Lógica do niilismo e do ateísmo

by @ 2:00 on 24 janeiro 2010. Filed under Ateísmo

Não tem nada de “lógico” dizer que, se Deus não existe, tudo é permitido. É preciso entender o sentido em que se usa a palavra “permitido” neste contexto. Significa que dá-se o consentimento de que algo possa ser feito sem nenhum empecílho por parte da sociedade. Veja-se bem: é a sociedade que estabelece o que seja ou não permitido fazer. Não me refiro a impossibilidade física (como não ser capaz de respirar dentro d’água sem nenhum dispositivo de apoio), mas de uma impossibilidade moral e moral é algo estabelecido pela sociedade e não por Deus. Pode ser que a sociedade atribua tais regras a Deus, ou até que seja mesmo Deus que as estabeleça. Mas se a sociedade não as aceitar, não ficam valendo. Isto não tem nada de “lógico” pois não é uma necessidade incontornável. Mesmo não havendo Deus pode-se perfeitamente estabelecer-se normas de conduta, que é a moral. Nos estados comunistas, declaradamente ateus, há toda uma legislação criminal referente ao que se pode ou não se pode fazer. Não se pode roubar nem matar, pela lei, mesmo nos países comunistas.
Por outro lado, não há que se ter nenhuma argumento “lógico” para se optar pelo ateísmo. Basta que se considere que os indícios para a inexistência de Deus são mais fortes do que os para sua existência. E como a existência não é óbvia, não havendo provas dela, há que se considerar que não valha. O ônus da prova é de quem acha que Deus existe.

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2 Responses to “Lógica do niilismo e do ateísmo”

  1. Carlos Pires disse:

    1. Mesmo que Deus existisse, justificar regras com base na sua vontade seria errado, pois ele só as aprovaria porque elas já eram boas – daí que continuasse a ser preciso ter um critério para determinar a sua bondade independentemente de Deus. (É o chamado dilema de Eutifron)

    2. Mesmo que o ónus da prova pertença aos crentes, tem sentido os ateus tentarem justificar a sua posição através de argumentos.

    cumprimentos

  2. Marilia Equi Martins disse:

    Não resisti e coloquei esta citação bem humorada de Schopenhauer…
    “Se uma proclamação pública repentinamente anunciasse a anulação de todas as leis criminais, imagino que nenhum de nós teria coragem de ir para casa sob a proteção das causas religiosas.” Schopenhauer

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