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	<title>Ernesto von Rückert</title>
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		<title>Doações do Gates e do Buffett</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Sep 2010 00:15:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ernesto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[Todas as iniciativas no sentido de promover uma maior distribuição de renda são benéficas, dentre elas, esta.
Pena que os milionários brasileiros, em geral, são bem sovinas e pouco generosos. Além do que, aqui, grande parte do dinheiro doado não chegaria às mãos de quem se destina, mas vazaria pelos ladrões preparados pelos dirigentes da cadeia [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Todas as iniciativas no sentido de promover uma maior distribuição de renda são benéficas, dentre elas, esta.<br />
Pena que os milionários brasileiros, em geral, são bem sovinas e pouco generosos. Além do que, aqui, grande parte do dinheiro doado não chegaria às mãos de quem se destina, mas vazaria pelos ladrões preparados pelos dirigentes da cadeia burocrática dos órgãos que os administrariam, quer públicos, quer privados.<br />
Melhor seria que todos tivessem tais iniciativas com a doação direta dos bens e não do dinheiro para adquirí-los, e, ainda por cima, diretamente aos necessitados, sem intermediários. O próprio Bill Gates, baixando o preço do Windows, estaria contribuindo com a prosperidade mundial (O pior é que, no Brasil, não se compra Windows, mas se pirateia).<br />
De qualquer modo, acho uma iniciativa alvissareira.</p>
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		<title>Craig e Dawkins</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Sep 2010 00:12:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ernesto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ateísmo]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>

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		<description><![CDATA[Não acho que o Craig apresente argumentos convincentes. Ele é muito articulado e tem ótima retórica, além de impecável &#8220;Mise en scene&#8221;. Mas a consistência de seus argumentos não resiste ao poder da verdade que os contra-argumentos bem colocados podem apresentar. Sou capaz de derrubar todas as suas propostas de comprovação &#8220;científica&#8221; da existência de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não acho que o Craig apresente argumentos convincentes. Ele é muito articulado e tem ótima retórica, além de impecável &#8220;Mise en scene&#8221;. Mas a consistência de seus argumentos não resiste ao poder da verdade que os contra-argumentos bem colocados podem apresentar. Sou capaz de derrubar todas as suas propostas de comprovação &#8220;científica&#8221; da existência de Deus.<br />
O problema com o Dawkins é que ele não se atém ao âmago da questão e acaba fazendo circunlóquios com apresentação de argumentos periféricos que não significam nada em termos doutrinários propriamente ditos. Ou seja: tudo de ruim que as religiões puderam ter feito ao longo do tempo, bem como o comportamento criminoso ou devasso de religiosos não pesam uma grama na contestação dos fatos essenciais da fé que elas pregam. O debate tem que ser em cima de argumentos filosóficos e doutrinários e não históricos ou morais.</p>
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		<title>O senhor da vida</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Sep 2010 00:11:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ernesto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pensamentos]]></category>

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		<description><![CDATA[Viver é algo sem comparação: é tudo o que, de fato, possuímos. Nada mais nos pertence, exceto nossa própria vida. Por isso precisamos tomar posse dela e vivê-la em plenitude, pois cada momento que passa já não mais nos pertence. Nada justifica perder a alegria de viver. Até da doença se pode haurir gotas de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Viver é algo sem comparação: é tudo o que, de fato, possuímos. Nada mais nos pertence, exceto nossa própria vida. Por isso precisamos tomar posse dela e vivê-la em plenitude, pois cada momento que passa já não mais nos pertence. Nada justifica perder a alegria de viver. Até da doença se pode haurir gotas de mel, principalmente se se fizer da vida uma doação de amor ao mundo e a toda gente. Um luminoso domingo para todos vocês, como diz o nome do dia: &#8220;Dia do Sol&#8221; ou &#8220;Dia do Senhor&#8221;, pois o Sol é o é o senhor da vida.</p>
