Esoterismo quântico

by @ 0:36 on 3 junho 2010. Filed under Esoterismo, Física Quântica

Eu tenho muitas e sérias reservas em identificar a Física Quântica com temas ditos esotéricos, em que pese a adesão de um David Bohm ou um Roger Penrose. Quanto a Fritjof Capra, Amit Goswami, Deepak Chopra e outros que tais, eu nem levo em consideração. Já li alguns de seus livros, que considero pura enganação. Prefiro Osho ou o Dalai Lama. Ainda não fui convencido a abandonar o fisicalismo ateu (antigamente denominado materialismo). O vácuo quântico (que não é vazio) é um sistema físico que não tem nada a ver com consciência. Esta é o resultado do funcionamento hipercomplexo de um organismo, não só humano, em especial do cérebro, mas não apenas. Se houver mesmo uma expansão da consciência além do organismo individual, só acredito se isto for aferido de uma forma controlada, com todos os cuidados que só um sadio ceticismo pode aplicar. Vou procurar o que o Dellaporta disse, pois sempre quero saber todos os lados de uma questão. Para isto, inclusive, já lí até Allan Kardec, que também não me convenceu.

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5 Responses to “Esoterismo quântico”

  1. Andréa Silva disse:

    Se leu Kardek deve perceber que ele não fecha a questão. Inclusive o que mais gosto nele são as perguntas, nem tanto as respostas. Acredito ser a vida um processo que se teve começo em algum lugar ou existiu desde sempre, nunca saberemos. Segue um trecho da Gênese, Cap.9, 29:
    “Mas quem ousa permitir-se interpretar as Escrituras Sagradas? Que tem esse direito? Quem possui as luzes necessárias, senão os teólogos?”
    A que a resposta é bem direta e até mesmo ríspida:
    “Quem ousa? A ciência, primeiro, que não pede permissão a ninguém para dar a conhecer as leis da Natureza, e salta, de pés juntos sobre os erros e os preconceitos. Quem tem esse direito? Neste século de emancipação intelectual e de liberdade de consciência, o direito de exame pertence a todo mundo, e as Escrituras não são mais a santa arca na qual ninguém ousa tocar os dedos sem o risco de ser fulminado… Os homens não puderam explicar as Escrituras senão com a ajuda daquilo que sabiam, das noções, falsas ou incompletas, que tinham quanto às leis da Natureza, mais tarde reveladas pela ciência; eis porque os teólogos puderam, de boa fé,se enganar sobre o sentido de certas palavras e de certos fatos do Evangelho. Querendo, a todo preço, nele encontrarem a confirmação de um pensamento preconcebido, volteavam sempre no mesmo círculo, sem deixarem seu ponto de vista, de tal sorte que não viam senão aquilo que queriam ver. Por sábios que fossem, não podiam compreender as causas dependentes de leis que não conheciam.”
    Acho que de fato você não leu Kardek e se leu, não percebeu que ele tenta mostrar que o nosso paradigma materialista está viciado.
    Desculpe amigo, mas o seu afã é só refutar tudo o que vá além do materialismo. Talvez o que esteja além seja apenas algo imensurável para nossos sentidos e aparelhos físicos.
    Tenho estudado bastante também mas respeito o processo de pensar de cada um e tento tirar o melhor de cada um e não tenho a mínima preocupação em refutá-lo, assim como não o estou refutando. Apenas tento mostrar o quão limitada é a visão de todos nós. Inclusive a minha e a sua. Mas que você não leu Kardek, não leu, ou leu cheio de preconceito. E isso percebe-se quando você fala que leu até Kardek. Passa pela sua cabeça que ele usou de um artifício muito bom para falar tudo o que queria e pensava sem ter que se comprometer tanto. Hoje em dia isso não seria mais necessário. Existem pessoas que têm o pensamento verdadeiramente livre. Já se matou tanto em nome da fé. Talvez aí esteja esse empenho tão grande em acabar com ela.
    De fato temos que ter a fé em nós mesmos e seguir o caminho que nossa consciência consegue tatear. Devemos desconfiar de nossas certezas caro amigo. Não faça como Einstein que depois de ter descobertos algumas leis se pretendeu revalador da teoria de tudo e se isolou da comunidade científica.

