Variações dialéticas

by @ 1:35 on 10 setembro 2009. Filed under Lógica

Sobre o comportamento dialético da natureza, considero que seja preciso extender a dialética além da tríade “tese-antítese-síntese”. Explico. Podemos entender o Universo como um único e vasto “campo”, primordialmente indiferenciado e extremamente denso, no caroço a partir do qual se iniciou a expansão no momento zero da sequência atual dos tempos, denominado, impropriamente, “Big Bang”. Daí para cá, todas as ocorrências, desde a formação das partículas elementares até os problemas políticos atuais da humanidade, passando pela formação de átomos, moléculas, radiação, galáxias, estrelas, planetas, vida, inteligência, consciência, sociedade e tudo o mais, se deu pelo surgimento de assimetrias, flutuações de densidade, numa sequência de reptos e réplicas, que, dialéticamente, conduziram a novas assimetrias, que desencadearam novas réplicas e sínteses, e assim por diante, num emaranhado complexíssimo, como deve-se perceber que seja, por exemplo, um relacionamento amoroso descrito em termos de interções de partículas elementares (especialmente elétrons da camada de valência, isto é: química!). O holismo, então, entendido como o comportamento do todo que não se reduz à soma de suas partes, precisa ser compreendido de outra forma. Na verdade todo sistema é um subconjunto do Universo e nunca dele se desliga. Então cada parte de um todo é apenas um subconjunto menor. O comportamento do sistema maior depende das interações internas de suas partes e, também, das interações com o que está fora. No mecanismo dialético antes descrito, existem retro-alimentações e efeitos sobrepostos, que, matematicamente, incluem termos com quadrados, cubos e outras potências, além de termos produto de várias ordens, desconfigurando a noção de soma vetorial da geometria euclideana e da física newtoniana. A isto eu chamo um “reducionismo não linear”. Em que isto muda a dialética?
O que se pode perceber é que, se bem que, elementarmente, toda ocorrência advenha de uma oposição (tese-antítese) que consiste na flutuação da densidade do campo cósmico, criando um local concentrado e um rarefeito (o que se dá, por exemplo, com o movimento, pois sair de um lugar para outro é deixar uma ausência na saída e criar uma presença na chegada), no caso de conglomerados de partículas, a não linearidade descrita, faz com que a ocorrência não seja necessariamente descrita como uma oposição mas como uma “variação”, que pode ter nuances de diferença. Isto é o que eu considero um tipo de “dialética não dicotômica”, similar à “lógica difusa, ou à lógica policotômica”. E, mesmo, pode-se conceber esta variação de uma forma multidimensional, e não apenas ao longo de um eixo de opostos. Por exemplo, em política, as posições não se distribuem apenas ao longo do eixo esquerda-direita, mas também em direções perpendiculares a essa, como cima-baixo e frente-atrás (a serem devidamente interpretadas). Então existe um verdadeiro “cubo” de possibilidades. A evolução dos eventos se dará, pois, pela interação entre essas possibilidades, que conduzirá a uma nova “síntese”, que poderá, inclusive, envolver não apenas dois fatos iniciais, mas vários, que provocarão resultados de uma forma não vetorial (linear ou soma), mas envolvendo os termos potência e produtos de potências já mencionados. Isto é o que eu chamo de “dialética não linear”, que, no meu entendimento, é a forma com que a natureza funciona e, por extensão toda a realidade, mesmo a psíquica, social, política, cultural, econômica ou qualquer que seja, pois, pelo “reducionismo não linear”, tudo se reduz à natureza. Só fica de fora a realidade sobrenatural, por não existir.

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