O bom ateu

by @ 23:03 on 10 outubro 2006. Filed under Religião

Certas pessoas se dizem religiosas por conveniência social mas, na prática, agem como se Deus não existisse. Por outro lado há aquelas que se proclamam ateístas, mesmo sendo estigmtizadas, mas que pautam sua vida pela virtude e pela decência, muitas vezes sendo mais obedientes aos mandamentos do que os crentes. Pode parecer incoerência, mas, de fato, pelo contrário, é altamente coerente. Ao se dar conta de que Deus não existe a pessoa vê que o único modo de fazer prevalecer o bem sobre o mal é o esforço de cada um conjugando-se coletivamente no esforço da sociedade para coibir a prática do mal (uma vez que não há nenhum castigo em vida futura). Há porém o dilema do nihilista (bem explorado por Dostoiewsky no personagem Ivan Karamazov) de que, se não há Deus nem alma nem céu nem inferno, que importância pode ter ser bom ou mau. Mas há. O bem e o mal não têm nada a ver com Deus ou o inferno. São concepções puramente éticas, do fazer humano que seja capaz de promover a maximização da felicidade para o maior número de pessoas ou provocar sofrimento. Coisas perfeitamente perceptíveis e, digo mesmo, até mensuráveis. São valores que se mantêm em qualquer concepção materialista. E acontece que, em geral, quem chega a optar pelo ateísmo é uma pessoa que precisa ter uma aptidão para questionamento filosófico grande, aptidão essa geralmente acompanhada de um agudo senso de justiça e de verdade. Daí a correlação.

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4 Responses to “O bom ateu”

  1. Shonin disse:

    Hum… realmente, eu conheço alguns bons ateus, e eu mesmo, quando mais me aproximei da fé no “divino” mais distante dele me tornava, pois mais percebia que melhor eu era longe dos muitos dogmas impostos. Hoje costumo brincar dizendo que sou um “budista ateu praticante”, pois como budista eu sou mais fiel aos conceitos da virtude do que muitos dos supostos fiéis que conheço. E, realmente, a questão é que muitos dos fiéis (usando o termo “fiéis” para todos os que acreditam em Deus nas várias religiões que Nele crêem) esperam que a justiça divina purifique o mundo, e fica lamentando que seus azares vem da provação divina, que os que se tornaram “socialmente bem sucedidos” através de meios pouco éticos vão ter sua punição um dia, enfim, esperam. Fé, em certas concepções, é esperança cega, e o que abandona isso tem que segurar a própria vida nas mãos e fazer algo. A esperança é algo importante, pois como diz Heráclito, aquele que não espera nunca encontra o inesperado, porém, a esperança deve sempre ser aliada a ação. A esperança não deve ser um “torcer para” mas uma questão de objetivo que será alcançada por esforço.
    Mas também conheci muitos ateus plenos que não eram necessariamente questionadores ou mesmo que tinham um senso de justiça, mas que simplesmente eram muito terrenos. Não que não tivessem a fé por medo de serem punidos, mas porque simplesmente não acreditavam em nada que não estivesse bem dainte de seus olhos. A verdade é que, além das questõoes de ser ateu ou fiel, é necessário ser uma boa pessoa. A definição de boa pessoa é extremamente delicada, desde “antes de cristo” sendo questionada pelos pré-socráticos em alguns fragmentos, mas por boa pessoa digo a pessoa que tem a capacidade crítica de comparar situações e fazer mais do que estar vivo, mas viver a vida. A pessoa que não acorda esperando qeu seja um bom dia e dorme esperando que o próximo seja melhor, ams a pessoa que batalha incessantemente para ser mais do que é no momento, que se esforça para fazer de cada instante melhor que o anterior e que percebe a beleza do momento, não por ter havido uma divindade ou não, mas por ser este momento tudo que temos.
    Como eu gosto de falar aos meus amigos, se você crê em alguma divindade, na maioria dos casos religiosos ela deu aos homens livre arbítrio para que cuidassem de suas vidas, então é bom fazer algo por ela. Se não crê, é bom fazer algo da sua vida, porque você sabe melhor do que ninguém que ninguém fará algo por ela.
    Então… viva. Seja um bom ateu, seja ateu ou não.
    E, claro, não abra a boca para falar nada do qual não consiga ser exemplo vivo. Se você não faz o que fala, você não é uma pessoa sábia. Você é uma pessoa que não faz falta.
    Ja-ne. Isso está no CF4 não?

  2. Isso de estigmatizado faz-me pensar no bible belt e que existe nos EUA.
    Assim como no antigamente só se podia entrar em Inglaterra se se tivesse uma religião. Notam-se em certos interiores (aqui no orkut nas comunidades…) que õs ateus estão abaixo dos árabes. Ou seja que ser ateu é ser pária.
    Hoje como deve ter sabido pela minha comunidade terminou o ciclo Criacionismo e darwinismo e isso foi discutido…Foi relamente muito bom
    Até tivemos lá um de uma seita seguidora da bíblia que insultou os investigadores…Seria jeová, adventista, evangélico? Sei lá E ao ver essa figurinha patetica fiquei a pensar no que acontece nos EUA (excepto NY e Massac…)e que querem implementar nas escolas no Brasil…
    Sabias que há entre vós e no tal interior dos states em que a 1ª pergunta que se faz a uma pessoa é de que religião ela é???
    Incrível o atraso da Educação nesses países…
    Há certas coisas que dão a entender com quem estamos a falar…
    Mas que mania é essa de quem é ateu é estigmatizado? Essa é de rirr ás garagalhas desculpa lá…
    Ora se tivesseis um currículo nacional, se os objectivos da educação fossem os mesmos…e se não houvesse a mania de que a religião dá educação e os polícias militares mandam nos civis, superiores aos professores não haveria estes da tal biblia belt e surgiria uma Nação.

  3. Mana disse:

    Certas pessoas se dizem religiosas por conveniência social mas, na prática, agem como se Deus não existisse.

    Exemplos:Briga com o vizinho,reclama na fila do Supermercado,discute com o operador de caixa,se é professor age com ignorância com os alunos,fala mal de todo mundo,mente descaradamente e etc.

  4. Pareja disse:

    Hola de parte de parejaspareja.es, encontre tu blog navegando por la red buscando musica adventista en google. Me parece super interesante la información que tienes en tu blog y sin lugar a dudas regresare a leerlo. Tengo una pregunta, si podria traducir tu blog “Ernesto von Rückert » Blog Archive » O bom ateu” y añadirlos a un de mis blogs en italiano? Y por supuesto con el link direccionando a tu blog. Estare esperando tu respuesta. parejaspareja.es

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