A previsão das trajetórias de colisão de asteróides com a Terra, por exemplo, é um caso desses. A maior parte das pesquisas em mecânica celeste na atualidade se volta para problemas dessa espécie (ou de trajetórias de naves espaciais). Aí entra o estudo de sistemas dinâmicos e teoria do caos, que pertence ao estudo das equações diferenciais não lineares. É uma coisa muitíssimo interessante. Há uma grande poesia nisso tudo. A questão das intercessões das linhas de universo (trajetórias de vida no espaço e no tempo, isto é, a plotagem da sucessão de eventos vivenciados ao longo da vida em suas coordenadas espaciais e temporais) das pessoas (os encontros e desencontros) é outra coisa interessantíssima. A série de filmes “De volta para o futuro” explora bem este aspecto e o “Efeito Borboleta” (o que teria sido de minha vida se, em uma dada encruzilhada eu tivesse tomado uma decisão diferente da que ocorreu). Isto se aplica às mínimas decisões, aparentemente triviais, que têm consequências drásticas. Por exemplo, alguns minutos de atraso por alguma banalidade pode evitar que eu seja morto em um acidente. Ou permitir que eu encontre a pessoa que será minha companheira pelo resto da vida. Encontros e desencontros são fortuítos. Tudo poderia ser diferente do que é. Não há destino. É o acaso mesmo que permite essas ocorrências. Não digo que o acaso rege a vida, pois não há uma regência. A vida e a natureza são anárquicas. Não há governo, nada é determindado. Tudo pode acontecer… ou não.

