O ofício de poetar

by @ 16:29 on 6 abril 2006. Filed under Literatura

O ofício do poeta é levar ao leitor a magia da palavra em provocar emoção, tanto sensorial, quanto intelectual. Não pretende ele convencer de nenhuma tese nem fazer proselitismo ou moralizar. O único compromisso da poesia é com ela mesma, com sua beleza íntrínseca, que emana não só do tema mas, principalmente, da forma com que é colocado, da melodia do som das palavras, do ritmo de sua silabação, da estrutura gráfica, das conotações semânticas, do duplo sentido, das alegorias e tudo o mais que se faça uso. Nisso o poeta se vale de sua sensibilidade e seu talento mas, principalmente de seu esforço e trabalho, calcado em seu cabedal de conhecimeto da língua, de seu rico vocabulário, de sua memória (de tudo o que já leu de poesia) e de seu agudo senso de análise psicológica do ser humano, de sua fina percepção das nuances capazes de fazer o leitor rir, sorrir, chorar, enfurecer, enfim, de provocar o estado de comoção e prazer estético na leitura do poema.
Para conseguir tal proeza não basta que tenha (mas é preciso também) traquejo linguístico e fluência em escrever. Há que se ter uma centelha mágica de gênio, uma sensibilidade entranhada no ser, uma inspiração profunda e, principalmente, um ardor nunca arrefecido de proclamar ao mundo tudo o que de dentro de sí transborda, num furor insano de labor poético.

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2 Responses to “O ofício de poetar”

  1. Cris Alvarez disse:

    Hmm… o ofício do poeta não seria se desapegar
    da própria alma, adorná-la em palavras,
    e soltá-la ao vento, para ser encontrada???
    A poesia é mágica e a palavra é um ato de amor..
    Bom.. acho que foi mais ou menos isso que vce disse
    aqui, não foi? Brilhante e academicamente!!
    Beijo grande ao poeta..

  2. Marco Bastos disse:

    Prezado Ernesto. Obrigado por ter mostrado esse link ao comentar sobre meu e-book no orkut.
    Você abordou com maestria “o ofício de poetar”. De fato a poesia é tudo isso, síntese, metáforas e estranhamento ou susto e estranhamento, ou seja o “dizer poético”. Outro dia comentava com Teresa que até hoje não sei onde está a poesia; se no que escreve o poeta, em quem o lê ou na afinidade que existe entre poeta e leitor.. Ela falava que a poesia transcende a linguagem e com isso eu concordo também.
    Parabéns por esse texto e os demais aspectos que você abordou comento por lá.
    Um grande abraço.
    Marco.

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