>Para começar há o aspecto orgânico ou biológico da vida, isto é, a nossa saúde. Há que se cuidar dela com desvelo para que todos os demais aspectos da vida possam desabrochar. Isso é muito sério. Além de providenciar o tratamento de toda doença que aparecer, o cuidado da saúde envolve hábitos de boa alimentação e exercícios físicos, que garantam um bom desempenho orgânico. Certamente isso inclui a abstenção do fumo e das drogas e a moderação no consumo de álcool, gorduras saturadas, aminoácidos refinados e outras coisas prejudiciais à saúde. Mas este não é o tema deste artigo, de modo que pararei por aqui.</p>
<p>Para a manutenção da vida, todo adulto precisa ter uma atividade profissional. Nela ele não apenas obtém recursos para prover-se de tudo o que necessita mas, principalmente, participa da construção da sociedade e da teia produtiva que garante o bem estar de todos. A atividade estudantil nada mais é do que uma preparação, tanto para a vida profissional quanto para os demais aspectos que serão elencados, mas vou considerá-la como um tipo de atividade profissional. Aí se enquadra a importante questão da escolha da profissão. Quem a faz pensando no que lhe dará mais dinheiro pode cometer um terrível engano. Escolher uma profissão errada é pior do que escolher um cônjuge errado, pois é mais fácil trocar de mulher ou de marido do que de profissão. O investimento no preparo profissional é longo e dispendioso. Não se pode dar ao luxo de errar. E, considerando que a profissão será algo a que se dedicará uma expressiva fração do tempo de vida, passar esse tempo aborrecido por não estar se fazendo o que se gosta é uma grande fonte de infelicidade. Ao escolher a profissão tem-se que pensar naquilo que dará prazer e satisfação em ser feito, mesmo que dê menos dinheiro. Realizar-se profissionalmente, especialmente quanto a considerar que se está dando uma contribuição valiosa à sociedade é um dos fatores que pode dar significado à vida.</p>
<p>O terceiro aspecto é o econômico, que, de certa forma, deriva do segundo,  já que a profissão tem como um dos objetivos ganhar dinheiro. E o dinheiro é uma das formas de se obter bens. Economia é a ciência da produção e distribuição dos bens, isto é, de tudo que  se precisa ou se deseja para conduzir a vida de modo satisfatório. Obtém-se um bem de seis possíveis maneiras: pegando, trocando, fazendo, ganhando, comprando ou roubando. Muitos economistas só consideram o processo de compra e venda. Mas pessoas muito pobres só conseguem sobreviver porque ganham, pegam, fazem, trocam muitos bens de que necessitam, já que não têm dinheiro para comprar e estou desconsiderando o roubo, por ser uma forma ilegítima de obtenção de bens. Para viver uma vida significativa é preciso que se tenha condições econômicas para não se passar necessidades. Mas não se precisa ser rico. Basta que se tenha o necessário e um pouco mais para o supérfluo, que dê prazer e alegria ao ato de viver.</p>
<p>Uma das finalidades da boa condição econômica é a possibilidade da realização do aspecto pessoal da vida. Esse consiste na satisfação dos desejos individuais. De se poder fazer o que se gosta, por puro lazer, sem compromisso profissional ou de outra ordem. É curtir os hobbies, praticar esportes, jogos, atividades culturais, ler, ouvir e tocar música, assistir teatro e cinema, navegar na internet, dedicar-se a coleções e tudo o que, pessoalmente, seja agradável. Grande parte das sobras da economia são voltadas para esse aspecto e a sua realização é um grande fator de alegria e felicidade, que dá significado à vida.</p>
<p>Outro aspecto importantíssimo é o familiar. Os laços de família são preciosíssimos. Nas maiores vicissitudes, são nossos parentes os únicos que nos socorrem e apoiam. Que nos acompanham aos hospitais em nossas doenças, que nos emprestam ou nos dão dinheiro em nossas dificuldades, que nos abrigam caso sejamos despejados e coisas assim. Ter uma família unida e solidária é uma grande bênção para qualquer um. Isso precisa ser cultivado para que sintamos que nossa vida seja significativa.</p>