  2. Ernesto disse:

    Caríssima Andréa,

    Certamente que qualquer um, em especial a ciência e a filosofia, pode e deve contestar as escrituras sagradas de qualquer religião, bem como os escritos de qualquer filósofo ou cientista. O argumento de autoridade não tem nenhum valor. O que importa não é “quem” disse isto ou aquilo, mas “o que” está sendo dito. Então isto deve ser analisado com critério e aceito ou rejeitado. Neste sentido, a concepção kardecista da existência de uma realidade espiritual carece de evidências fáticas comprobatórias. O materialismo (melhor denominado “fisicalismo”, pois a realidade natural não é só material, mas inclui também, radiação, campos, estruturas, espaço, tempo, dinâmicas e correlatos), sendo a concepção de que tudo seja puramente natural, com rejeição da existência de “espíritos”, é a concepção que encontra guarida na constatação dos fatos que se apresentam. Supor a existência de espíritos requer que isto seja comprovado por evidências e comprovações inequívocas e acessíveis a qualquer um em qualquer lugar. Dizer que é preciso alguma condição especial (mediunidade) para ser capaz de captar sua existência compromete a validação desta hipótese. Gostaria que me fosse apresentado a descrição de um experimento verificador da existência de espíritos que eu pudesse reproduzir sem a participação de médiuns e que pudesse me dar a prova cabal de sua existência. Porque, inclusive, eu gostaria muito que eu tivesse uma alma imortal e de que existisse um Deus, para punir o mal e recompensar o bem. Mas nada indica que tais coisas existam. Não parto do pressuposto de que não existam, pois já fui até católico fiel e praticante. Foram meus estudos, como Allan Kardec, que me levaram ao ateísmo. Pelo que percebo, suas assertivas não são científicas, mas filosóficas, isto é, o que ele diz é fruto de suas reflexões e não de experimentos controlados. Portanto são doxas, isto é, “opiniões”. Sou aberto a tudo, mas que passe pelo crivo da análise. Einstein realmente se encastelou em suas teorias e rejeitou o que discordava. Não é o meu caso. Mas, mesmo em ciência, vejo que há muita fantasia sem base, como a Teoria dos Multiversos ou a Teoria das Cordas. Muitos se apegam a tais fantasias para justificar suas concepções esotéricas, dizendo que confirmam sabedorias milenares do hinduísmo ou da kaballa. O fato de serem milenares não as recomenda, pelo contrário, as desrecomenda.

  3. jonas disse:

    Caro Ernesto!
    “A única permanência existente no Universo é a impermanência.(pré-socráticos)Então todo o saber humano não é definitivo,ou permanente.Quando falas da ciência como verdade peremptória e cabal,transporto-me para ver o desejo do homem em ter as respostas definitivas e conclusivas não pela curiosidade pertinente a ele(homem),mas ao temor do desconhecido.Falas com tanta convicção do fisicalismo ateísta,que és quase que intimado a dares os ônus da prova de tal afirmação.Digo isto baseado na fragilidade e finitude do construto humano(que não pode ver o fim desde o início)quanto as assertivas científicas,recheadas de pressuposições inconsistentes e faltas de justificação teórica.Há muita “cortina de fumaça” quanto ao verdadeiro assunto a ser debatido,que é a origem da informação,pois informação é originária de uma atividade consciente.O universo está recheado e pleno de informação,então como explicas esta infusão de informação incausada e aleatória???Como vês este é só a “ponta do iceberg” epistêmico que está a se desenovelar,portanto acho tuas conclusões precipitadas e dignas do afã adolecente de se excluir DEUS,para apazigar a conciência.A sua defesa acrítica do fisicalismo ateísta me deixa apreeensivo quanto as suas inferências,e me faz perguntar o que está atrás de tanta ojeriza quanto há um SER que criou o Universo?Será que suas “evidências” são tão evidentes para afirmares não há DEUS??Será que o Problema do Sofrimento e do MAL não compreendidos o fazem tomar essa atitude?O ÔNUS da existência ou não,é pertinente a nós dois indistintamente.Abraços

  4. Ernesto disse:

    O fato do Universo ser impermanente é circunstancial. No futuro, se ele atingir sua morte térmica, em que a entropia total será máxima e todos os subsistemas atingiriam seu nível mínimo de energia, será estabelecida a permanência, inclusive com a cessação da passagem do tempo.

