Exatidão das ciências

by @ 0:02 on 20 fevereiro 2010. Filed under Ciências, Epistemologia

Meu ceticismo não é pirrônico, mas metodológico. Não acho que a verdade seja inatingível, mas considero que se deva sempre duvidar de que se a tenha obtido, justamente para aplicar os mais rigorosos testes e verificações para validá-la, deixando de lado qualquer certeza, mas trabalhando com as plausibilidades que, se forem grandes, podem fazer o papel de uma certeza, sempre provisória. Não existem certezas provisórias nem definitivas. O que existem são proposições altamente plausíveis, que podem funcionar, para efeitos práticos, como se fossem certezas, até que se mostre que não são verdadeiras. Enquanto isto, passam por verdades e podem ficar indefinidamente assim. Mas sempre se deve pensar que é possível que não o sejam.

Quanto às ciências ditas “exatas”, depende do significado que se dá à palavra “exatas” no contexto das ciências. De fato não existe exatidão na natureza e, por extensão, na sociedade, logo, como a ciência procura um modelo descritivo da estrutura e comportamento da natureza e da sociedade, este modelo tem que considerar esta inexatidão. Mas se a palavra exata é meramente classificatória dos objetos e métodos científicos, pode ser mantida.

A matemática tem partes em que é exata, pois é um modelo abstrato. Mas também tem partes que levam em consideração a inexatidão do mundo, como na lógica difusa. Não se ensina mentira aos alunos. As partes exatas da matemática se prestam a descrever modelos aproximados do comportamento do mundo, numa paradoxal “aproximação exata”. Não acho importante saber se algo que foi dito, por quem o foi. O importante é o que está sendo dito. Mas o correto não é “verdade aproximada” e sim “aproximação da verdade”, que não significam a mesma coisa. Popper falou em “aproximação da verdade” e não em “verdade aproximada”. A verdade sempre é exata, só que não é facilmente atingível e, se o for, nunca se poderá saber que o foi.

O problema e que não existe um método científico padrão único. Mas, pensando bem, não tem como existir. Como disse Feyerabend, não há método e sim procedimentos particulares. O critério de Popper (falseabilidade) é útil, mas não pode ser tomado como algo radical. Há casos em que não se aplica, mas a explicação pode ser considerada científica. A Filosofia da Ciência é uma “meta ciência” que propõe critérios de validação da Ciência. Mas, como todo tema filosófico, não é científico, e os critérios que propõe não se aplicam a si mesma. Caímos no caso da Psicologia, Sociologia, Economia e outras “pré-ciências”, que se assemelham às “pseudo-ciências”, como a Astrologia, Numerologia etc. Minha proposta é de uma cientificização da Filosofia.

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3 Responses to “Exatidão das ciências”

  1. Robson disse:

    Sr. Ernesto,
    Com todo respeito, você aspira um ceticismo metodológico, mas exercita um positivismo ingênuo.
    Reconsidere por gentileza “cientifizar a filosofia”.

  2. Ernesto disse:

    Robson.
    Aguarde um texto que vou postar sobre esta questão de “cientificização da Filosofia”.

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