AMOR

by @ 12:14 on 4 junho 2019. Filed under Relacionamentos

Amor é um sentir, um pensar, um desejar, um querer e um agir, isto é, uma emoção, um sentimento, um apetite, uma volição e uma ação. Mas também é uma intelecção, refletida, consentida, explicitada e assumida. Esse complexo de fatos psíquicos caracteriza o amor em todos os planos, piedade, compaixão, solidariedade, afeição, amizade, amor platônico, erotismo. Amor filial, maternal, paternal, fraternal, conjugal, idealista. A intensidade e a sequência em que eles aparecem pode variar. O amor sempre emociona, enternece, e envolve um desejo de zelo, cuidado e proteção da coisa amada, bem como um desejo de reciprocidade. Mas o amor só se realiza quando é expresso em vontade e essa vontade em ação. Não basta sentir e desejar para amar, é preciso querer e provar. O amor envolve dedicação e renúncia, paciência e perseverança, trabalho e recompensa, alegria e tristeza, euforia e depressão. É algo envolvente e inebriante. O amor não é possessivo, ciumento, exclusivista, castrador, sufocante. Pelo contrário, o amor é libertário e altruísta. Não me refiro apenas ao amor erótico mas a todas as modalidades, inclusive as formas idealistas de amor à verdade, à justiça, à sabedoria, à humanidade, à natureza. O amor não pode ser cerceado em sua intensidade e abrangência. Ele não possui limites. Quanto mais se ama a mais coisas e pessoas, mais capacidade se tem de amar. E quanto mais se ama, mais se realiza e maior é a felicidade, mesmo que nem sempre seja correspondido. E certamente, é algo de que se possa contemplar em sua estética e fruir o máximo prazer que é amar o amor.

Nada vale mais que o amor. O amor não pode ser negado, restringido, dividido, negociado, reprimido, proibido, cerceado, contido, escondido, subtraído… O amor só pode ser adicionado, multiplicado, extravasado, espalhado, revelado, disseminado, compartilhado, cultivado, frutificado… Sem barreiras, exclusividade, desculpas, rodeios, mentiras, ciúmes, trapaças, temores, pudores, exigências, cobranças… Com alegria, harmonia, ternura, carinho, respeito, amizade, admiração, zelo… Mas ardoroso, impulsivo, sôfrego, extasiante, avassalador… Por sentimentos, desejos, vontade, ações, testemunhos, declarações, gentilezas, presentes… Entre toques, abraços, beijos, enlaces, suores, tremores, estertores, exaustão… E tem que fazer vibras todas as fibras do ser numa melodia celestial, exalar os mais inebriantes perfumes, propiciar as mais belas imagens do ser amado, sentir as mais suaves e arrepiantes carícias e evocar os mais significativos momentos de indizível romance, prazer e elevação. Viver sem amar não é viver, é padecer e suportar a mais indizível tristeza que a vida pode conceder. Busca o amor antes de tudo o mais. Nunca é tarde para amar enquanto houver vida. A falta de tudo o mais, com amor, pode ser suportada. A presença de tudo o mais, sem amor, é insuportável. Ao buscar e achar o amor, não se prenda a compromisso nenhum senão a retribuir o amor com amor. E nem condicione a doação do amor a nenhuma reciprocidade. Nenhuma paga requer o amor, nem mesmo o amor. Nem a perenidade, nem a exclusividade. Muito menos qualquer servidão ou retribuição não amorosa. Mas, uma vez o amor ao amor se dando, apenas por amor, tudo o mais poderá e será dado de favor, sem conta nem exigência.

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