O Ovo de Páscoa

by @ 1:11 on 8 abril 2012. Filed under Pessoal

A prática de presentear ovos decorados por ocasião da Páscoa remonta a tempos anteriores ao cristianismo. Na antiga Pérsia, isto se dava na comemoração do Ano-novo, que ocorria no Equinócio de Primavera. Entre os hebreus, eles também faziam parte do “Seder de Pesach”, o jantar comemorativo da passagem (páscoa) do anjo que matou os primogênitos do Egito, exceto daquelas casas que foram marcadas pelo sangue do cordeiro imolado. O ovo simboliza a nova vida. Na cristandade, há uma tradição, da igreja ortodoxa, que conta que Maria Madalena ofereceu um ovo pintado de vermelho ao imperador romano, para simbolizar a ressurreição do Cristo (o vermelho era o sangue, a casca o sepulcro e a vida que brota do ovo a ressurreição). Na quaresma oriental, carne, ovo e leite eram proibidos, e a oferta de um ovo simbolizava o fim das privações. A associação com o coelho remonta ao antigo Egito, como símbolo da fertilidade.

É natural comemorar o início de um novo ano na primavera (na zona temperada norte, onde floresceram as civilizações originais), pois é a época em que a vida ressurge, sepultada que ficou na neve invernal. Aproveitando esta época comemorativa, que transcende à cristandade (mesmo em nossos trópicos meridionais), quero levar a todos minha mensagem de fé na vida, de confiança em que, apesar de tudo, a vida se agarra à sua própria preservação e sempre ressurge renovada. Que nos rejubilemos por sermos parte desse fluxo que vem desde as primevas origens, a bilhões de anos, e por nós passa, quem sabe ainda, indo a bilhões de anos no futuro, quando algum ser, de alguma espécie, em algum lugar do Universo, possuirá uma sequência genética que se propagou através da nossa pessoa. Já imaginaram a maravilha que é isto? O infinito privilégio de, por acaso, sermos habitantes deste planeta que, talvez, possa ser o único do Universo a ostentar vida. Mas nossa singularidade é ainda maior. É possível que a vida exista em muitos outros lugares, mas a maior probabilidade é de que seja simplesmente procariótica (bactérias). O ser eucariótico e metazoário (em especial o vegetal e o animal) é algo tão especial que o fato de sermos um deles é, praticamente, uma impossibilidade. Mas estamos aqui. Mais ainda: somos suficientemente evoluídos para possuirmos inteligência em grau elevado e uma consciência. Que responsabilidade! Pelo que se tem notícia, somos a única ocorrência atual de tal tipo de coisa. Temos a capacidade de moldarmos nossa rota evolutiva, nossa condição neste planeta e, mesmo, fora dele. Não seguimos inconscientemente os ditames cegos da natureza, sem intervir. Adquirimos a capacidade racional de julgarmos o que é bom ou ruim e prevermos nosso futuro. E por ele sermos responsáveis.

Quero deixar aqui, nesta Páscoa, meu clamor para que tomemos consciência disto e permitamos que a vida ainda possa florescer por milhões de milhões de gerações, enquanto as condições do Universo o permitirem e, nesta jornada, façamos que ela seja boa e aprazível para todos os seres viventes, em harmonia com a natureza e, especialmente, dentro de nossa própria espécie, enquanto ela existir, e nas que serão nossas herdeiras. Que nos consideremos irmãos nesta única família, que é a humanidade e neste lar, que é o nosso planeta. Podemos fazer isto, basta que queiramos e não cedamos à inércia, e à covardia. E que, assim o fazendo, nos alegremos por nossa decisão, esta sim, comprometida com a ressurreição e a permanência da vida.

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