O Valor de uma Pessoa

by @ 23:53 on 2 janeiro 2010. Filed under Comportamento, Filosofia, Ética

Uma pessoa humana pode ter valor em razão de vários fatores. Pode valer pelo que possua de riqueza e bens materiais, ou mesmo beleza, força ou inteligência, pois assim será capaz de propiciar a satisfação da maioria de seus desejos e pode, se for generosa, fazer o bem a muita gente. Mas pode também ser motivo de desgraça e sofrimento, se sua riqueza tiver sido auferida de forma fraudulenta, corrupta ou violenta. Mesmo sem ser possuidora de riquezas materiais, ela pode auferir seu valor pelo poder que seja capaz de exercer, como mandatária política, militar, religiosa, empresarial, sindical ou de outra ordem. Tal poder de mando também lhe capacita a satisfazer muitos desejos e de fazer o bem ou o mal, pelas mesmas razões de quem seja rico.
Tais valores, contudo, são efêmeros, pois riqueza e poder são passageiros e quem já mandou muito pode acabar enforcado ou guilhotinado, e muitos ricos terminaram na miséria.

Outra fonte de valor é o saber. O conhecimento é capaz de exercer um grande poder, mesmo sem que seu possuidor seja rico ou detenha algum tipo de mando. Esta foi e ainda é a fonte de poder dos feiticeiros, pagés, xamãs e dos sacerdotes de todos os tipos, mesmo nas arquicivilizadas religiões católica, evangélicas, judaica, islãmica, hinduísta, budista e todas as que, ainda hoje, valem-se da credibilidade do povo em seus pretensos saberes exarados nas suas sagradas escrituras e nos pronunciamentos de seus insígnes profetas e patriarcas. Muitos estão sinceramente convencidos da verdade e do valor deste conhecimento e o usam para o bem. Outros o desdenham, mas o usam para proveito próprio, em prejuízo dos crentes. Tal tipo de poder também é exercido pelas pseudociências, como a astrologia, por exemplo. Este poder também não confere valor a quem o possua, pois sua validade não está em si mesmo, mas na credulidade que lhe é atribuída, coisa que também pode se evanescer.
O saber, contudo, pode exercer um poder legitimado na veracidade de seu conteúdo, comprovado e evidenciado pelas ciências de todos os matizes. Pode-se dizer que uma pessoa que detenha conhecimento científico ou habilidades tecnologicas e humanistas, realmente possui um valor que não pode lhe ser retirado. Da mesma forma ele pode ser usado para promover o bem ou o mal, caso em que o valor de quem assim dele faça uso fica prejudicado. Mas, de modo geral, o conhecimento é um grande fator de disseminação do bem e erradicação do mal, que, em geral, lhe devota grande repulsa.

Grande valor também possui a pessoa de ação. Aquela que faz, que lidera e executa projetos de repercussão benéfica para a população. Aquela que empreende, que não tem preguiça, que é solidária, participativa, entusiasta, congregadora de esforços, mas também operosa, incansável, articuladora, planejadora e executora. É claro que alguém pode ser isto tudo em projetos maléficos para a comunidade como um todo e destinados apenas ao lucro de sí mesma ou de grupos restritos, como acontece com o crime organizado e o tráfico de drogas. Como fica o valor dessa pessoa?

O que se pode depreender de tudo o que se comentou atá agora é que o valor da pessoa não está no que ela tem, nem no que pode, no que sabe ou no que faz. Então está em quê? Está no que ela é!

Mas ser o quê? Para entendermos isto há que reflitemos no sentido que se está dando ao “valor” da pessoa. Este valor está aquí colocado de forma deontológica, isto é, ética. Trata-se do valor em termos do quanto de bem a pessoa é capaz de mostrar que é capaz de fazer. Então o que importa que ela seja não é rica, nem poderosa, nem sábia, nem operosa. É claro que tudo isto pode colaborar, e muito, para seu valor. O verdadeiro valor, porém, está em seu caráter. É pelo caráter que se mede a capacidade de fazer o bem, de ser bom, nobre, justo, honesto, sincero, generoso, altruísta em tudo o que faça, especialmente em seu relacionamento com os outros seres, não só humanos, mas que também seja um batalhador combativo, corajoso, destemido e heróico na luta pelo prevalecimento do bem e erradicação do mal.

Então, que essa pessoa possa ser rica, poderosa, sábia e operosa, pois ela sempre o será em prol do bem, da justiça, da paz, da harmonia e do estabelecimento de um mundo em que prevaleçam sempre o amor, a alegria e a felicidade entre as pessoas, em comunhão com a natureza. Caso contrário, de nada vale a riqueza, o poder, o conhecimento ou a disposição para trabalhar. Por outro lado se alguèm possua tais qualidades de caráter mas seja pobre, humilde, ignorante e sem iniciativa, seu valor, como pessoa, será muito maior do que o de quem seja rico, poderoso, culto ou empreendedor, se não os possuir. Na verdade é o amor e, por amor, se entende querer o bem, que dá valor a qualquer pessoa. Amar o máximo possível ao maior número de seres é a verdadeira meta capaz de dar significado à vida de qualquer pessoa, pois amando se fará sempre o bem e se será sempre justo e honesto. Nisto, em suma, é que consiste a verdadeira sabedoria.

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