Espaço-tempo

by @ 23:36 on 13 novembro 2008. Filed under Relatividade

O Universo Físico é o conjunto de tudo o que existe como entidade natural, isto é, objetivamente fora da mente ou não conceitual, bem como de ordem não espiritual, o que quer que seja isto, mas que, se existir, também é algo objetivo e não apenas conceitual (o que eu contesto, mas admitamos que assim seja). As entidades físicas são de duas ordens: substanciais e formais. O conteúdo substancial do Universo são os campos, quer se apresentem quantizados em partículas elementares e seus conglomerados, que constituem a matéria e a radiação (bem como a anti-matéria), quer sejam campos estáticos não radiantes (elétrico, magnético, gravitacional, etc.), o que também inclui o “mar do vácuo”, do qual podem surgir pares de partículas e anti-partículas. O conteúdo formal do Universo é o espaço-tempo. É importante entender que o espaço-tempo é uma entidade física e não um construto mental, como o espaço matemático. Sua existência é real e objetiva. Não é uma abstração. Não depende de mentes e consciências para existir. Sua existência é umbilicalmente imbrincada com o conteúdo substancial, isto é, não existe expaço-tempo que não possua conteúdo substancial (que pode ser um vácuo, mas não um vazio). É preciso entender, também, que qualquer sistema (subconjunto do Universo) existe enquanto imerso no espaço-tempo. Um ser, entendido como a entidade que, de fato, existe, não é propriamente algo que “é”, mas algo que “permanece sendo” ao longo do tubo de espaço-tempo que vivencia em sua existância. Já um ser espiritual é outro tipo de conversa, pois poderia existir sem estar no espaço-tempo (algo que considero que não exista, mas poderia existir). O espaço tempo, contudo, não possui os mesmos atributos de seu conteúdo substancial, como energia (cinética e potencial), momentum, momento angular, carga elétrica, carga de cor, helicidade etc. Seus atributos são extensão e duração, que só podem ser mensurados relativamente a referências marcadas no conteúdo substancial que o preenche (isto é, eventos que esse conteúdo possa vivenciar). Assim, pode haver variação na extensão e na duração atribuídas a uma certa porção do espaço-tempo, não só em razão do movimento e posicionamento do observador em relação aos eventos considerados, mas também em virtude da alterção própria do espaço-tempo, causada por seu conteúdo (que redunda, por exemplo, no red-shift gravitacional ou na dilatação temporal devida à aproximação de um buraco-negro), ou, ainda, pela dinâmica interna dele mesmo, que vém a ser a expansão, contração ou oscilação cosmológicas, cujo mecanismo ainda está para ser estabelecido, à vista da descoberta da aceleração da expansão, atribuída à dita “energia escura”, de origem desconhecida (atribuição esta que também não é fato tranquilo). É fácil para um físico teórico colocar uma constante lâmbda na equação de Einstein e dizer que explica a aceleração da expansão. Mas Física não é só formular modelos. É dar significado fenomenológico a esses modelos. Aí é que estão os busíles. De qualquer forma, discordo da interpretação de que o espaço seja apenas um mapa que existe para um sujeito. O espaço-tempo físico é uma “coisa-em-sí”, cuja essência é independente de qualquer observador. Seus atributos é que só podem ser percebidos por um observador (como os atributos de qualquer coisa). Para que possam ser manipulados em modelos teóricos é preciso que se associem grandezas a esses atributos, e daí se constrói um ente matemático que é uma representação mental do espaço-tempo. Trata-se de uma variedade diferenciável, devidamente coordenatizada em mapas superpostos, que formam um atlas da variedade (manifold) que, nas partes superpostas dos mapas, existem funções inversíveis e diferenciáveis ligando os sistemas de coordenadas. Pelas coordenadas se operaciona a medida das grandezas que se associam aos atributos de extensão, duração e intervalo. Mas esta variedade não é propriamente o espaço-tempo, mas sim uma representação dele. Outra coisa que é preciso evitar é a rotulagem. Não é bom dizer que isto é fenomenologia, fisicalismo ou positivismo. Esqueçamos os rótulos. Consideremos as coisas em si mesmas e analisemo-nas por suas propriedades, não procurando enquadrá-las em nenhum modelo prévio.

The URI to TrackBack this entry is: http://www.ruckert.pro.br/blog/wp-trackback.php?p=2516

Leave a Reply

Please note: Comment moderation is currently enabled so there will be a delay between when you post your comment and when it shows up. Patience is a virtue; there is no need to re-submit your comment.

[Ernesto von Rückert is proudly powered by WordPress.]