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		<title>Reconhecimento do autodidatismo</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Sep 2010 00:09:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ernesto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Pessoal]]></category>

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		<description><![CDATA[Nada comprova que a instrução formal seja superior em eficácia à instrução autodidata. Desde que, é claro, a pessoa tenha um empenho sério e não se deixe esmorecer perante as dificuldades. Sou formado em matemática e tenho mestrado em física, na área de cosmologia, no CBPF. Desde criança tenho interesse em variados assuntos, como geografia, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nada comprova que a instrução formal seja superior em eficácia à instrução autodidata. Desde que, é claro, a pessoa tenha um empenho sério e não se deixe esmorecer perante as dificuldades. Sou formado em matemática e tenho mestrado em física, na área de cosmologia, no CBPF. Desde criança tenho interesse em variados assuntos, como geografia, história, biologia, psicologia, astronomia, música, literatura, pintura, filosofia, religião e outros. Tenho estudado tudo isso sozinho e com muita dedicação, por puro prazer, pois não me traz retorno financeiro nenhum, pelo contrário, só gastos. Ja gastei, em 45 anos, meio milhão de reais em livros, discos, revistas, partituras, gravuras, softwares, vídeos e outros itens que compõem minha biblioteca de seis mil volumes, dez mil revistas, quatro mil discos e muito mais. Não conseguiria vendê-la nem pela décima parte, mas vou doá-la ao povo, fundando uma ong. Não gosto de esportes nem de ver televisão, exceto documentários. Mas não sou convencido nem chato, pelo contrário, muito cordial e afável. Ajudo a todo mundo nos mais variados assuntos, sempre de graça, pois sou anarquista e acho que dinheiro não devia existir. Assim não sou muito criticado e, na verdade, até admirado por minha cultura e modéstia. Estou dizendo isto agora porque é o tema do tópico e, também, porque não sou fingido. Considero que a assertividade é o comportamento adequado, isto é, ser sincero e franco sem ser presunçoso, prepotente e gabola e sem se vangloriar nem humilhar ninguém. Acho, pois, que todo muito pode e deve se dedicar a seus estudos autodidatas e enfrentar sobranceiro qualquer crítica, de forma serena e assertiva, sem ofender, humilhar nem desprezar os críticos, orgulhando-se de sua própria proeza e colocando-a a serviço de todos.</p>
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		<title>Nirvana</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Aug 2010 01:17:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ernesto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pessoal]]></category>

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		<description><![CDATA[Apesar de ateu, estou ficando cada vez mais zen, isto é, cheguei a conclusão que não devo me apoquentar com coisa alguma  e ficar na minha. Isto não significa que não continue a missão que a mim mesmo me atribuí, de tentar mudar o mundo pela luz do conhecimento. Mas não me importo se não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Apesar de ateu, estou ficando cada vez mais zen, isto é, cheguei a conclusão que não devo me apoquentar com coisa alguma  e ficar na minha. Isto não significa que não continue a missão que a mim mesmo me atribuí, de tentar mudar o mundo pela luz do conhecimento. Mas não me importo se não for tendo sucesso. Não tenho ambições materiais e não mais acalento sonhos irrealizáveis, como conhecer a Europa, pois sei que nunca terei dinheiro para isto. O que me compraz é a busca da sabedoria e o afeto dos que me são caros. Nada mais.</p>
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		<title>Amor com amor se paga</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Aug 2010 18:06:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ernesto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Relacionamentos]]></category>