<p>Além da família, nossos laços interpessoais se estendem à sociedade. São os nossos colegas de estudo ou de trabalho, nossos companheiros de clube ou de igreja e, principalmente, nossos amigos. Uma vida sem amigos dificilmente será significativa. Amigos são os que compartilham nossos interesses, nossas conversas, que fazem muitas coisas conosco, que nos visitam, curtem a nossa companhia em passeios e muito mais. Também nos consolam, são nossos confidentes, nos apoiam, alegram-se com nossas vitórias e choram nossas derrotas. São essenciais à nossa vida. Mas o aspecto social da vida vai além. Também se realiza em nossas atividades comunitárias, filantrópicas, políticas e todas as que fazemos coletivamente, como participar de grupos musicais, esportivos, religiosos ou de qualquer outra ordem. Estar integrado à sociedade é outro aspecto que dá significado à vida.</p>
<p>Mais importante, contudo, é o aspecto sentimental. Ninguém é feliz sem ter um amor. Há vários tipos de amor. Philia é a amizade, o amor com reciprocidade mas sem envolvimento sexual. Eros é o amor que inclui, além da amizade, o desejo carnal, mesmo que não realizado. Note-se que eros não é só desejo sexual. É esse desejo acompanhado de amor, isto é, de admiração, de ternura, de carinho, de cumplicidade, de companheirismo, de bem querer, de apoio e ajuda, de compartilhamento de responsabilidades. Se não for realizado fisicamente tem-se o amor platônico, mas, quando realizado físicamente é a maior beatitude que se pode viver. Mas é preciso que, no amor, o sexo seja uma doação. Quando assim se dá, mais prazer ainda se frui desse conúbio. E eros é um amor altruísta. Não envolve sentimento de posse nem de dominação. O(a) amante concede a(o) amado(a) toda a liberdade e não exige nada em troca. Certamente que se deseja a reciprocidade, mas isso não pode ser cobrado nem exigido, jamais. Senão não é amor, é egoísmo. Pathos é a paixão. Paixão é um amor irracional, que não se pode controlar nem evitar. É maravilhoso se estar apaixonado, mas é algo completamente louco. Não se escolhe por quem se fica apaixonado, mas a paixão absorve todas as energias, todo o tempo, todos os pensamentos. É uma obsessão. Normalmente a paixão se arrefece e transforma-se em amor.</p>
<p>Agape é o amor espiritual, que se tem a alguém sem querer nem reciprocidade. É altruísta e deseja o bem do amado. Mas não envolve desejo carnal. Charitas é semelhante ao ágape, mas não direcionado especificamente a ninguém e sim genericamente a todo mundo. Pragma é o amor interesseiro, que se tem pensando em alguma recompensa, como pessoas que se casam por causa da boa situação financeira do cônjuge. É um amor de baixa categoria. E, finalmente, Storge é o amor familiar, entre pai e filho, irmão e irmão ou irmã. Não envolve desejo sexual e nem recompensa. Mas não requer amizade.</p>
<p>Normalmente pode se ter mais de um tipo de amor por alguma pessoa. A máxima realização amorosa acontece com alguém por quem se tem eros, philia, agape, storge e phatos, isto é, quando a pessoa é amante, amiga, irmã e paixão. Quando se acha alguém assim na vida pode-se dizer que se encontrou a felicidade e o significado da vida. Nada é mais positivo do que isso. Mas tal situação não é fácil acontecer. É um brinde da vida que não se pode perder, mesmo que se sacrifique outros tipos de realização, como a profissional, a econômica, a pessoal ou a social.</p>
<p>Quero comentar que um aspecto da realização amorosa é que, diferentemente do que se supõe, ela pode se dar de forma plena, intensa, sincera e honesta por mais de uma outra pessoa. A biunivocidade amorosa não é uma necessidade na biologia nem no psiquismo humano. Pode-se, perfeitamente, amar-se, e muito, a mais de uma pessoa ao mesmo tempo. E o encerramento de uma relação amorosa com o início de outra não implica que se deixou de amar a quem não se relaciona mais. É importante que se tenha essa compreensão para que isso seja aceito, senão pode ser fator de grande sofrimento.</p>
<p>Finalmente quero falar sobre o aspecto transcendental ou idealista da vida. É quando se dedica a vida a uma causa que vai muito além de nossas realizações pessoais. É algo inteiramente altruísta, pelo que, inclusive, se sacrifica outros tipos de realização. É o caso da dedicação a causas religiosas, quando sincera, mas não só. É a dedicação a algum projeto de vida em prol do bem dos outros e da humanidade ou da natureza. É a filantropia, a doação de si, de seu tempo, de seu dinheiro, de sua energia, de seu trabalho, de sua inteligência para uma causa nobre e benfazeja. Esse tipo de atividade pode, até, suprir a ausência de uma realização amorosa. Mas não é incompatível com ela. Se os amantes são unidos na dedicação a um tipo de causa assim, então é que a vida fica repleta de significado mesmo. Tal tipo de atividade é que nos deixa saber que nossa vida é algo que faz diferença para o mundo e que, por causa dela, o mundo fica melhor pelo fato de existirmos.</p>
