Ensino de Ciências

by @ 17:51 on 29 novembro 2012. Filed under Ciências, Educação

Um grave problema que tenho detectado é o do ensino de ciências no nível médio da educação básica. O problema é que se tem preocupado exclusivamente com a competência em resolver questões de vestibulares e do ENEM e não em se ter um verdadeiro conhecimento científico e, principalmente, em se desenvolver habilidades de cientista e uma postura científica de abordagem da realidade. Isso é que é o mais importante. Vestibular e ENEM são só episódios. A vida requer uma visão científica do mundo para que se compreenda nossa inserção nele. E isso vale para todos, não importa o que, profissionalmente, venham a ser. Advogados, negociantes, fazendeiros também precisam saber ciência e ter uma postura científica perante o mundo. Essa postura se ganha com um estudo de física, química, biologia, geologia, astronomia, cosmologia e, principalmente, matemática. Sem deixar de lado a parte humanística: filosofia, sociologia, psicologia, história, geografia, artes, literatura, música e idiomas. Mas um estudo que tem que ser conduzido de forma completamente diferente da que vem sendo feita. Os exames vestibulares se preocupam mais em avaliar aplicações e não em verificar o embasamento conceitual e a competência metodológica em construir ciência. Isso pode e tem que ser desenvolvido na Educação Básica. As aplicações também precisam ser vistas, mas como uma consequência e não como o objetivo primordial. Professores que se voltam mais para a parte conceitual são defenestrados pelas direções porque os alunos acham que eles estão desperdiçando tempo, ao invés de treinarem a solução de questões de vestibulares e do ENEM. Isso é ridículo. O que é preciso é entender e compreender para, só depois, aplicar. E, principalmente, saber construir o conhecimento e não só absorvê-lo. O aluno tem que ser instado a agir, orientadamente, como um cientista e, ele mesmo, descobrir as explicações. Isso também levará ao aprimoramento da sensibilidade, percepção,  intuição, inteligência e criatividade, objetivos muito maiores do que o acúmulo de conhecimentos. E, principalmente, desenvolve o espírito inquiridor, crítico e, até, contestador, que não aceita o que seja ensinado como um cordeiro mas é capaz de discutir e, se preciso, refutar os ensinamentos. O que vale não é dar o peixe, mas ensinar a pescar. Urge que se mude esse modo de encarar o ensino sob pena das novas gerações se encontrarem completamente desprovidas de pessoas capazes de mudar o mundo.

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