Somerset Maugham em “Servidão Humana” trata bem dessa questão, no personagem autobiográfico Philip. Fui profundamente católico mas perdi a fé à medida que me aprofundava nos estudos da própria teologia, de filosofia e de ciências (física, cosmologia e biologia), além de história. Concluí que não há razão de ser para nenhuma fé. Vejo que o sentimento da existência (e da presença) de Deus que muitos sentem e eu mesmo sentia é um produto da mente, calcado nas noções aprendidas desde a infância. O misticismo que eu vivenciava é um estado psíquico análogo ao de se estar apaixonado por uma mulher (com as devidas mudanças de objeto e modo). Mas a análise racional não permite concluir pela plausibilidade da existência de Deus. Os argumentos contrários são muito fortes e eu os remeto aos links a seguir para um exame. No entanto não possuo argumentos suficientes para uma negativa peremptória de sua existência, assim fico na implausibilidade. Todavia, mesmo que ele exista, é bem possível que não seja bom como se considera. Os atributos essenciais para sua definição são a onipotência e a onisciência, mas não a bondade. Caso exista, minha concepção não é monística e nem panteísta, mas dualista. Contudo prefiro, pela navalha de Ockham, optar por sua não existência.

