Considerações Gaméticas

by @ 0:28 on 24 setembro 2012. Filed under Comportamento, Sexualidade

Gamética vem do grego “gámos”, que significa “casamento”, e é o estudo das relações entre as pessoas no que tenha a ver com a reprodução.

Existem dois tipos de gamética, a social e a sexual. Denominamos “gamia” ao modo como se estabelecem essas relações, num dado momento ou sequencialmente.

A Gamética Social é o modo com que pessoas se relacionam conjugalmente do ponto de vista social, isto é, como se formam as parcerias matrimoniais, sejam formais ou não. Note-se que essas parcerias não implicam em co-habitação e nem em formação necessária de uma família. Assim temos, essencialmente, dois tipos de gamia social, a monogamia e a poligamia, que pode ser subdividida em poliginia e poliandria.

A monogamia social significa que cada pessoa só tem, a cada momento, um cônjuge, ou seja, um companheiro conjugal, do mesmo ou do sexo oposto, para efeito de apresentação social. Isso não implica em exclusividade sexual. A monogamia social pode admitir relacionamentos sexuais exteriores ao socialmente estabelecido, mas eles não são socialmente aceitos como válidos e normais, sejam objetos de uma traição ou sejam consentidos pelo outro cônjuge.

A poligamia social significa que cada pessoa pode ter, a cada momento, mais de um cônjuge, do mesmo ou do sexo oposto, de modo socialmente estabelecido e aceito, inclusive com implicações legais. A poligamia é dita poliginia, quando um homem tem mais de uma mulher e poliandria quando uma mulher tem mais de um marido. Note-se que, além dos cônjuges estabelecidos, não se está excluindo a existência de relacionamentos fora do combinado, sejam por traição ou consentimento.

Pode-se, ainda, entender a monogamia e a poligamia sob o prisma sequencial e não simultâneo. Assim a monogamia social sequencial significa que, ao longo da vida, uma pessoa só possa ter um cônjuge, podendo ter outro só com a morte do anterior. A poligamia sequencial é a consideração de que, mesmo que se seja monogâmico a cada momento, possa-se mudar de cônjuge pela dissolução do relacionamento conjugal, mesmo sem a morte de um deles.

A monogamia sexual significa que, de fato, cada pessoa possui apenas um parceiro sexual, excluindo a não exclusividade sexual, mesmo fora do estabelecido socialmente.

A poligamia sexual é a consideração de que uma pessoa tenha relacionamento sexual com mais de uma outra, mesmo que, socialmente, seja monogâmica.

O que acontece na sociedade ocidental, dita “cristã” é a monogamia social e a poligamia sexual, certamente não com todos. Tal comportamento é totalmente hipócrita, no sentido que estabelece uma moral “de fachada” e outra “de fato”, pela tolerância a tal tipo de coisa.

É preciso entender que a poligamia social não contraria nenhuma prescrição ética. Não causa prejuízo, dano, dor ou sofrimento a ninguém, se todos os envolvidos estiverem de acordo. Não tem problema nenhum em ser estabelecida como uma possibilidade para todos e não seria nada que não se desejasse para si mesmo, como possibilidade e não prescrição. Pelo contrário, seria motivo de felicidade para muitas pessoas, além de possibilitar o fim do comportamento hipócrita, estabelecendo socialmente como válida a poligamia sexual que acontece às escondidas. Portanto não há impedimento para que a moral seja mudada e passe a considerar a poligamia como algo inteiramente aceitável.

Além do mais, atende a uma realidade emocional do ser humano, que é a sua capacidade de amar a mais de uma outra pessoa simultaneamente. Refiro-me ao amor “eros” e não ao “agape” ou ao “philia”. O fato de não se admitir essa possibilidade e obrigar as pessoas a uma escolha, com a rejeição de um amor em favor de outro, normalmente é motivo de grande sofrimento.

Denomina-se “poliamor” à possibilidade de se aceitar a existência de uma relação amorosa com mais de uma outra pessoa simultaneamente, mesmo que essa relação não se corporifique em um compromisso conjugal, legalizado ou não. Em suma, que um homem ou uma mulher possam ter mais de uma namorada ou namorado, com o conhecimento e a aquiescência de todos os envolvidos. Não necessariamente que se tenha relacionamento sexual simultâneo com todos, mas que se admita que haja a relação afetiva e sexual de um com mais de um. Ou de mais de um com mais de um.

Note-se que isso não significa, em absoluto, devassidão, licenciosidade, falta de respeito, deslealdade, indecência e nada disso. Trata-se de uma atitude normal, leal, sincera, respeitosa. E de um sentimento intenso, profundo, completo, generoso e terno, além de sensual.

Esse é um comportamento que poderia, sem problema nenhum, ser perfeitamente aceito em sociedade. Não aceitá-lo é um preconceito da mesma ordem que o que existe em relação às relações homossexuais e aos relacionamentos sexuais pré-conjugais.

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One Response to “Considerações Gaméticas”

  1. Ernesto disse:

    Quero comentar que muitas pessoas não admitem a pluralidade amorosa e conjugal por razões econômicas, ou seja, para que seu parceiro não compartilhe seus rendimentos com outra pessoa que não ela, bem como para que não deixe herança para filhos de outras relações que não a sua. Isso é algo inteiramente abjeto. Numa sociedade decente, todo ser humano adulto tem que prover-se a si mesmo e jamais depender de relacionamentos conjugais para sua sobrevivência.

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