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		<description><![CDATA[
Amor é coisa mais maravilhosa e é a razão e o propósito da nossa existência. Mas amor tem que ser uma coisa livre, franca, aberta, sem limites, sem barreiras, sem restrições, completo, alegre, sem posse, sem ciúme, declarado, sem cobrança, sem inibição, mesmo que seja algo que a sociedade não admita por que é mesquinha, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter" title="amor" src="http://lh3.ggpht.com/__lTqc3x_SL8/TGbb4UqnbNI/AAAAAAAABNE/4EVeXxjXT18/Melhores%2Bfilmes%2Bde%2Bromance%5B1%5D.jpg" alt="" width="400" height="322" /></p>
<p>Amor é coisa mais maravilhosa e é a razão e o propósito da nossa existência. Mas amor tem que ser uma coisa livre, franca, aberta, sem limites, sem barreiras, sem restrições, completo, alegre, sem posse, sem ciúme, declarado, sem cobrança, sem inibição, mesmo que seja algo que a sociedade não admita por que é mesquinha, invejosa, egoísta. É preciso realizar o amor que se tenha, seja ele qual for e por quem for, mas abertamente, públicamente, com toda a intensidade e amplitude, dê no que dê. Assim, mesmo que ele acabe ou continue sem poder ser realizado,  nunca a pessoa se arrependerá, porque, enquanto durou, foi vida muito vivida e fortaleceu, construiu sua personalidade e sua história. Mesmo que a pessoa a quem se ame venha a desapontar, não se deve apaguar a memória do que se viveu enquanto isto foi doce e confortante. No amor, tudo é permitido, menos desamar. E não é preciso que o amor seja único e exclusivo. Pode ser múltiplo e tão intenso em cada realização quanto em todas as outras. Só não pode ser oculto, falso, escondido nem pretexto para outras finalidades inconfessáveis, como status social ou riqueza material ou ato de piedade. Amor apenas com amor se paga, assim como sexo apenas com sexo se paga. Não se paga sexo com amor e nem amor com sexo. Muito menos com outras coisas. Mas pode-se, e isto é muito bom, unir amor e sexo, como também pode-se ter um deles sem o outro e, mesmo assim, se sentir realizado.</p>
<p>Sexo, para o ser humano, é uma INTERAÇÃO, isto é, uma ação mútua entre pessoas, que têm que ser respeitadas em sua qualidade de &#8220;pessoa&#8221;. Logo, cada um precisa dar para receber. Dar atenção, dar carinho, dar prazer, ter paciência, ser cuidadoso, ter interesse no prazer do outro, suscitar este prazer, enfim&#8230; entregar-se sem reservas um ao outro. Só assim cada um será plenamente gratificado. Machismo é o comportamento mais idiota. O machista age pensando em sua reputação entre os amigos e não na qualidade de seu relacionamento. É um egoísta que nem sabe o quanto está perdendo de qualidade do sexo que se faz quando a relação é de igual para igual. Sem falar que o bom sexo, para os dois parceiros, reflete em todos os outros aspectos da convivência, fortalece a união, vigora o organismo, rejuvenesce, proteje o coração e é melhor do que qualquer prozac ou diazepam para curar a depressão, a tensão, a ansiedade e a angústia. Mas só quando feito de forma compartilhada. Sexo não pode ser retribuído por nada a não ser o próprio sexo. Se se faz sexo em troca de dinheiro, segurança, status ou qualquer outra paga ou vantagem não está se fazendo sexo, mas alugando o corpo. Quem concedeu o prazer do sexo, mesmo sem envolvimento amoroso, tem por pagamento o próprio prazer sexual que fruiu nesse intercâmbio. O homem ou a mulher que se casa por interesse econômico ou outro que não a fruição da companhia recíproca, incluindo o sexo, está se vendendo ou se alugando. É uma pessoa vil e desprezível, pois seu corpo é você mesmo e você não é uma mercadoria comercial, mas uma pessoa na plenitude de sua integridade, que não se vende e nem se aluga. Isto seria escravidão.</p>
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		<title>O que é a arte</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Aug 2010 01:57:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ernesto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artes]]></category>

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		<description><![CDATA[
