Considerações sobre o Conservadorismo

by @ 21:32 on 30 maio 2013. Filed under Economia, Política

O conservadorismo ou conservantismo é um termo usado para descrever posições político-filosóficas, alinhadas com o tradicionalismo e a transformação gradual, que em geral se contrapõem a mudanças abruptas (cuja expressão máxima é o conceito de revolução) de determinado marco econômico e político-institucional ou no sistema de crenças, usos e costumes de uma sociedade. Um dos seus maiores defensores modernos foi Russell Kirk, que o exprimiu em dez princípios.
Os dez princípios conservadores de Russell Kirk são o cúmulo da asnice. Vejamos:
1. O conservador acredita que existe uma ordem moral duradoura.
Não existe. A moral é relativa à época, ao local e ao estrato social. Ela evolui. E é bom que seja assim. Por exemplo, há pouco tempo homossexualidade era imoral, hoje não é. Melhorou. O que é perene e universal é a ética, mas a moral nem sempre é ética.
2. O conservador adere ao costume, à convenção, e à continuidade.
Isso só é bom quando o costume é um bom costume. Mas aderir ao costume porque é costume, mesmo que não seja bom é o cúmulo da burrice. Maus costumes têm é que ser abolidos mesmo. E o que é convencional também não é bom porque assim o é. Pode ser e pode não ser. Se não for, tem é que ser mudado mesmo. Contuinuidade? Porque? Não há razão plausível nenhuma para o continuísmo. Apenas para continuar o que está bom. Mas isso não é continuísmo.
3. Os conservadores acreditam no que pode ser chamado o princípio da prescrição.
Seguir o que está prescrito só porque assim esteja é outra asnice. Dizer que o que é bom é o que é antigo não procede. Pode até ser, em alguns casos, e nada deve ser rejeitado só por ser antigo. Mas também não deve ser prescrito por isso. Os antigos não eram melhores do que os atuais. Pelo contrário, hoje se tem muito mais conhecimento e sabedoria acumulada. Portanto é muito mais provável que as considerações mais recentes sejam melhores do que as mais antigas. Não se deve fazer algo porque está estabelecido assim, mas porque se vê que é bom e razoável. Aliás, Buddah já o dizia:
“Não acredite em algo simplesmente porque ouviu. Não acredite em algo simplesmente porque todos falam a respeito. Não acredite em algo simplesmente porque esta escrito em seus livros religiosos. Não acredite em algo só porque seus professores e mestres dizem que é verdade. Não acredite em tradições só porque foram passadas de geração em geração. Mas depois de muita análise e observação, se você vê que algo concorda com a razão, e que conduz ao bem e beneficio de todos, aceite-o e viva-o.”
4. Os conservadores são guiados por seu princípio da prudência.
Uma certa prudência é necessária, mas a prudência é um grande entrave para as mudanças. Arriscar é preciso se se quer consertar o mundo. E o mundo está muito errado, sendo esse erro o fruto de séculos de acomodação e de prudência. Não é verdade que a coletividade seja sábia necessariamente em tudo. Para checar isso temos a nossa inteligência. A prudência, contudo, não usa a inteligência. Usa a inércia. E o povo sofredor não suporta mais a inércia dos que detêm as condições de promover mudanças.
5. Os conservadores prestam atenção ao princípio da diversidade.
A desigualdade existe naturalmente. Todavia, elevá-la a um princípio social e considerar justa a sua existência é uma iniquidade. Esta é a principal diferença entre a direita e a esquerda: A direita considera as desigualdades justas. Ou seja: é justo que existam pobres e ricos. Todo e qualquer sistema político-econômico, para ser justo e promover a harmonia, a liberdade, a fraternidade e a prosperidade têm que ser igualitário em sua proposta. Isto é, garantir a todos as mesmas oportunidade de ser feliz.
6. Os conservadores se purificam por seu princípio da imperfeição.
Admitir a existência de imperfeições no homem e na sociedade é óbvio. Considerar que isso seja aceitável é péssimo. Se não se tiver em mente sempre um ideal de perfeição não se progride, não se tem um modelo de situação a ser conquistada. Tal princípio leva à perene mesmice, que é o fulcro do conservadorismo. Uma idiotice.
7. Os conservadores estão convencidos de que a liberdade e a propriedade são intimamente relacionadas.
De modo nenhum. Muito pelo contrário. A propriedade é uma prisão. Um mundo sem propriedade é muito mais livre. A propriedade provoca a cobiça e sua consequente guarda. Causa apreensão e perda de tempo em seu cuidado. Os despossuídos não têm nada a perder. Se a sociedade toda for assim, o crime não terá mais razão. Tudo é de todos e nada é de ninguém. O argumento de que sem propriedade não ha estímulo para o trabalho não procede. Sendo a propriedade comum, todos são estimulados a colaborar para a manutenção e o crescimento dos bens que todos compartilham. Quanto menos vinculados os bens forem a indivíduos ou grupos, maior é a liberdade, pois não há restrições para o uso de tudo por todos.
8. Os conservadores suportam ações comunitárias voluntárias, tanto quanto se opõem ao coletivismo involuntário.
Concordo que as ações comunitárias devam ser voluntárias e não impostas. Mas discordo que elas devam ser “suportadas”, mas sim buscadas. É a eduação que proverá o desejo de agir em prol do bem comum e não do individual. Certamente que as iniciativas têm que ser localizadas e não patrocinadas pelos governos. Todavia é preciso que a sociedade relegue ao ostracismo todos os que sejam refratários ao trabalho comunitário.
9. O conservador percebe a necessidade de prudentes restrições ao poder e às paixões humanas.
Concordo, mas não dentro do esquema de poder conservador. Claro que tiranias têm que ser impedidas. Mas o conservador abomina a anarquia e valoriza a existência do poder. No entanto, qualquer poder, mesmo controlado, não é melhor do que a sua diluição total pela sociedade, que é a anarquia. Na anarquia os empreendimentos sociais são feitos por colaboração e com uma gestão adrede constituída e limitada a sua execução. Certamente isso só se alcança ao fim de um longuíssimo processo educativo.
10. O pensador conservador compreende que essas permanências e mudanças devam ser reconhecidas e reconciliadas em uma sociedade vigorosa.
Nisso é que ele está completamente equivocado. Conservadores pretendem ser uma opção moderada entre libertários e revolucionários radicais. Mas o espectro político-econômico não se dá ao longo de uma linha. Ele é pluridimensional, havendo posições para todos os lados, bem como gradações ao longo de cada uma delas. Anarquismo, socialismo, comunismo, conservadorismo, liberalismo, capitalismo, tradicionalismo, gradualismo, coletivismo, objetivismo e outros “ismos”, não se distribuem linearmente. E, mesmo, cada um deles possui variantes, como o anarco-comunismo e o anarco-capitalismo. Todavia, posso dizer que o conservadorismo é uma posição totalmente equivocada e malsã. É prejudicial à sociedade como um todo, só beneficiando aqueles que já são detentores do poder, de propriedades e de dinheiro, que querem que tudo continue como está para que suas benesses não sejam perturbadas e para que o resto do povo possa continuar a serví-los.

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