Sexo, amor, fidelidade e exclusividade

by @ 20:22 on 23 maio 2010. Filed under Relacionamentos, Sexualidade

Amor não é algo que se faça e sim que se sinta. Tanto homens quanto mulheres são capazes de amar e amam. Sexo se pratica ou faz, tanto por homens quanto por mulheres, uns com os outros ou entre si. Sexo pode ser feito com ou sem amor e amor pode incluir ou não sexo. Todas as possibilidades são válidas e não há predileção por alguma delas por parte de um ou outro gênero. Sem dúvida, o melhor é amar de forma a incluir o sexo. O que não é bom é fazer sexo por outro motivo que não seja amor ou apenas o sexo em si mesmo, como por interesse financeiro. Sexo não se vende nem se compra, se compartilha. E amor, este não é possível se comprar nem se vender de forma alguma. Só existe como doação.

Há uma correlação entre inteligência e caráter, salvo as exceções minoritárias. A questão da traição não é o fato de se ter relacionamento amoroso com várias pessoas, mas de se agir assim enganando o parceiro que pensa que seja exclusivo. A pluralidade amorosa não se configura em comportamento anti-ético nenhum, desde que consentida por todos os envolvidos. Quem desejar relacionar-se com mais de um parceiro, então entre em acordo com todos eles. Logicamente que deverá aceitar que seus parceiros também tenham outros parceiros. Exclusividade e fidelidade não significam a mesma coisa. Fidelidade é uma questão de honrar a confiança. Ser infiel é, portanto, um ato de extrema vilania, que caracteriza a pessoa como mal-caráter. Não ser exclusivo é outra coisa, que não tem problema, desde que não se traia a confiança, só agindo assim com o consentimento dos envolvidos.

O que eu disse é que maior inteligência normalmente também está associada a uma maior retidão de caráter e que, portanto, pessoas mais inteligentes são fiéis, pois a infidelidade é uma falha de caráter. Mas não necessariamente são pessoas que consideram necessária a exclusividade no relacionamento amoroso, desde que ela seja consensual, o que não significa infidelidade. O amor romântico exclusivista e ciumento é uma modalidade perniciosa, por ser causa de sofrimento, uma vez que é normal amar-se a mais de uma pessoa simultaneamente, tanto homens quanto mulheres. O fato de se cercear esta possibilidade por uma questão de caráter (que aliás é o que tem que ser feito, se não houver uma permissão por todos os envolvidos), pode acarretar grande perturbação psicológica, até mesmo depressão, ou pelo menos angústia. Uma sociedade livre deve permitir tranquilamente a pluralidade amorosa, de forma franca e aberta, com todas as implicações legais e econômicas daí decorrentes. A monogamia não é necessária e nem melhor do que a poliginia e poliandria (em conjunto denominadas de poligamia). O que não se pode é admitir uma sem a outra. Isto, porém, não significa que uma pessoa tenha que ser polígama e nem que polígamos sejam mais inteligentes que monógamos, do mesmo modo que ateus não são necessariamente mais inteligentes do que crédulos. Apesar de ser considerada imoral, a poligamia não fere em absoluto a ética e, portanto, a moral deve ser modificada para considerar esta possibilidade. Ciúme e exigência de exclusividade não é sinal de amor e sim de egoísmo.

The URI to TrackBack this entry is: http://www.ruckert.pro.br/blog/wp-trackback.php?p=3851

Leave a Reply

Please note: Comment moderation is currently enabled so there will be a delay between when you post your comment and when it shows up. Patience is a virtue; there is no need to re-submit your comment.

[Ernesto von Rückert is proudly powered by WordPress.]