Minha Herança

by @ 20:42 on 6 janeiro 2006. Filed under Poesia

Ernesto von Rückert

Às vezes quedo absorto,
olhando longe o vazio,
pensando a vida passada,
lembrando os anos vividos.

Será que foi proveitosa?
Será que deixo saudade?
Será que parto sem mágoa?
Será que fui bem amado?

À minha posteridade,
filhos da carne e da lousa
e aos por amor adotados,
quero passar minha herança.

Na vida não fiz fortuna
nem deixo bens de valor,
nada que valha dinheiro,
nada que seja poupança.

Mas deixo meu horizonte.
A vista descortinada,
do mundo belo e fraterno,
dos homens em harmonia.

Deixo a fé no trabalho,
orgulho da coisa bem feita.
Deixo a honra e a modéstia
de ter sido verdadeiro.

E a luta cotidiana,
contra toda hipocrisia,
A peleja altaneira
prá acabar a vilania.

E a ternura escondida
pela gente mais sofrida.
A raiva bem merecida,
da soberba presunçosa.

Derrotas acachapantes
frente ao vil e prepotente,
são folhas edificantes
de uma vida merecida.

Mas algo passo adiante
a toda a posteridade:
A flama da esperança
na tocha da humanidade.

Levem adiante sem medo
prá que essa luz poderosa
do bem, saber e justiça,
alto vá resplandecer.

E as trevas da ignorância,
os freios da iniquidade
e a peste da malqueirança
não mais poder hão de ter.

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5 Responses to “Minha Herança”

  1. Sibelle disse:

    Olá Ernesto;
    Suas poesias me tocam,porque não são apenas lidas,são sentidas,as palavras parecem ter sido extraídas dos mais belos pensamentos que passam por minha cabeça.
    Me orgulho muito de sua amizade,mesmo sendo “virtual”
    Um grande abraço!
    Sibelle

  2. Osvaldo Valente disse:

    Meu Caro Ernesto: Acabo de descobri-lo aqui, por obra de um pasquim da terra. Você é capaz de surpreender até aqueles que acreditavam conhecê-lo.
    E isso é ótmo, pois enriquece o nosso cotidiano. Um grande abraço – Valente

  3. Edith janete disse:

    Ernesto, não resisti e dei um pulo por aqui para conhecer tua poesia.
    Achei ótimo o teu jeito de “descortinar-se”
    Teu horizonte é um presente!!
    Grande Abraço
    Edith Janete Schaefer

  4. [...] Não vejo problema nenhum em educar os filhos numa perspectiva ateísta. E digo educar de modo a formar pessoas bem estruturadas, capazes, confiantes, assertivas, despachadas, educadas, cortezes, responsáveis, trabalhadoras, inquiridoras, contestadoras, solidárias, cultas, bondosas, honestas, batalhadoras, exigentes e, principalmente, felizes. Assim eduquei meus dois filhos, hoje com 28 e 25 anos. Dei-lhes a liberdade de participar da religião que quizessem e lhes passei meus valores que podem ser resumidos no poema que escrevi para eles: http://www.ruckert.pro.br/blog/?p=131Considero que os valores éticos, estéticos, sociais, humanos, culturais e mesmo todos os preceitos de saúde física e mental podem perfeitamente ser passados sem nenhuma menção a nada de sobrenatural e a nenhum prêmio ou castigo em alguma pretensa vida futura trans-morte. Meus filhos não aprenderam o que vém a ser pecado, mas sabem perfeitamente o que é ser bom e fazer o bem (o que não é a mesma coisa). E têm a perfeita noção de honestidade e justiça, inclusive mais apurada do que a de muitos fiéis seguidores de alguma religião. Tanto que consideram preferível levar um prejuízo do que causar um. Bom, eles foram submetidos às influências familiares dos avós, tios e, mesmo, da mãe deles, que, apesar de aceitar meu ateísmo, não compartilhava. Mas também não era religiosa praticante mas o que aqui no orkut se diz “tenho um lado espiritual independente de religião”. Não se tornaram religiosos e nem ateus. Mas sabem perfeitamente como penso e, não só me respeitam, como até admiram minhas posturas. Assim, vejo que pais íntegros, generosos, sinceros, que verdadeiramente amam seus filhos e amam a humanidade podem educá-los inclusive muito melhor do que pessoas religiosas que pautam a vida pelo temor do inferno.   [link] [...]

  5. Alex de Castro disse:

    DESCOBERTA

    Ao ver a vida o homem vê a morte,
    O azar,a sorte, a fome descabida,
    A dura lida de ser fraco ou forte,
    Sem que lhe importe a guerra, já perdida.

    Nesse caminho busca o tempo inteiro,
    Mas vê primeiro não a flor – o espinho.
    Fica mesquinho, farto de dinheiro,
    E dorme herdeiro de seu próprio ninho.

    Há entretanto aquele que desperta,
    Na hora certa, e quebra em si o encanto,
    E brilha tanto a luz na mente aberta,

    Que a dor incerta cessa, e seca o pranto.
    Caído o manto, a mente vive, desperta,
    E nasce, quem sabe, o homem Santo.

    (Que vendo tanto diz que vê tão pouco,
    que quem diz muito não é santo, é louco…)

    Alex de Castro

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