Anarco-comunismo

by @ 18:11 on 27 junho 2010. Filed under Anarquismo

Minha concepção de comunismo é democrática e libertária. Nâo é o comunismo de estado, imposto, mas um comunismo abraçado pela própria sociedade, que prefiro chamar de comunitarismo, que não exclui o capital e a propriedade, mas os fragmenta e distribui. Até que o dinheiro e a propriedade venham a ser abolidos por absoluta falta de necessidade, mais ou menos como o plano real acabou com a inflação. Esta é uma tendência natural da humanidade e será alcançada em poucos milênios, de forma espontânea. Minha concepção comunista é anarquista, mas sou pacifista, isto é, não prego nenhuma revolução para chegar lá. Acredito que isto será obtido ao longo do tempo (vários séculos ou até milênios) por meio da educação. Além disso, considero que o caminho para o anarquismo não é o socialismo nem o comunismo de estado, mas sim o capitalismo liberal cada vez mais pulverizado e o comunitarismo, que envolve ações políticas de iniciativa das comunidades, sem intervenção do poder formal, na forma de mutirões, por exemplo. Isto é, não acabar com os patrões, mas transformar todo trabalhador em patrão. O cooperativismo também é uma linha para o anarquismo. Deve-se cada vez mais trabalhar de graça pela comunidade até que o dinheiro se faça desnecessário.

Isto é um projeto para longo prazo, da ordem de vários séculos. O ser humano não é bom nem mal por natureza, mas é capaz de ambas as posturas. É a educação que o fará optar por uma ou outra. Esforços continuados por séculos a fio levarão à abolição da preguiça e da cobiça, condições para o estabelecimento do anarquismo. O poder tem que ser gradativamente diluído até não precisar de existir. Ações desvinculadas do dinheiro levarão a que ele seja abolido por falta de necessidade. O crime deixará de existir por ausência de motivo, já que nada é de ninguém e tudo é de todos (inclusive mulheres e maridos). A competição será trocada pela colaboração que é muito mais produtiva em termos de prosperidade global. O individualismo trocado pelo coletivismo. Isto é possível sim, mas precisamos começar agora, sem revoluções nem traumas. O segredo está na educação, educação para a solidariedade, para o altruísmo, para a diligência, para a honestidade, para o justiça, para a tolerância, para a compreensão, para a colaboração, para a verdade, para o bem, para a generosidade, para a coragem, enfim… para a virtude, sem esquecer a fortaleza e a bravura no combate ao mal. Não por recompensa nenhuma, sequer a salvação eterna, mas porque isto é o que é certo a fim de se ter uma sociedade justa, harmônica, igual e fraterna para que todos sejam prósperos e felizes.

O anarquismo é o verdadeiro pós-modernismo. A modernidade se caracteriza, social, cultural e economicamente, pela democracia, o libertarismo, o mercado livre, o livre-pensamento, o individualismo, a globalização. Mas ainda existem nações, propriedade, dinheiro, religiões, família. Em muitos países há governos tirânicos. As liberdades fundamentais, os direitos humanos e a igualdade de gêneros, raças, credos e outras ainda não é obedecida no mundo todo. Nos dias atuais, na sociedade ocidental e na classe média, vivenciamos uma exacerbação da modernidade, que poderia se chamar hiper-modernidade, com um crescimento da licenciosidade. Mas nada disso é pós-modernismo. O anarquismo é que é o pós-modernismo, pois é uma ruptura total com os paradigmas estabelecidos para a sociedade. Trata-se de um comunitarismo individualista, sem fronteiras, propriedade, dinheiro, governo, religião e família, mas com muita responsabilidade, solidariedade, diligência, altruísmo. Chegaremos lá, em poucos séculos.

O problema de se querer rapidez na libertação do controle capitalista é que isto levará, fatalmente, a choques, conflitos e revoluções que, normalmente, apenas substituem a tirania do capital pela tirania dos novos detentores do poder, que vencerem. Nada disso é anarquismo. No anarquismo não há poder de ninguém, nem do capital, nem da aristocracia, nem do partido comunista. Alienação se combate com educação. Este é o segredo. Que todos os que desejem um mundo melhor se dediquem a educar a juventude para se libertar do consumismo, da cobiça, da preguiça, da ganância, da competição e se tornar solidária, cooperativa, generosa, altruísta.