Em sua verdadeira concepção,  arte é o prodígio de insuflar vida a uma imagem, um som, um texto ou um movimento. Em si, eles são apenas comunicações visuais, auditivas ou cinéstésicas mas, pela arte, transformam-se em objetos de comoção estética, emoção, prazer&#8230; Transcendem sua realidade física e se convertem em um bem de valor cultural, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone" title="dança" src="http://lh6.ggpht.com/__lTqc3x_SL8/TGCxx85yNUI/AAAAAAAABIY/-cbQT6LXK3I/SNPdancers_gallery__550x366%2C0%5B1%5D.jpg" alt="" width="550" height="366" /></p>
<p>Em sua verdadeira concepção,  arte é o prodígio de insuflar vida a uma imagem, um som, um texto ou um movimento. Em si, eles são apenas comunicações visuais, auditivas ou cinéstésicas mas, pela arte, transformam-se em objetos de comoção estética, emoção, prazer&#8230; Transcendem sua realidade física e se convertem em um bem de valor cultural, testemunho de um ato criativo do artista em externar o que lhe vém de dentro, o modo como interpreta o mundo, eivado de suas vivências e de sua cosmovisão, bem como de sua perícia e de seu trabalho, além, é claro, de seu sentimento e sua inteligência. O artista, assim, é como se fosse um deus, capaz de vivificar uma tela, um mármore, um violino ou o movimento de seu próprio corpo numa entidade etérea e incorpórea, plasmada de beleza e luz.</p>
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		<title></title>
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		<pubDate>Sat, 07 Aug 2010 02:23:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ernesto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Religião]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[
Não posso entender porque pessoas pretendem que outras sigam suas opiniões e as castigam se assim não o fizerem. Para mim, a liberdade é um valor supremo, só podendo ser limitada quando seu exercício oprimir a quem quer que seja. Encastelados em grupos políticos, religiosos, esportivos ou fanáticos de outra ordem qualquer, as pessoas se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone" title="mutilada" src="http://img.timeinc.net/time/magazine/archive/covers/2010/1101100809_400.jpg" alt="" width="400" height="529" /></p>
<p>Não posso entender porque pessoas pretendem que outras sigam suas opiniões e as castigam se assim não o fizerem. Para mim, a liberdade é um valor supremo, só podendo ser limitada quando seu exercício oprimir a quem quer que seja. Encastelados em grupos políticos, religiosos, esportivos ou fanáticos de outra ordem qualquer, as pessoas se acham no direito de exigir comportamentos alinhados com os que consideram apenas os legítimos, mas, muitas vezes, os próprios paladinos desses comportamentos não os seguem. Isto é comum em sociedades patriarcais machistas, como muitas comunidades islãmicas. Por mais que eu me esforce em respeitar todos os pontos de vista, mesmo que os considere equivocados, vejo que há algo essencialmente errado no islamismo. O mundo só poderá ser um lugar pacífico, harmônico, justo, honesto, fraterno e próspero quando as religiões aceitarem-se umas às outras e considerarem que nenhuma seja dona da verdade, admitindo como válido, inclusive não se ter religião nenhuma o que seria ideal.</p>
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		<title>Dúvida metódica</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Jul 2010 20:41:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ernesto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>

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		<description><![CDATA[Acho que duvidar metodicamente não dispensa refletir, pelo contrário. Ao duvidar e não aceitar qualquer assertiva como verdadeira sem conferir aí é que se vai refletir sobre a validade ou não do que se está dizendo. Crer, sem duvidar é que dispensa refletir. Pode-se até crer em algo sem provas, mas apenas depois de se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Acho que duvidar metodicamente não dispensa refletir, pelo contrário. Ao duvidar e não aceitar qualquer assertiva como verdadeira sem conferir aí é que se vai refletir sobre a validade ou não do que se está dizendo. Crer, sem duvidar é que dispensa refletir. Pode-se até crer em algo sem provas, mas apenas depois de se refletir sobre os indícios de plausibilidade daquilo que é proposto para crer. Para mim o ceticismo é a condição básica para filosofar.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Provir do nada</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Jul 2010 20:37:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ernesto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cosmologia]]></category>

