Eternidade

by @ 18:19 on 28 fevereiro 2010. Filed under Cosmologia, Metafísica, Religião

Eternidade é uma situação em que o tempo continua sempre a passar, sem cessar. Tal situação só tem sentido, se ocorrer, para o Universo como um todo. Qualquer subsistema do Universo certamente não permanecerá indefinidamente caracterizado como tal e, fatalmente, em algum momento, deixará de ter as características que lhe garantem a essência de ser o que é. Assim a única coisa que poderia ser eterna é apenas o próprio Universo, como o sistema de tudo o que existe. Mesmo assim não é garantido que o tempo não atinja um limite e cesse de passar. O conceito de eternidade também pode ser extendido para o passado, mas tudo indica que, de fato, o tempo não se extende indefinidamente para o passado, tendo havido um começo.

A única coisa que poderia não ter começo e nem fim é o próprio Universo. Qualquer de seus subconjuntos sempre tem um momento de formação e de desintegração. O fato de poder ser eterno tanto para o passado quanto para o futuro, não faz do Universo nada que não seja natural. Sobrenatural é algo que não existe. Existem coisas que não são naturais, mas são produtos de seres naturais, feito o homem, como os artefatos, as idéias, os conceitos, as normas, os valores etc. Nada disso é eterno, pois as abstrações só existem se houver mentes para concebê-las e as mentes estão em corpos que, todos eles, se desintegrarão um dia, antes mesmo do fim do Universo, juntamente com seus artefatos.

Por termos percepção e razão podemos fazer inferências a partir da observação do mundo. E elas conduzem à conclusão da extrema implausibilidade da existência de algum ser com as características que são consideradas essenciais para que seja denominado Deus. Não estou dizendo que seja justo e bom, apenas que tenha inteligência, vontade e poder para agir à revelia das leis da natureza, ou mesmo de estabelecê-las a seu bel prazer. Tal entidade não é absolutamente necessária para a explicação de coisa alguma e, se existir, não se manifesta à observação e nem é capaz de ser inferida por raciocínio nenhum, com base no conteúdo e nas ocorrências do Universo.

Assim não há justificativa para supor a eternidade de um ser extrínseco ao Universo que o tenha criado e a ele sobreviveria. Do mesmo modo, a existência indefinida da consciência, cessada a vida do corpo que a suporta, não tem base nenhuma, pois consciência, como função da mente, é uma ocorrência advinda do funcionamento do sistema nervoso, que deixa de existir com a fim do organismo de que faz parte.

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