O QUE HÁ DE ERRADO COMIGO

by @ 18:36 on 17 junho 2012. Filed under Poesia

O que tão errado há comigo,
que ser não consigo amado,
nem mesmo estimado amigo,
por quem já sou, digo, gamado?

Será que não sou tão bonito
ou seja finito então
esse grande amor tão aflito,
que ao mundo eu grito em vão?

Talvez por eu ser tão amigo
de gente que eu digo escolher,
sem nem conhecer, é contigo,
do peito, o abrigo merecer.

Poderá ser porque eu não penso,
nem o bom senso eu mostro ter,
de só viver pelo consenso
e ser infenso a só ceder.

Eu sou um rebelde anarquista,
também ateísta e de molde,
que nada me tolde a vista,
nenhum que se avista me amolde.

Talvez por não ter, eu, poupança
e em muita gastança eu viver,
ou por eu dever, na cobrança
e nunca herança eu ir ter.

Será por eu ser generoso
e a todos, bondoso , atender,
pra não ver sofrer, desgostoso,
alguém que, doloso foi ter.

Ou por eu, quem sabe, achar,
que meu bem amar, bem lhe cabe,
a todo que acabe encontrar,
a quem vir gostar, ela sabe.

A exclusividade não peço,
nem a outro impeço, em verdade.
Com sinceridade eu despeço:
ciúme, não meço a metade.

É esse o modo meu de ser
quem sabe dizer, não o seu
que deixa, assim, eu a não ver
pro meu padecer, não só breu.

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