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		<description><![CDATA[Como nada não é coisa alguma, não se pode provir do nada. Mas isto não significa que algo não possa surgir sem que seja proveniente de alguma coisa. Isto não é proibido e não significa &#8220;surgir do nada&#8221;, mas sim surgir sem ser de coisa nenhuma. Tanto sem procedência quanto sem causa e nem propósito. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Como nada não é coisa alguma, não se pode provir do nada. Mas isto não significa que algo não possa surgir sem que seja proveniente de alguma coisa. Isto não é proibido e não significa &#8220;surgir do nada&#8221;, mas sim surgir sem ser de coisa nenhuma. Tanto sem procedência quanto sem causa e nem propósito. Assim é que deve ter ocorrido com o surgimento do conteúdo cujo súbito início de expansão consiste no Big Bang. Outra questão que precisa ficar clara é que o tempo atual começou no Big Bang. Portanto não existe &#8220;antes&#8221; do Big Bang. Mesmo que o conteúdo ali presente seja proveniente de uma contração prévia, aquilo era um outro Universo, com outro tempo. Este espaço e este tempo em que nos inserimos começou alí.</p>
<p>O Universo pode perfeitamente ter surgido sem provir de coisa alguma, sem causa, razão e propósito e é isto que realmente se deu. Não precisa ter fé para conceber isto, pelo contrário. Esta é a hipótese nula ou &#8220;default&#8221;. Considerar que houve um criador requer que se prove que houve. Sem prova nenhuma, então não houve: surgiu sozinho. Isto não significa &#8220;vir do nada&#8221;, pois nada não é algo de que se possa provir alguma coisa. Significa que não foi proveniente de nada, e não &#8220;proveniente do nada&#8221;, como se &#8220;nada&#8221; fosse algo.</p>
<p>Tudo o que somos e tudo o que é o Universo inteiro não precisa ter uma causa. Esta é a questão principal. Causa não é uma necessidade. O Universo surgiu sem ter causa. Miríades de fenômenos acontecem a todo momento, em todos os lugares, sem causa nenhuma. Decaimento radioativo, emissão de luz por átomos excitados, surgimento de par partícula-antipartícula e assim por diante. O surgimento do homem foi um processo gradativo, com causas em cada etapa, desde a primeira molécula replicante. Mas as causas são naturais. E não tem nada disso de que a causa tem que ser maior que o efeito. Não tem não. Porque teria? Nâo há lógica nenhuma em que tenha que ser, nem é fato coisa nenhuma. Pequenas causas podem produzir grandes efeitos e produzem.</p>
<p>A Teoria do Big Bang não diz nada sobre o surgimento do Universo. O que ela diz é que seu conteúdo, inicialmente condensado em uma altíssima densidade, começou a expandir-se. Como este conteúdo surgiu não se sabe nem há teoria nenhuma a respeito, apenas conjecturas. Considero que ele surgiu exatamente no momento em que começou a expandir-se. Surgiu sem ter do que fosse proveniente. Antes desse surgimento não havia coisa alguma, nem o conteúdo nem o espaço para contê-lo nem o tempo para evolver. Não é que &#8220;surgiu do nada&#8221;, pois nada não é algo do qual se pode gerar outra coisa. Nada é só uma palavra para indicar ausência de tudo. Não se pode surgir do nada, mas se pode surgir sem ter do que provir o que é diferente de provir do nada, pois &#8220;nada&#8221; não é nada que exista.</p>
<p>A evolução, tanto cósmica quanto biológica, não contraria as leis da Termodinâmica. Quanto à primeira, da conservação da energia, em nada a evolução a altera, se se considerar o total de massa-energia, convertidas uma na outra pela equação E=mc². Quanto à segunda, da não diminuição da entropia, ela se aplica a sistemas isolados e um sistema que evolui não o faz isoladamente. Sua entropia diminui às custas de um aumento maior ainda da entropia de sua vizinhança. Há mecanismos naturais para produzir redução localizada da entropia, como as interações cumulativas, como a gravidade. Uma flutuação aleatória de densidade num gás cósmico faz surgir um centro de atração que suga matéria da vizinhança até que se forme uma estrela e seus planetas, gerando um sistema mais ordenado que o gás. Mas a vizinhança se torna um gás mais desordenado. No caso biológico são as forças de Van der Walls e as pontes de hidrogênio que promovem esta agregação.</p>
