Inteligência e modéstia

by @ 22:31 on 23 maio 2010. Filed under Inteligência

Ao visitar sites de entidades que congregam pessoas inteligentes, como a Mensa, verifiquei que muitos se gabam de sua inteligência, menosprezando o resto das pessoas. Ao não valorizarem as virtudes da elegância e da modéstia, essas pessoas mostram que inteligência não é tudo e que caráter é que, de fato, valoriza a pessoa. Considerando que, majoritariamente, a inteligência não se deve a nenhum esforço pessoal, configurando-se como um dom nato, não há porque ninguém se gabar de possuí-la, pois nada fez para tal. Usá-la em benefício do mundo, isto sim, é algo que se pode imputar ao indivíduo e de que ele pode se orgulhar. Mesmo assim, a boa educação manda que se seja comedido em vangloriar-se.

O reconhecimento de que o complexo, sutil e requintado são justamente sinais de civilização, sendo a simplicidade e a parcimônia menos eficazes, mesmo que mais eficientes, é sinal de sabedoria pela constatação de que é sendo diligente e perfeccionista que se obtém os melhores resultados. Resta-nos trabalhar para que estas condições não se esvaneçam por pura vaidade, preguiça e cobiça, as maiores pestes da humanidade

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3 Responses to “Inteligência e modéstia”

  1. Inês Sagula Fossa disse:

    As crianças com altas habilidades/superdotação podem apresentar certas características sócio-emocionais:
    - Idealismo e senso de justiça, que se reflete na preocupação da cça superdotada em abraçar causas que promovam igualdades sociais;
    - perfeccionismo, expresso pela auto-imposição de padrões de desempenho altos, rígidos e, muitas vezes, irrealistas;
    - alto nível de energia envolvido na realização de atividades;
    - senso de humor desenvolvido como forma de lidar com incongruência do dia a dia;
    - paixão por aprender, expresso pelo facínio das cças superdotadas por novas ideias, palavras e relações;
    - perseverança, envolvendo grande concentração em atividades de interesse e desejo de superar obstáculos;
    - inconformismo, que se reflete na tendência a questionar regras e autoridades;
    - sensibilidade às expectativas dos outros, que pode levar o superdotado a ficar vulnerável às críticas de outras pessoas;
    - sensibilidade emocional, que pode levar o superdotado a identificar e desenvolver empatias pelo outro;
    - consciência aguçada de si mesmo, que pode levar o indivíduo superdotado a se perceber como diferente.

    A falta de sintonia entre as suas necessidades emocionais, sociais, cognitivas e educacionais e as condições oferecidas pela sociedade pode desencadear, no superdotado, conflitos intra e interpessoais. Portanto, é importante a inclusão, no contexto educacional, de serviços de aconselhamento psicológico a essa clientela, visando combater e prevenir problemas emocionais ou de conduta que esses alunos possam vir apresentar. Um ajustamento social, uma maturidade emocional e o desenvolvimento de um autoconceito saudável por parte do indivíduo superdotado dependem, em grande parte, das condições do ambiente.

  2. Ernesto disse:

    Inês. Você falou exatamente o que eu já percebera nos alunos de excelente desempenho que já tive, mesmo não sendo mais crianças. Eu mesmo posso dizer que me identifico com esses condições. No entanto, meus pais me deram um grande apoio e incentivo, pois eram intelectuais. Mas tiveram o cuidado de não fazer de mim um objeto de exibição e nem de me exigir um desempenho escolar brilhante, o que sempre tive, mas sem pressões. Eu adorava meu pai e minha mãe. Eram meus modelos de pessoas e ainda vou escrever uma mini-biografia deles neste blog. Meus filhos também exibiam sinais de superdotação e tive o cuidado de apoiá-los sem transformá-los em vedetes e nem exigir desempenho excepcional para ser exibido como troféu. Isto é coisa que vejo em pais de alunos superdotados do meu colégio e é difícil conversar com eles para não agirem assim. Cultivar a modéstia sendo muito inteligente é difícil, mas necessário. Muitas vezes tive que me fazer de burro para não ser objeto de represália por parte de colegas. Corrigir os professores foi algo que logo aprendi a não fazer, mesmo vendo que falavam besteira. Tenho muita vontade de interagir com aquela professora de Lavras de quem você falou para fazer algo semelhante em Viçosa. O problema é que muitos pedagogos, especialmente de esquerda ( o que também sou) acham que é luxo burguês cuidar de superdotados ao invés de se preocupar com quem tem dificuldade de aprendizado. Eles não sabem, por exemplo, que, na Índia, existe uma associação de ótimos alunos que trabalham para que os que não são bons se tornem bons, ajudando-os no aprendizado. Já fui convidado a participar dela, mas o problema é que é tudo em inglês e não temos a fluência em inglês como algo corriqueiro no Brasil, nem entre os superdotados.

  3. Inês Sagula Fossa disse:

    A Dra. Zenita Cunha Guenther, irá adorar. Ela não fala mas tb é superdotada, apesar de não gostar desta palavra, prefere dotação e talento. Seu trabalho tb é voltado para cças com carência econômica e social. Porque, diz sempre que o Brasil desperdiça este potencial humano. No CEDET de Lavras . Vou passar o e-mail dela, e vc entra em contato. zequen@def.ufla.br

    Pode citar o meu nome Maria Inês, faço especialização com ela em São José dos Campos, SP.

    Vou apresentar em setembro, as minhas (e da Carina),pesquisas nesta área, no CONADI – Congresso de Inclusão, aqui em São José dos Campos.

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