Dodecafonismo

by @ 1:32 on 10 setembro 2009. Filed under Música

A música docecafônica é um tipo de música serial, com uma série de doze sons, que é um tipo de música atonal. A seriação é uma prescrição, aliás, bem rígida, com regras de transposição, reversão, retrogração, a partir de uma das permutações dos sons considerados (12 no dedecafonismo). A seriação pode ser também, além dos tons, em outros aspectos da música, como a duração rítmica, a intensidade sonora, os intervalos harmônicos etc. O resultado não é considerado por muitos como “música”, mas como “ruido”, pois a falta de uma sequência em intervalos harmônicos não produz uma sensação sonora agradável. Mas é arte, como o cubísmo e o dadaísmo, por exemplo, nas artes plásticas. Mas a audição de tais peças precisa ser feita com um espírito de estudioso do fenômeno, não para deleite. Como disse o Edward, contudo, o cérebro acostuma, com Schoenberg, Webern, Berg, Stockhausen, Boulez, Nono, Babbitt, Barraqué, Britten, Copland, Messiaen, Pärt, Piston, Schnittke, Shostakovich, Stravinsky, Cage, Goeyvaerts, Pousseur, Carter, Xenakis, Lutosławski e outros.
Eu gosto e ouço música atonal e serial. Mas o público em geral não aprecia. Tenho um programa semanal de música clássica que, de quando em quando, introduzo este tipo de música. Mas os ouvintes reclamam. Querem música romântica: Strauss, Tchaikovsky, Rachmaninoff, Wagner. Aceitam Mozart e Beethoven, mas já se arrepiam com Brahms. Um Bach tipo “Arte da Fuga” também incomoda. Ou os últimos quartetos de Beethoven. O mais moderno que chegam é Debussy e Ravel. Daí para frente é custoso. Mas eu insisto. Então, minha vivência diz que, se você é um apreciador erudito de música, que mergulha a fundo no entendimento e estuda a história da música, além de ter algum entendimento de música em sí, você é capaz de apreciar música atonal e serial. Para o ouvinte que busca na música apenas fruir o prazer sensível, ela é difícil. É isto que quero dizer.
De fato a visão é mais complacente que a audição. Mas a pintura moderna também ainda não possui uma aceitação generalizada. A questão é que a apreciação da arte moderna (mesmo a poesia) requer não apenas gostar da sensação estética prazerosa que a obra de arte possa passar, mas, principalmente, a fruição de um prazer intelectual, provindo do entendimento do conteúdo e da forma como se apresenta a obra de arte, no contexto e pelos motivos que foi produzida. Não se aprecia “Guernica” apenas pela pintura em sí, mas por todas as injunções de que ela é cercada. Então é preciso conhecer a obra, sua gestação, seu significado, seu simbolismo. Isto requer um tempo de estudo e um exame, não apenas um olhar. Na música é a mesma coisa. É preciso escutar entendendo o que se pretendo comunicar, não apenas “ouvir”, enquanto se faz outra coisa.

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