Traduzir é decodificar?

by @ 20:25 on 6 janeiro 2008. Filed under Português

Depende do que se entende que seja decifrar um código. Na linguagem, o significado de um signo (significante) tem um aspecto denotativo e outro conotativo. A semântica conotativa vai além do dicionário e procura atribuir ao que se diz (falando ou escrevendo) um significado contextual, em que se leve em consideração o ambiente cultural e até o estado psicológico momentâneo do comunidador. Tudo isto, no meu entender, faz parte do que se considera “decifrar o código”. Todavia o estrangeiro pode mergulhar no contexto em que originalmente algo que se queira comunidar foi produzido, mesmo sem ter a vivência participativa do comunicador, se ele se dedicar a um estudo aprofundado e abrangente do contexto em que aquilo foi produzido. Isto é essencial na tradução e na leitura, especialmente de textos filosóficos. Mas, certamente, é despropositado se dizer que filosofia só pode ser feita em grego e alemão. O latim, o italiano, o francês e o inglês, para citar as mais importantes, também produziram muita filosofia de grande significado, bem como ciência em geral. O resto, sem dúvida, é periférico. Mas, para a compreensão da filosofia oriental, é interessante também se conhecer sânscrito, árabe e chinês. Incluindo o russo, acho que ficamos com o básico de idiomas que um intelectual de bom calibre precisa conhecer. Quem me dera ter esse dómínio.

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One Response to “Traduzir é decodificar?”

  1. Sophia disse:

    Uma ótima postagem, Ernesto. Frequentarei seu website sempre que possível.
    Um abraço,
    Sophia.

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