O big bang

by @ 0:45 on 16 outubro 2009. Filed under Cosmologia

A história da evolução do Universo, de acordo com o modelo aceito pela maior parte da comunidade científica é o modelo chamado do “Big Bang”. Existem, é certo, propostas alternativas, mas, até o momento, não lograram estabelecer-se como padrão. Pode ser que alguma seja mais correta e venha a substituir o modelo atual, mas isto requer um longo caminho, que é o que está trilhando as teorias das supercordas, das branas e a Teoria M. Apesar do grande volume de pesquisa, elas ainda não se podem considerar como estabelecidas. É o que acontece também com teorias de Multiversos e várias outras. Na verdade são hipóteses propostas mas ainda não firmadas como teorias. O modelo padrão da física de partículas e a relatividade geral e restrita, contudo, estão em um estado de aceitação bem estabelecido, não só pela coerência intrinseca, mas pelos resultados observacionais e experimentais delas decorrentes.
No caso da teoria do Big Bang, ha uma confusão em sua interpretação. Ela não diz que o Universo surgiu numa explosão, como se pensa, mas apenas descreve os cenários da expansão a partir de uma concentração primeva, conjugando a Relatividade Geral com o Modelo Padrão das partículas (que unifica a cromodinâmica quântica com a teoria da interação eletro-fraca). Mas não há unificação com a Gravitação, o que as supercordas, branas e a Teoria M já propõe.
É preciso entender que a ciência nunca tem uma explicação definitiva, mas, até o momento, os cenários descritos pela cosmologia padrão, adequam-se às observações cosmológicas e astrofísicas.

Gostaria de observar que tudo o que estamos discutindo não é Filosofia. Trata-se exclusivamente de Física e Cosmologia Física, cujas assertivas não são especulativas, mas provindas de hipóteses confirmadas pela observação.
Ciência é justamente a formulação de teorias, que são modelos explicativos da realidade que tenham logrado sair aprovados, sempre provisoriamente, das mais rigorosas baterias de confronto e contestação.
Neste sentido, entendendo que o Big Bang não é nem uma explosão nem uma teoria sobre a origem do Universo, trata-se, realmente, de uma “Teoria” e não uma mera hipótese. É claro que ela não pretende ser a verdade definitiva e pode ser derrumada a qualquer momento. Por enquanto, contudo, é a que está valendo.

Como já disse, a Teoria impropriamente denominada do Big Bang não trata da origem do Universo e sim de sua expansão. As exposições do Eduardo resumem muito didaticamente a história do Universo segundo essa teoria, em conformidade com as teorias da Relatividade Geral e do Modelo Padrão de unificação das forças fundamentais. O modelo das supercordas, das branas e a Teoria M, ainda são hipotéticos e não estão considerados na descrição mencionada.
Certamente que há propostas alternativas a esse modelo padrão (o Big Bang). Em especial posso citar a cosmologia Newtoniana, a do Estado Estacionário, de Fred Hoyle (que foi quem chamou a teoria do Lemaitre-Gamow de Big Bang), a de Brans-Dicke (G variável), a de Dirac (variação da constante cosmológica – tem a ver com a “Energia Escura”), a de Hoyle Narlikar, a de Alfven-Klein (Matéria e Anti-matéria), Einstein-Cartan, Wheeler-Carter, Milne-McCrea e outras, além das metafísicas, religiosas e esotéricas.
Os dados observacionais, contudo, favorecem a Teoria do Big Bang, acrescida da Inflação Cósmica (Alan Guth). As propostas mitológicas, metafísicas, religiosas e esotéricas não resistem ao confronto com os dados observacionais e devem ser consideradas apenas sob o ponto de vista histórico ou antropológico. Uma caracteristica importante das ciências naturais é o “corte epistemológico”, pelo qual uma nova teoria derruba as anteriores, não ocorrendo a existência de “escolas” que, paralelamente, propõem explicações diferentes dos mesmos fatos e se mantêm vivas e com muitos adeptos. As teorias alternativas, em Física e Cosmologia (como em Biologia, Química e Geologia, por exemplo) são hipóteses propostas que ficam à margem enquanto são submetidas a testes e, caso logrem passar incólumes, substituem o paradigma vigente, tornando-se o padrão para toda a comunidade.
Por enquanto, na Cosmologia, o padrão é o Big Bang.
Quanto ao surgimento do Universo (que o Big Bang não trata) ainda não há uma teoria física padrão.

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