De qualquer modo, se nada disso der certo, o capital sucumbirá por asfixia da massa de trabalhadores, pois ele só existe se houver trabalhador e consumidor. Se se exacerbar o lucro dos mais ricos, quem irá consumir? Para haver consumo há que ter distribuição de renda, e isto levará à melhoria do nível educacional, ao questionamento e a ações positivas no sentido da pulverização do capital, até que ele não seja mais necessário. Os detentores do capital não podem destruir as massas. A tendência natural é a diminuição da diferença entre ricos e pobres, como ocorre nos paises bem desenvolvidos, como os escandinavos. O anarquismo é inevitável, mas vai demorar até que, por exemplo, o Haití seja tão desenvolvido quanto a Holanda, ou que todos na Índia sejam ricos. A população não aumentará indefinidamente. Acredito que pare em menos de 14 bilhões lá pelo ano 2300, se considerarmos uma curva logística, senão o resto morrerá de fome. Enquanto isto fatalmente haverá distribuição de renda, ou então haverá redução da população pela fome. A produção de bens também terá um crescimento logístico, com um ponto de saturação talvez em 2500, segundo posso aferir por uma projeção de dados a sentimento. Isto se forem mantidas as atuais condições da dinâmica populacional e econômica. Enquanto isso há que se promover a distribuição pelo modelo do capitalismo pulverizado, em que todos os empregados se tornem patrões. Penso que até o ano 2700 o anarquismo estará disseminado. Há que se promover, paralelamente, o crescimento da tolerância religiosa atá a abolição das religiões como instituições, ficando a fé como assunto individual, pois as religiões são grande fonte de discórdia e conflitos. NO mais: educação…educação…educação.

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6 Responses to “Anarco-comunismo”

  1. Eduardo NACC disse:

    Ernesto, muito interessante sua publicação. Concordo com você em vários aspectos, como, por exemplo, quando você menciona que o comunismo não pode ser implantado através de imposição ditatorial, ou quando cita a abolição do dinheiro de maneira natural. Entretanto, acredito que possamos partir do capitalismo liberal, muito menos que seja uma tendência da humanidade chegarmos a uma convivência equilibrada e pacífica. Veja bem, a economia atual destaca e alimenta cada vez mais a ganância e o individualismo competitivo do homem. Infelizmente estamos afundando em uma pseudo-democracia que nos cega, a que chamo ditadura do dinheiro. Abraço!

  2. Eduardo NACC disse:

    Errata: Acredito que NÃO possamos partir do capitalismo liberal.

  3. Ernesto disse:

    Isto é um projeto para longo prazo, da ordem de vários séculos. O ser humano não é bom nem mal por natureza, mas é capaz de ambas as posturas. É a educação que o fará optar por uma ou outra. Esforços continuados por séculos a fio levarão à abolição da preguiça e da cobiça, condições para o estabelecimento do anarquismo. O poder tem que ser gradativamente diluído até não precisar de existir. Ações desvinculadas do dinheiro levarão a que ele seja abolido por falta de necessidade. O crime deixará de existir por ausência de motivo, já que nada é de ninguém e tudo é de todos (inclusive mulheres e maridos). A competição será trocada pela colaboração que é muito mais produtiva em termos de prosperidade global. O individualismo trocado pelo coletivismo. Isto é possível sim, mas precisamos começar agora, sem revoluções nem traumas. O segredo está na educação, educação para a solidariedade, para o altruísmo, para a diligência, para a honestidade, para o justiça, para a tolerância, para a compreensão, para a colaboração, para a verdade, para o bem, para a generosidade, para a coragem, enfim… para a virtude, sem esquecer a fortaleza e a bravura no combate ao mal. Não por recompensa nenhuma, sequer a salvação eterna, mas porque isto é o que é certo a fim de se ter uma sociedade justa, harmônica, igual e fraterna para que todos sejam prósperos e felizes.

  4. Eduardo NACC disse:

    Ernesto, seu ponto de vista é bastante otimista em relação ao meu. Novamente concordo com diversas de suas colocações, entretanto, para construirmos a sociedade justa e harmônica que tanto desejamos, precisamos romper com maior rapidez as cordas controladas pelas mãos do capitalismo que nos transforma em fantoches alienados. Todas essas condições necessárias ao surgimento da humanidade virtuosa, como a educação por exemplo, muito bem citada por você mas defasada a cada dia, jamais serão promovidas através do sistema atual, que nos submete apenas as que lhe é de interesse. Ernesto, não estaríamos caminhando em direção à auto destruição com maior eficácia do que a do bem comum? Quantos séculos iremos resistir? Será o suficiente? Abraço!

