Eis o que somos

by @ 1:31 on 1 julho 2009. Filed under Consciência, Evolução

Somos o resultado de uma evolução cósmica e biológica, desenvolvida sem razão nem objetivo pelo conteúdo do Universo, simplesmente porque ele se modifica ao acaso, estas modificações permitindo maior ou menor sobrevivência de certas estruturas no ambiente em que ocorrem, selecionando, assim, as que tiveram sucesso que, deste modo, por replicarem-se, prosseguirão existindo, até que outras circunstâncias garantam sucesso a outras variedades. Isto se aplica a tudo, não só à vida e vai ocorrendo sem nenhum planejamento. Assim também evoluem as sociedades, os costumes, a cultura, a tecnologia e o que mais for. Somos, pois, algo que surgiu nesse processo e poderiamos perfeitamnte não termos surgido (como, aliás, tudo poderia não ter surgido e simplesmente não existir nada). Não há razão alguma para que exista alguma coisa ao invés de nada. Viemos de algo que nos precedeu, que por sua vez veio de algo anterior e assim por diante até o início de tudo, que proveio de coisa alguma ou então sempre existiu (ainda não se pode decidir). Somos um subconjunto do Universo que, por acaso, goza de propriedades singulares, como a consciência. Mas, no fundo, não somos mais nem menos do que qualquer outra coisa. Somos mortais como uma ocorrência de certa estrutura, mas nosso conteúdo substancial persistirá, pois cada próton, nêutron ou elétron de que somos feitos são os mesmos que existem desde o surgimento do Universo e os mesmos que ainda existirão se e quando ele se extinguir. Nossa consciência, nosso “eu”, nossa memória, contudo, extinguir-se-ão com nossa morte, pois não são substanciais, mas ocorrências advindas da estrutura e da dinâmica de nosso sistema nervoso, que serão desfeitas com a morte biológica do nosso organismo.
Na minha opinião somos um acidente no Universo. A evolução não tem porque nem propósito. Não houve uma necessidade de que a vida tivesse surgido, nem a inteligência, nem a consciência. Por acaso surgiu, mas poderia não ter surgido, nem aqui nem em lugar nenhum e o Universo poderia se acabar sem ter havido nenhuma ocorrência desse tipo de coisa. Todavia não somos o suprassumo da evolução. Somos um elo em uma corrente que ainda se desenvolverá para o futuro em muitos milhares ou milhões de novos elos, que poderão ser muito mais inteligentes do que nós. E não sabemos se existem nem como são outros possíveis seres inteligentes em outros planetas (cálculos mostram que podem haver até três planetas com vida inteligente por galáxia e existem centenas de bilhões de galáxias). De fato, não somos “O Universo” tentando entender a si mesmo, mas apenas, “Parte do Universo” tentando entender a si mesmo. A maior parte do Universo, contudo, não tem nenhuma pretenção nesse sentido.

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