<p>Um computador não é mais complexo que um homem que o tenha feito, mas, a princípio, poderia ser. O que há que impeça que o seja? Além disso, um computador é um artefato, isto é, algo produzido artificialmente. Um ser vivo não é. Ele surge a partir de alterações progressivas desde a primeira molécula replicante e isto vai fazendo com que a complexidade vá aumentando. Então cada ser, geralmente, é mais complexo do que o que lhe deu origem. Sem problemas, inclusive porque isto não é uma produção planejada.</p>
<p>Quanto ao Big Bang, primeiro que não foi uma explosão e sim um inchamento rápido do espaço. Explosão é uma ejeção de matéria para um espaço vazio pré-existente, com movimento próprio dessa matéria ejetada. No Big Bang a expansão não se deu para um espaço vazio fora do Universo, o que não existe, mas consistiu num crescimento do próprio espaço, afastando as partes umas das outras não porque movessem mas porque o espaço entre elas cresceu. Nisso não houve aumento da ordem, pelo contrário, pois, com maior espaço há mais possibilidades de posicionamento e movimento de cada parte, o que aumenta a entropia, que é o logarítimo da probabilidade macroscópica e esta está na razão inversa do número de possibilidades para a obtenção de um dado estado macroscópio, o que aumenta com a expansão.</p>
<p>A redução da entropia se deu por outros mecanismos, como a formação de estrelas e galáxias pela gravitação.</p>
<p>A probabilidade de se fazer o bolo por acaso, com a farinha e os ovos é extremamente pequena, mas pode ser calculada, só que dá trabalho e gasta tempo. Argumenta-se que, para que os átomos do nosso corpo, amontoados no chão, fossem chacoalhados e, por acaso, nos formassem, é tão pequena (mas não nula) que isto seria impossível. De fato, quase impossível. Mas não é assim que o acaso nos formou. Primeiro há que se calcular a probabilidade de formação de aminoácidos e de nucleotídeos nos oceanos e poças d&#8217;agua primitivas, que é grande. Depois, tomando tais moléculas como elementos do espaço amostral, calcular a probabilidade de formação de pequenas proteínas e pequenas cadeias de DNA, que também não é baixa. A probabilidade total é a probabilidade condicionada, que é muito maior do que a probabilidade direta de se formar a proteína átomo por átomo, pois é uma soma de probabilidades e não um produto. Se isto for feito cumulativamente, pode-se ver que a probabilidade, mesmo pequena, não é tanto assim. Ainda farei este cálculo numericamente.</p>
<p>Considere a análise combinatória. Dados três elementos que podem ocupar, cada um, três posições, o conjunto de possibilidades de ocupações dos três elementos é de seis possibilidades. Tudo o que for feito por arranjo ou combinação de elementos fica mais complexo do que os elementos individuais. E isto pode ser obtido pelo acaso. Quanto maior o número de elementos a participar e maior o número de possibilidades para cada um, maior ainda o de possibilidades para o grupo deles. A combinação e o arranjo geram aumento na complexidade, sempre. Não é preciso um agente inteligente para produzir isto. O acaso dá conta, como sempre dá de qualquer coisa. A evolução, que não é uma hipótese, mas um fato comprovado ao vivo e agora, com cepas de bactérias, exatamente gera complexidade a partir da simplicidade, pelo acaso.</p>