<p>Note-se, então, que se pode, sem apelar para nada extrínseco à própria vida, preenchê-la plenamente de significado de forma que, a todo momento e, principalmente, a seu fim, ter-se a certeza e a tranquilidade de que se leva uma vida satisfatória e feliz. E que o mundo se torna melhor, a cada instante, pelo fato de estarmos vivendo nele. Isso é capaz de nos deixar apaziguados e tranquilos, mesmo sabendo que, ao morrermos, nada mais restará de nós senão nossos átomos que se reincorporarão à natureza de que provimos e retornaremos. Nossa consciência é uma fugaz ocorrência que surge ao nascermos e se extingue ao morrermos. Mas podemos dar a esse intervalo um valor maior do que muitos que supõem que são eternos são capazes de dar.</p>
<p>A felicidade, assim, é uma consequência de se sentir realizado na vida. Aquele que se empenha na busca da felicidade não a alcança. Mas quem dedica sua vida a se realizar fazendo o bem, ela lhe será concedida de brinde.</p>
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		<title>Enamorando-se</title>
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		<pubDate>Sun, 11 Mar 2012 00:47:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ernesto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Relacionamentos]]></category>

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		<description><![CDATA[Não são só as palavras que cativam e fazem alguém se enamorar por você. É o seu modo de ser, são suas atitudes, seus compromissos, suas posturas, suas ações. Isso é o que cala mais fundo. É claro que suas palavras podem expressar isso tudo, mas são apenas um retrato de sua personalidade, de mesma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não são só as palavras que cativam e fazem alguém se enamorar por você. É o seu modo de ser, são suas atitudes, seus compromissos, suas posturas, suas ações. Isso é o que cala mais fundo. É claro que suas palavras podem expressar isso tudo, mas são apenas um retrato de sua personalidade, de mesma forma que sua foto é um retrato de seu corpo. É preciso a visão real, o contato pessoal para consolidar a admiração, o deslumbramento, os laços de afeto, de ternura, de empatia e o desejo que comporão o amor e a paixão.</p>
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		<title>AMOR E AMIZADE</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Mar 2012 15:20:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ernesto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Relacionamentos]]></category>
		<category><![CDATA[Sexualidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Não existe uma distinção precisa entre amor e amizade. Passa-se de modo contínuo de uma amizade, eu diria, asséptica para uma amizade amorosa, para um amor romântico e para um amor erótico, sem rupturas bruscas. Cada uma dessas situações engloba as anteriores. Isso pode acontecer entre pessoas do mesmo sexo ou de sexos diferentes. Como [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter" title="Amizade" src="https://lh4.googleusercontent.com/-YGKcjp7g784/T1qppe8vYiI/AAAAAAAADZE/BtGIbng2_ik/s625/amizade_homem_mulher%5B1%5D.jpg" alt="" width="625" height="541" /></p>
<p>Não existe uma distinção precisa entre amor e amizade. Passa-se de modo contínuo de uma amizade, eu diria, asséptica para uma amizade amorosa, para um amor romântico e para um amor erótico, sem rupturas bruscas. Cada uma dessas situações engloba as anteriores. Isso pode acontecer entre pessoas do mesmo sexo ou de sexos diferentes. Como sou heterossexual, só vou considerar esse caso. Mas, tanto entre heterossexuais quanto entre homossexuais, pode haver o que eu chamei de amizade asséptica, isto é, que não envolve contato físico, tanto entre pessoas do mesmo sexo quanto de sexos opostos. Essa amizade se caracteriza por uma convergência de interesses, de concepções de mundo, por uma admiração recíproca, pela curtição da companhia, da conversa, de atividades conjuntas e coisas assim. Mas não envolve uma emoção romântica, o desejo de toque.</p>