    Jamais disse que a ciência ou a filosofia sejam donas peremptórias da verdade, mas sim de que elas são o único meio de se buscá-la de forma garantida. Os saberes vulgares e mitológicos podem ser pistas valiosas para o conhecimento, desde que filosófica ou cientificamente validados. Respostas definitivas nunca as teremos. O conhecimento científico e filosófico (episteme) é sempre provisório mas, a cada momento, é o que de melhor se pode ter. O medo do desconhecido, pelo menos pela porção cientificamente alfabetizada da humanidade, já foi superado. O que move a ciência, hoje, é, primeiramente, a curiosidade e, em segundo lugar, o desejo de controlar a natureza em benefício próprio do homem. O Universo não é cheio de informação, mas sim de dados. Só consciências fazem dos dados informação, como você bem o disse. Não é preciso haver uma consciência global e, mesmo, nenhuma consciência. Não as havendo, dado nenhum será convertido em informação. A consciência e a vida não são necessárias. Poderiam não ter surgido e, então, tudo o que existe no Universo continuaria do mesmo modo, sem que fosse transformado em informação nem sistematizado em conhecimento.

    Não é preciso explicar a aleatoriedade. Ela é o que ocorre se não há nenhuma outra explicação. É a hipótese nula, por “default”. Meu fisicalismo ateísta não é uma conclusão precipitada e nem um afã adolescente para excluir Deus, apaziguando a consciência. Pelo contrário, é fruto de maduras reflexões com base em extensos e profundos estudos que venho fazendo ao longo da vida. Em verdade gostaria muito de concluir que Deus existe e que ele, além de criador, seria provedor e juiz. Mas, cada vez mais, vejo que me frustro. Não tenho ojeriza nenhuma à idéia de Deus. Mas sua existência não é evidente e eu não tenho provas e nem vejo indícios de que ocorra. Pelo contrário, cada vez mais vejo indícios de que não existe, mesmo que não tenha provas disto.

  5. jonas disse:

    Caro Ernesto!
    “O Universo não é cheio de informação,e sim de dados…”
    Tenho a impressão que tocastes num ponto fundamental entre o fisicalismo puro e natural que nega qualquer “dedo” de inteligência no Universo,e a compreensão científica deste Universo baseada nas evidências de inteligência.Será que dados são iguais a informação?Para mim existe uma diferença entre dados e informação,pois o dado é uma sequência de simbolos,é um “ente” totalmente sintático,e não envolve semântica como a informação.Os dados podem ser representados com sons,imagens,textos,números,mas será, que o conceito “dado” está contido no conceito informação ou vice-versa,e será que são mutuamente exclusivos?No meu entender existe muita informação no Universo sim,a começar pelo DNA que possui instruções para realizar operações biológicas,assim como o Software tem instruções para realizar operações computacionais.Até a comunicação está relacionada com a informação,tendo como exemplo uma sociedade de insetos sociais,onde as abelhas em busca de alimento tem rituais de voarem em circulos ou dançarem para indicarem onde ele se encontra.Aliás no meu entender a comunicação chega a ser tão complexa quanto a entender a informação.Só conceituando a análise sintática:”Ela tem seu grupo restrito a relação dos sinais entre si,sem se preocupar com o significado.”Na informação complexa e especificada que existe na célula,significado é essencial,pois mutações randômicas degradam esta “linguagem” complexa e especificada(informação).Pegue uma sentença e mude aleatóriamente as letras e verás o que acontece.As palavras são muito raras,e só ver quantas possibilidades de junção das letras existem em uma palavra de dez letras(10 na potência de 10)me corrija se eu estiver errado pois não sou da área.Imagine no DNA onde as instruções não são só a nível mais baixo( genes),mas a informação hierarquizada que é essencial para a formação dos planos corporais(morfogênese).Para me tornar mais claro,quero dizer que assim como na construção de um computador precisamos de primeiro instruções de montagem de um componente(informação de nível mais baixo) também precisamos de instruções superiores de montagem do computador(componente elétricos,circuíto elétrico…computador)e da mesma forma assim ocorre nas formas de vida,tornando a informação aleatória e randômica pífia diante da magnitude da complexidade especificada(informação) presente nas células.Para mim este é um assunto de total relevância,pois é dele que procedem as fontes da vida.(informação).Abraços!

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