  5. Ernesto disse:

    O anarquismo é o verdadeiro pós-modernismo. A modernidade se caracteriza, social, cultural e econômicamente, pela democracia, o libertarismo, o mercado livre, o livre-pensamento, o individualismo, a globalização. Mas ainda existem nações, propriedade, dinheiro, religiões, família. Em muitos países há governos tirânicos. As liberdades fundamentais, os direitos humanos e a igualdade de gêneros, raças, credos e outras ainda não é obedecida no mundo todo. Nos dias atuais, na sociedade ocidental e na classe média, vivenciamos uma exacerbação da modernidade, que poderia se chamar hiper-modernidade, com um crescimento da licenciosidade. Mas nada disso é pós-modernismo. O anarquismo é que é o pós-modernismo, pois é uma ruptura total com os paradigmas estabelecidos para a sociedade. Trata-se de um comunitarismo individualista, sem fronteiras, propriedade, dinheiro, governo, religião e família, mas com muita responsabilidade, solidariedade, diligência, altruísmo. Chegaremos lá, em poucos séculos.
    O problema de se querer rapidez na libertação do controle capitalista é que isto levará, fatalmente, a choques, conflitos e revoluções que, normalmente, apenas substituem a tirania do capital pela tirania dos novos detentores do poder, que vencerem. Nada disso é anarquismo. No anarquismo não há poder de ninguém, nem do capital, nem da aristocracia, nem do partido comunista. Alienação se combate com educação. Este é o segredo. Que todos os que desejem um mundo melhor se dediquem a educar a juventude para se libertar do consumismo, da cobiça, da preguiça, da ganância, da competição e se tornar solidária, cooperativa, generosa, altruísta.
    De qualquer modo, se nada disso der certo, o capital sucumbirá por asfixia da massa de trabalhadores, pois ele só existe se houver trabalhador e consumidor. Se se exacerbar o lucro dos mais ricos, quem irá consumir? Para haver consumo há que ter distribuição de renda, e isto levará à melhoria do nível educacional, ao questionamento e a ações positivas no sentido da pulverização do capital, até que ele não seja mais necessário. Os detentores do capital não podem destruir as massas. A tendência natural é a diminuição da diferença entre ricos e pobres, como ocorre nos paises bem desenvolvidos, como os escandinavos. O anarquismo é inevitável, mas vai demorar até que, por exemplo, o Haití seja tão desenvolvido quanto a Holanda, ou que todos na Índia sejam ricos. A população não aumentará indefinidamente. Acredito que pare em menos de 14 bilhões lá pelo ano 2300, se considerarmos uma curva logística, senão o resto morrerá de fome. Enquanto isto fatalmente haverá distribuição de renda, ou então haverá redução da população pela fome. A produção de bens também terá um crescimento logístico, com um ponto de saturação talvez em 2500, segundo posso aferir por uma projeção de dados a sentimento. Isto se forem mantidas as atuais condições da dinâmica populacional e econômica. Enquanto isso há que se promover a distribuição pelo modelo do capitalismo pulverizado, em que todos os empregados se tornem patrões. Penso que até o ano 2700 o anarquismo estará disseminado. Há que se promover, paralelamente, o crescimento da tolerância religiosa atá a abolição das religiões como instituições, ficando a fé como assunto individual, pois as religiões são grande fonte de discórdia e conflitos. NO mais: educação…educação…educação.

  6. Eduardo NACC disse:

    Ernesto, a massa trabalhadora recebe de seu empregador apenas o suficiente para fazer girar a economia capitalista, e se analisarmos, é o que acontece.
    Pois esse é um dos principais pilares que sustentam o modelo econômico atual, juntamente com a separação da classe operária dos meios de produção e a mais-valia.
    São 3 fatores que, dia após dia, fortalecidos e impulsionados entre sí, proporcionam o acúmulo de riquezas.
    Tanto é verdade que, atualmente, podemos ver mais poder nas mãos de menos pessoas, através da compra/venda/fusão de empresas e o surgimento de grupos gigantescos. Portanto, o que ocorre claramente diante de nossos olhos, é a acentuação da desigualdade de renda.
    O caso de haver países mais desenvolvidos que outros, como você citou, já é um indício desse desequilíbrio, uma vez que a evolução de um ocorre em detrimento do outro, através da exploração de relações mercadológicas, tecnológicas, etc. E isso é histórico. A colonização ainda existe, numa abstração informal. Os exemplos não são poucos, temos aí o continente Africano de modo geral
    Expostos os fatos acima, não consigo ser visionário e afirmar categoricamente da existência de uma tendência em prol da equivalência e nivelação da humanidade, mas a obviedade de auto-destruição e insustentabilidade do sistema capitalista, que em minha concepção acompanhará a extinção de recursos naturais essenciais à vida (não como o petróleo, mas como a água potável e o ar, por exemplo).
    Ernesto, respeito sua opnião ateísta, mas não estaríamos indo de encontro a uma espécie de “Apocalipse”?
    Abraço!

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