<p>A amizade amorosa vai um pouco além por envolver um querer bem, um desejo da felicidade do(a) amigo(a), um cuidado com ele(a), uma dedicação maior a atender os seus desejos, mas, ainda, sem o romantismo amoroso. O amor romântico, além disso, é muito emocional e envolve uma ternura especial pela pessoa amada, um desejo de contato físico, mesmo sem sexo, ou seja, beijos, abraços e carinhos, com o contato da pele. E provoca palpitação cardíaca, sudorese, bambeira nas pernas, suspiros, saudade intensa e tristeza pela privação da companhia. Em suma, é o namoro. Nada há nessa atitude que exclua a amizade como admiração e curtição da companhia, do prazer de fazer coisas junto. Não é preciso que os namorados estejam o tempo todo namorando. Também podem estar fazendo outras coisas e, sendo namorados, com muito mais prazer ainda.</p>
<p>Finalmente temos o amor erótico, que envolver o contato sexual. Certamente que incluindo tudo o mais. Não é o sexo apenas pelo sexo. Isso pode haver também, mas não é o caso que eu estou considerando. Estou considerando o sexo no contexto do amor. Assim, cada um quer dar ao outro o máximo prazer sexual e se esmera para agradar o(a) amado(a) antes de si mesmo. Fazendo do sexo uma doação, por incrível que pareça, mais prazer ainda se consegue fruir dele. E, novamente, não há porque, então, quando acontece o sexo, a amizade ser excluída. Nesse estágio é que se atinge a máxima beatitude amorosa: sexo, romance e amizade. Nada há de mais ditoso na vida. Realizar-se plenamente no amor é o maior fator de felicidade que pode haver.</p>
<p>Mas é preciso um grande cuidado em não deixar acontecer o sentimento de posse. Uma condição essencial para o verdadeiro amor é que ele tem que ser inteiramente livre. Jamais existe amor por coação. Não se pode exigir reciprocidade no amor. Não se pode cobrar nada. Tem-se que deixar o(a) amado(a) livre para nos amar ou não. E, mesmo, para amar outros, além de nós. Ciúme é o carrasco do amor. Só existe amor livre. Qualquer coisa que condicione o amor faz com que ele deixe de ser amor.</p>
<p>A questão é que muitos temem perder a amizade quando ela se transforma em amor. Porque a amizade não tolhe o amigo ou a amiga em nada. Não lhe restringe ter outros amigos, não lhe controla as idas e vindas e nem com o que se ocupa nas horas do dia. Não fiscaliza, não faz cobranças. Dedica-se ao amigo ou amiga com alegria. Se fica-se um bom tempo sem se ver, alegra-se no reencontro, sem reclamar de nada. A amizade é totalmente altruísta. Por isso, de certa forma, a amizade é mais valiosa e muitos temem perdê-la ao se transformar em amor. Mas é porque têm uma visão completamente equivocada do amor. Porque consideram o amor como uma posse. Ninguém é de ninguém. Não se pode possuir outra pessoa. É preciso amar de forma tão altruísta como se é amigo. Concedendo toda a liberdade. Não cobrando nada. Não ficando magoado e emburrado se não se tem reciprocidade em algo. Assim amando jamais se perderá a amizade. Jamais haverá motivo para brigas. O contentamento de um vem do contentamento do outro. É uma concepção assim livre, totalmente livre, do amor que é capaz de levar os amados amantes aos sentimentos mais etéreos, ao enlevo mais sublime, aos êxtases mais paradisíacos.</p>
<p>Viver amando dessa forma é ter o céu na terra. Com a máxima alegria, amizade, cumplicidade, companheirismo, afeição, ternura, desejo, prazer, deleite, êxtase&#8230; Mas sem servilismo, juntidade compulsória, castração da personalidade individual. Sem promessas, sem juras, sem compromisso de exclusividade e nem perenidade. O compromisso é de dedicação, apoio, bem querer, consolo, doação de prazer, de carinho, de tempo, de interesse e, mesmo, de compartilhamento de responsabilidades da vida. Isso não exclui, de forma nenhuma, uma grande e profunda amizade, uma admiração e um respeito imensos. Isso é viver a vida com sabedoria. Feliz de quem ama o seu ou a sua melhor amiga.</p>