<p>Não há razão nenhuma para que exista algo ao invés de nada. Poderia perfeitamente não existir coisa alguma. A existência de tudo não tem razão, causa, propósito nem origem. É inteiramente fortuita. Nem é preciso que tivesse. O conteúdo do Universo, bem como o espaço que o contém e o tempo em que evolve (não existe espaço sem conteúdo nem tempo sem evolução), surgiram sem ter do que provir, sem nada que lhes causasse o surgimento e sem finalidade nenhuma para tal. Isto não significa &#8220;surgir do nada&#8221;, pois &#8220;nada&#8221; não é coisa alguma da qual algo pudesse provir. Causa também não é uma necessidade para todo evento, isto é, nem todo evento precisa ser efeito. A passagem do Universo da inexistência para a existência é um deles, além de miríades de outros que ocorrem a todo momento em todos os lugares, como a desintegração radioativa, a emissão de fótons por sistemas excitados (a excitação é condição e não causa &#8211; condição possibilita, causa determina) e a criação de pares de partícula e anti-partícula, por exemplo. Na origem do Universo houve o surgimento de um campo indiferenciado primordial, extremamente denso que, devido a quebras de simetria no início da expansão, provocou o surgimento de pares de partículas e antipartículas. Estas a todo momento se auto-aniquilavam, com a emissão de fótons (que não possuem anti-partículas, daí o seu papel essencial na formação do Universo) e novos pares surgiam. Algumas, contudo, decaiam antes de se aniquilarem, possuindo uma meia-vida diferente para a partícula e anti-partícula. Trata-se de uma assimetria Chiral, ligada à interação fraca. Tal diferença propiciou que um bilionésimo do total de partículas e anti-partículas do Universo primitivo não se aniquilou, formando a sobra de matéria em relação à anti-matéria que existe hoje. O que se aniquilou formou a radiação de fundo, atualmente na faixa de micro-ondas, que se desacoplou da matéria 377 mil anos após o Big Bang, ocorrido a 13 bilhões e 700 milhões da anos atrás.</p>
<p>A aniquilação da matéria com a anti-matéria produz fótons e não nada. Esses fótons carregam a energia da massa de repouso das partículas aniquiladas. Para a formação de par de partícula e anti-partícula, também é preciso que haja um campo de cuja energia provém a massa do par. Normalmente é um campo eletromagnético existente na vizinhança de alguma partícula, mas pode ser um campo existente no vácuo, mas não no vazio. Aliás não existe vazio no Universo, só vácuo ou espaço que contenha matéria. A diferença é que, no vácuo só não existe matéria, mas existe campo e radiação, enquanto o vazio não teria conteúdo nenhum, mas teria espaço. Já &#8220;nada&#8221; não tem nem espaço vazio. Atualmente as leis de conservação impedem o surgimento de algo sem ser proveniente de outro algo anterior, do qual obtém seu conteúdo energético e mássico. Na origem do Universo isto não prevalecia, porque toda lei física descreve (e não prescreve) o comportamento do que existe. Não existindo coisa alguma também não existe lei que diga como se comporta o que não existe. Então não é proibido o surgimento de algo sem que provenha de algo anterior, já que, inclusive, não havendo tempo, não há momento anterior, e as leis de conservação se aplicam a valores existentes em dois momentos distintos. Depois que passa a existir algo, tal conteúdo também traz consigo leis de comportamento e, então, o surgimento passa a precisar de uma origem. O surgimento do Universo é, pois, um evento singular, não mais passível de ocorrer, a não ser que tudo o que existe volte a se aniquilar totalmente e não exista mais nada, nem conteúdo, nem espaço, nem tempo. Pode acontecer&#8230;</p>
<p>Pode ser que o modelo que prevê o bóson de Higgs não seja o que descreve a realidade íntima da matéria ou então que a energia para se ver o bóson de Higgs ainda não foi alcançada. De qualquer modo, o fato de não se ter obtido o bóson de Higgs não significa que o surgimento do conteúdo do Universo tenha que ser atribuído à interveniência de alguma entidade extinseca a ele. Da mesma forma que para aceitar o modelo que prevê o bóson de Higgs se faz necessária uma comprovação observacional, também isto é requerido para a hipótese de ter sido o Universo criado e não surgido sem ter do que provir, sem causa e nem propósito. A cosmologia da teoria M, com suas branas e cordas está num estágio pior ainda de estabelecimento. O fato é que, se não se sabe como se deu o surgimento do conteúdo do Universo, assim como do espaço e do tempo, que começaram a se expandir com o Big Bang (teoria que não explica a orígem do conteúdo que expande), nada diz que a origem seja extra-natural. Só se pode dizer que ainda não se sabe. Ter surgido sem provir de nada é muito mais plausível do que ser obra de algum agente externo.</p>
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