Hipóteses e teorias

by @ 0:51 on 16 outubro 2009. Filed under Epistemologia

Existe uma noção equivocada do significado da palavra “Teoria”. Muitas pessoas a confundem com “Hipótese”. Esta sim, é a palavra que indica uma assertiva não confirmada, mais ou menos como se fosse uma “opinião”. Teorias não são “palpites” e tampouco “dogmáticas”. Muito pelo contrário. A existência de Deus, por exemplo, não é uma Teoria, mas uma hipótese ou um dogma, para quem não considera a possibilidade de ser falsa. Teorias são modelos de explicação confirmados até os conhecimentos disponíveis num dado momento. Mas sempre são passíveis de reformulação ou mesmo de abandono, face a novas informações sobre a realidade.

O fato da aceleração de queda dos corpos ser independente da massa só é verdadeiro para um campo gravitacional invariável a que as diferentes massas estejam sujeitas. No caso de duas massas iguais que se atraiam (sós no Universo), a mudança do valor da massa (sempre igual para as duas) também muda o valor do campo, de modo que a força não é proporcional à massa (como o peso na Terra), mas ao quadrado da massa, pois tanto o corpo que exerce quanto o que sofre mudaram igualmente suas massas. Mas a inércia é apenas inversamente proporcional à massa que sofre a força, daí a aceleração ser proporcional à massa que exerce a força (como se se mudasse de planeta, mudando o peso). Sendo maior a aceleração, menor será o tempo de queda. Como ela é variavel ao longo da queda, o cálculo que fiz mostra que o tempo será inversamente proporcional à raiz da massa. Não tem incoerência nenhuma.

Aerodinâmica é coisa bem complicada mesmo. Só a teoria dos vórtices é uma parada. E quanto à camada limite, número de Reinolds, número de Prandtl, Equação de Navier-Stokes e assim por diante. Engenharia de Aeronáutica e de Foguetes não é moleza. É claro que se pode dar explicações simplificadas para crianças. Mas com elas não se consegue projetar foguetes que levem o satélite ou míssil ao seu destino. Ou fazer a previsão do tempo, que usa os mais poderosos computadores existentes.

O grande problema é que físicos, matemáticos e biólogos, por exemplo, costumam desprezar filósofos, músicos, artistas e poetas, e, mesmo, não conseguem conversar entre si, enquanto filósofos, músicos, artistas e poetas costumam ter ojeriza por física, matemática, biologia e as ciências “duras”. Por outro lado, médicos, engenheiros, advogados e empresários desprezam artistas e cientistas por não terem os “pés no chão” e não viverem para acumular bens de valor econômico. Achar pessoas como achei no orkut, que não pensam assim e transitam livremente entre todas as artes e entre as ciências, humanas, exatas e biológicas, é uma grande sorte e um imenso privilégio, pois somos quem vê o mundo, as pessoas e a vida pelo que são em si mesmos e não pelo proveito que nos possam dar, além de refletirmos sobre tudo e termos uma visão crítica, ampla e aprofundada sobre a realidade em todos os seus aspectos.

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