Não existe mundo sem espaço.

by @ 21:54 on 14 dezembro 2010. Filed under Cosmologia

Tudo o que existe como entidade substancial da natureza, isto é, matéria, campo e radiação, possui extensão, isto é, preenche algum espaço. O espaço é algo engendrado por seu conteúdo. Não existindo conteúdo, não há espaço e reciprocamente, existindo conteúdo, há espaço. O que não existe é espaço vazio. Quanto ao que disse o Bruno, não há confirmação da realidade desse tipo de experiência, de modo que o “outro lado” não é algo que se possa dizer que existe. Logo, afirmações a respeito de espíritos ou coisas assemelhadas não podem confirmar a possibilidade ou não da existência de espaço. Aliás, este é um dos problemas na concepção dos espíritos. Eles têm volume? Têm localização? Quais os seus atributos?
Limitemo-nos à realidade física do Universo. Nesta, não é possível a existência de qualquer conteúdo sem que se estenda por algum espaço. E todo o espaço existente é preenchido por algum conteúdo. Se não houver matéria, como é o caso do vácuo, há radiação e campos. O que não existe é espaço vazio.

Energia não é uma entidade constituinte do Universo, mas um atributo delas. Não existe “energia pura”. Ela sempre é uma propriedade dos sistemas compostos pelas entidades constitutivas do Universo. Estas são os campos, a matéria e a radiação, que podem possuir energia. A grandeza também denominada “energia”, associada ao atributo “energia”, inclusive, é relativa e de calibre, isto é, seu valor depende do referencial e da escolha posicional do zero. Assim energia não ocupa espaço, do mesmo modo que cor, peso, formato, velocidade, aceleração. Mas os sistemas que possuam energia ocupam espaço, portanto, pode-se dizer que a energia se distribui pelo espaço, nos campos, na matéria e na radiação que nele existem. Mesmo no vácuo pode haver sistemas que possuam energia, como campos e radiação. Se não se tiver matéria nem campo nem radiação, mas houver o espaço, isto é, a capacidade de conter algo, mesmo não contendo, teríamos o vazio. Só que não existe lugar vazio nenhum no Universo. Todo o Universo é preenchido pela radiação de fundo e, pelo menos, pelo campo gravitacional do conjunto dele todo. Qualquer partícula colocada em qualquer lugar do Universo estará sob o efeito de algum campo gravitacional, por menos intenso que seja. Sem contar outros campos, como o recém proposto “Campo da Quintessência” que seria responsável pela aceleração da expansão do Universo. Fora do Universo então é que não existe vazio, pois nem existe espaço. Tudo o que existe pertence ao Universo. Nada há fora dele, nem espaço vazio. Realmente, se o Universo for finito (fechado) não existe nada além dele. Mas ele não tem uma parede. Se se avançar sempre para frente, voltar-se-ia ao ponto de partida, vindo por trás. Mas parece que o Universo é aberto e infinito, o que significa que o espaço se extende indefinidamente. Em qualquer dos dois casos não existe “lado de fora” do Universo.

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2 Responses to “Não existe mundo sem espaço.”

  1. Luciana disse:

    E os buracos negros? Marcelo Gleiser diz que: “No buraco negro, nossas noções de espaço e tempo não fazem sentido; nada escapa dele, nem a luz” em: http://marcelogleiser.blogspot.com/2010/12/os-enigmaticos-buracos-negros.html

  2. Ernesto disse:

    Não é bem assim. No interior de um buraco negro, considerado como o interior do “horizonte de eventos” que é de onde nada escapa, as coordenadas que representam o tempo e o espaço invertem seu significado. Mas continua a haver espaço e tempo, com um sentido diferente do usual. Quanto à inescapabilidade, isto não implica na inexistência de tempo e de espaço. Além do mais, mesmo nesse interior, existem o campo gravitacional, representado pela curvatura do espaço-tempo e campos elétricos e magnéticos, se o caroço possuir carga e rotação. Estas características, ou seja a massa, a carga e o spin, manifestam-se fora do buraco negro. Quanto ao caroço, apesar da Relatividade Geral prever que seja uma singularidade sem volume, de fato, considerações quânticas impedem que o volume seja nulo. De fato, pode-se considerar que o caroço do buraco negro seja uma única partícula elementar com massa, carga e spin iguais aos valores da estrela inteira que nele colapsou.

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