<p>Mas esse compromisso não é uma obrigação e sim um desejo, fruto do bem querer. É um compromisso livre e pessoal, não sendo objeto de cobrança nenhuma. Não se pode, num amor verdadeiro, exigir nada do amado ou da amada. Nem de si mesmo. Exceto coerência e fidelidade ao amor. Isto não significa a noção de fidelidade que se tem, que é a de exclusividade amorosa. O verdadeiro amor se abre para a possibilidade de ser compartilhado de modo franco e honesto. Não necessariamente, é claro. Quando digo fidelidade ao amor estou dizendo ao sentimento. Isto significa que se ama com o coração, a mente, a vontade, o corpo, as palavras, os gestos, as intenções e as ações. Tudo de forma coerente e harmônica, sem dissimulações, sem estratagemas, sem máscaras, se artimanhas. Com toda a sinceridade, todo o empenho, toda a ternura e toda a abnegação. Mas também toda a sensualidade, a paixão, o desejo, a volúpia e o tesão.</p>
<p>Para viver um amor assim não é preciso vínculo formal de espécie alguma. Nem contratos nem alianças. Não que tais coisas sejam necessariamente excluídas, mas que não têm significado nenhum. Não é preciso que se more junto, mesmo que o possa. Tudo pode, mas nada é necessário. O que é verdadeiro não precisa de atestado, de rótulo. Amigos não têm contrato de amizade. Assim amantes amigos também não o precisam. Aí que está o seu grande valor. Porque é uma relação que vem das profundezas, do âmago do ser. Que transcende as convenções sociais, que é maior que a lei, maior que o credo, maior que a vida, pois é a razão da própria vida. Isso é amor e é a coisa mais linda que se possa vivenciar. Pobre de quem não vive um amor assim e miserável de quem, o tendo alcançado, abandona-o pelas conveniências de qualquer ordem.</p>
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		<title>Espera</title>
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		<pubDate>Mon, 20 Feb 2012 13:11:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ernesto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[O tempo passa&#8230; inexorável. E eu espero, sincero, supero e não exaspero. Até quando? Sempre! Não desisto, insisto, persisto e conquisto. Senão eu morro. Que vida, sentida, desvalida, sofrida, desabrida, poderei ter sem amor? Antes morrer que sofrer, padecer, fenecer, perecer. Sem teu beijo. Que anseio, pranteio, em meio ao desejo de ver-te, querer-te, em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O tempo passa&#8230; inexorável.<br />
E eu espero, sincero, supero e não exaspero.<br />
Até quando?<br />
Sempre!<br />
Não desisto, insisto, persisto e conquisto.<br />
Senão eu morro.<br />
Que vida, sentida, desvalida, sofrida, desabrida,<br />
poderei ter sem amor?<br />
Antes morrer que sofrer, padecer, fenecer, perecer.<br />
Sem teu beijo.<br />
Que anseio, pranteio, em meio<br />
ao desejo<br />
de ver-te, querer-te, em ter-te<br />
nos braços, em abraços, deitado, ao regaço.<br />
E assim te fazer sentir<br />
amada, adorada, iluminada, extasiada,<br />
como nunca ninguém.<br />
Amém.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Projetos</title>
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		<pubDate>Mon, 20 Feb 2012 13:09:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ernesto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[As horas todas do dia só penso no meu amor. O que estará fazendo? Em que estará pensando? Está sorrindo? Está chorando? Quem me dera ao seu lado estivesse eu todo o tempo. Sobre tudo conversando e sempre só namorando, até quando trabalhando. Mil projeto nós faríamos de uma vida venturosa, até que, quando velhinhos, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>As horas todas do dia<br />
só penso no meu amor.<br />
O que estará fazendo?<br />
Em que estará pensando?<br />
Está sorrindo? Está chorando?</p>
<p>Quem me dera ao seu lado<br />
estivesse eu todo o tempo.<br />
Sobre tudo conversando<br />
e sempre só namorando,<br />
até quando trabalhando.</p>
<p>Mil projeto nós faríamos<br />
de uma vida venturosa,<br />
até que, quando velhinhos,<br />
lado a lado tricotando,<br />
doces lembranças lembraremos.</p>
<p>Quanta ternura haveria,<br />
quanto desejo ardente,<br />
de tudo, completamente.<br />
Pois esse amor infinito<br />
é corpo, mente e coração.</p>
<p>Esta vida é uma só.<br />
Não se vá desperdiçar<br />
não vivendo um grande amor,<br />
só pra não contrariar<br />
quem não sabe o que é amar.</p>
]]></content:encoded>
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