Vício, crime e virtude

by @ 20:37 on 3 abril 2010. Filed under Comportamento, Sociedade, Ética

Vício e virtude são comportamentos. Crime é um ato. Uma pessoa, a respeito de certo assunto, tem um comportamento virtuoso se ele é promotor do bem, isto é, da maximação da felicidade para o maior número de seres, inclusive o autor. Pode ser neutro ou promotor do mal, isto é, causador de sofrimento, prejuízo, dor ou desprazer a sí ou a outrem. Um comportamento costumaz nesse sentido, a certo respeito, constitui um vício. Tentativas malogradas de busca da felicidade não são vícios, pois, normalmente, por terem fracassado, não se tornam costumazes, além de, nem sempre, representarem um mal, como namorar a pessoa errada, por exemplo. A busca da virtude nada mais é do que a busca da felicidade.

Um crime é um ato conscientemente feito de modo a provocar, dor, sofrimento, infelicidade, prejuízo, desprazer, mesmo que não seja esta a sua intenção, pois muitas vezes ele se foca na obtenção de vantagem, lucro, benefício ou prazer pessoal, todavia com a ciência das consequências maléficas para outrem. Um crime não é um vício, pois é pontual e não necessariamente costumaz. Ser um criminoso é que é uma atitude costumaz de praticar crimes e isto é um vício. Mas, certamente, há vícios que não consistem na prática de crimes, principalmente se o prejuízo causado não é a outrem, mas a si mesmo. Mesmo que seja a outrem, nem sempre a gravidade permite caracterizar como crime, mesmo porque, pode também não ser conscientemente claro para o autor que ele está fazendo mal aos outros. Tais são os casos dos vícios do fumo, da bebida, das drogas, da gula, da luxúria, da inveja, da cobiça, da soberba, da ganância, da avareza, do egoísmo e outros que tais. Nem por isto são desculpáveis. Mas o vício da mentira, da trapaça, da desonestidade, estes, sim, são criminosos, pois provocam danos muitas vezes irreparáveis às pessoas.

De qualquer modo a sociedade deve coibir tais práticas, quando criminosas, com as penalizações de privação da liberdade e, quando não, com programas educativos, a começar na escola, que carece de promover isto. É preciso que fique claro que estas considerações nada têm a ver com religião, qualquer que seja ela.

Certos vícios podem ou não ser criminosos, caso provoquem malefício a outrem, como a bebida e as drogas, que podem levar a atos deletérios, pelo estado da pessoa quando sob ação da bebida ou drogas. O fumo não é um crime, mesmo que prejudique aos ditos “fumantes passivos”.

Por outro lado existem comportamentos que são considerados vícios sem que absolutamente o sejam. Tal é o caso do homossexualismo e do amor plurívoco, que são tidos por alguns como imorais, mas não ferem nenhum princípio ético. Ética sexual é um tema controverso. Castidade, por exemplo, no sentido de abstinência de práticas eróticas, não é uma virtude, pois o sexo é algo benfazejo. Mas pode o ser no sentido de que o erotismo seja promotor da máxima felicidade. Anti-ético é qualquer prática levada a cabo por coação, sem consentimento do parceiro, ou, mesmo neste caso, que envolva violência.

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One Response to “Vício, crime e virtude”

  1. Danilo disse:

    Parabêns,pela sua diversidade interativa. Voltei hoje ao seu blog para visualizar e alcançar uma gnose filosófica, que possuis com expressividade.
    http://www.vivendoteologia.blogspot.com

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