COMUNISMO

by @ 10:47 on 4 junho 2019. Filed under Economia

Geralmente se considera que comunismo seja um regime político em que se suprimem as liberdades, a propriedade privada, o pluripartidarismo, a democracia, o livre mercado, promovendo o planejamento central e a estatização de toda a economia, com os trabalhadores se tornando empregados de um único patrão: o estado. Tal sistema é algo malsão e tenebroso, promovendo a infelicidade geral. Se isso é que é comunismo, sou inteiramente contra. Todavia isso não é, verdadeiramente, comunismo. Isso é um capitalismo de estado autocrático e despótico. Comunismo, como diz o nome, é o sistema econômico, e não político, caracterizado pela detenção compartilhada (comum) dos meios de produção e de serviços, bem como dos resultados dessa produção e desses serviços, pelos próprios trabalhadores, sem interveniência do governo. Difere do capitalismo pelo fato de que, no capitalismo, somente uma parcela da população detém esses meios, sendo a grande massa de trabalhadores empregados assalariados. No verdadeiro comunismo não há empregados e nem salários. Os trabalhadores são todos sócios ou autônomos. E a gestão dos empreendimentos é feita democraticamente, por representantes dos próprios trabalhadores dentre os competentes para tal. Ninguém aufere renda exclusivamente do capital, sendo todos trabalhadores que, também, são detentores de capital. Ou seja, o capital é totalmente distribuído pela população. Note que o comunismo, como sistema puramente econômico, pode existir em uma sociedade politicamente democrática, autocrática ou acrática. Não é característica do comunismo ser autocrático nem ser acrático. Nessa acepção de comunismo eu sou inteiramente comunista. Outro aspecto do comunismo é que ele é um sistema econômico de esquerda, significando isso que considera que as desigualdades sociais sejam injustas, propiciando, pois, a todos as mesmas oportunidades, conjugadas com as mesmas responsabilidades gerais, podendo haver responsabilidades específicas para que exerça determinadas funções. Ou seja, no comunismo não há hierarquia social, não há classes sociais. O ideal é que a economia comunista ocorra em uma situação de completo desmonetarismo, ou seja, abolição total do dinheiro. Mas pode haver comunismo com a existência do dinheiro. A economia comunista não monetária é uma economia de doação, na qual todos trabalham e doam o resultado de seu trabalho, quer em produtos, quer em serviços, para a sociedade, recebendo, por outro lado, da sociedade, tudo de que precisam inteiramente de graça e, mesmo, o que desejem além do que precisem. Tal situação fica muito mais bem estabelecida em uma sociedade organizada de forma inteiramente compartimentalista, sem individualismo. Isto é, em que o que seja necessário para a vida seja comungado por vários, como habitação, transportes, vestuário, lazer e, inclusive os relacionamentos amorosos, que não seriam apenas binários, podendo ser plurais, de um modo inteiramente sabido e consentido.

Tal situação sócio-econômica é que é propiciadora da maximização da felicidade para todos. Nesse caso se cumpre a máxima “de cada um segundo sua capacidade, a cada um segundo sua necessidade”. Sendo a economia compartilhada, os bens necessários ficam muito diminuídos, possibilitando que todos trabalhem muito menos, pela supressão da replicação de muita coisa em todos os lares de famílias individuais, por exemplo. O ideal é que as moradias se deem em Falanstérios, que são grandes edifícios residenciais para centenas de pessoas que vivem em comunidade, com dormitórios, refeitórios, lavanderias, espaço de lazer e tudo o mais compartilhados, incluindo pré-escola, ambulatório, horta comunitária, espaço para atividades físicas, cinemas e o que mais se quiser. Comunismo, então, é algo maravilhoso, que propicia o desabrochar das potencialidades humanas das pessoas nas artes, nas ciências e no que for. Além de dar cabo completo de toda pobreza no mundo. É preciso que se pugne para que tal concepção econômica seja alcançada, sem revolução nenhuma, mas por uma evolução civilizatória da humanidade, com a disseminação da solidariedade, da camaradagem, da generosidade e de todas as virtudes de modo geral. E a abolição do emprego assalariado tem que ser atingida gradualmente, de modo legal, por uma determinação que, gradualmente, vá transferindo a participação na propriedade dos empreendimentos para os próprios trabalhadores, o que poderia concretizar totalmente em algumas décadas, digamos umas dez apenas.

Confunde-se muito o conceito de comunismo com o de marxismo, especialmente o marxismo-leninismo ou bolchevismo. Tal concepção é uma modalidade de comunismo caracterizada pela ditadura do proletariado como situação pretensamente provisória para o atingimento do comunismo. Só que esse provisório se tornou permanente onde se estabeleceu. Daí o marxismo-leninismo ser uma concepção autocrática, estatista, policialesca e centralizadora, que restringe as liberdades e coloca toda a população como empregada do governo de partido único. Realmente não é nada bom para o mundo. O problema é que muitos acham que comunismo é sempre assim, quando não é. O verdadeiro comunismo é o que foi descrito acima. Este, sim, é o ideal para o bem do mundo.

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