Ética e Ateísmo

by @ 16:27 on 5 abril 2008.

Ética e Moral
Moral é ética são coisas correlatas mas diferentes. E nenhuma delas tem origem nas religiões. Pelo contrário, foram as religiões que se apossaram da moral (mas não da ética) como parte do ferramental para controle de seu rebanho. A moral existe em toda sociedade, mesmo as primitivas, e consiste em um corpo de prescrições comportamentais a serem cumpridas pela pessoa, para que seu convívio com os demais seja aceito dentro do que se tornou costume para aquele grupamento, naquele tempo e lugar. A moral é, pois, uma disciplina prática normativa e relativa ao contexto. O que é moral para certa sociedade, em certa época, pode não ser noutra época ou noutra sociedade. Já a ética é filosófica. A ética discute a razão das ações humanas e procura achar justificativas para sua aprovação ou condenação com base nos critérios de certo e errado, bom ou mau, justo ou injusto, honesto ou desonesto, verdadeiro ou falso, virtuoso ou viciado e outros do tipo. Busca, portando, independente dos costumes, definir os critérios para que algo seja ou não certo, bom, justo, honesto, verdadeiro ou virtuoso. E busca, também, definir que escolha seria a certa, entre essas possibilidades. É importante frisar que a eticidade de uma ação se prende à sua intenção e não à sua execução e só pode ser imputada se a ação foi realizada de forma livre e desimpedida de qualquer coação. Três critérios sobressaem dentre os que já foram levantados para a eticidade: o primeiro refere-se à característica daquela ação promover a maximização da felicidade para o maior número de seres ou ao contrário; o segundo se liga ao fato da ação poder ou não ser erigida como norma universal a ser prescrita para todo mundo e o terceiro se a ação seria uma que o autor gostaria de ser alvo ou não. Outros critérios, de menor valor, se prendem à utilidade e à lucratividade, por exemplo, que, em minha opinião, deveriam ser rejeitados.
Ateísmo, moral e ética
Neste sentido, o comportamento ateísta, em grande parte das sociedades, é tido como imoral, pois o costume é se aceitar a existência de deus e, além disso, reverenciá-lo em cultos e outros eventos sociais que se revestem de caráter religioso, mesmo que não o sejam, como casamentos, enterros, inaugurações, posses, formaturas. Por isso muitos ateus, como eu, comparecem a igrejas ou outros templos, em certas ocasiões, em atenção às pessoas de que é amigo, mesmo não crendo no que se realiza, em atitude respeitosa e circunspeta. Isto não significa trair suas convicções, mas sim, ser educado. Eu não diria que é amoral, pois amoral é um comportamento que não pode ser aferido como consoante ou não aos costumes. Uma chuva é amoral. Comer é amoral. Já sair nu à rua é imoral. A moral não é uma coisa certa nem errada em si. Alguns preceitos morais podem ser errados, se ferirem a ética, como é o caso da extirpação do clitóris em certas tribos africanas, a lapidação de adúlteras em uns países muçulmanos, a morte de bebês femininos em algumas zonas da China, a queima de bruxas e hereges em nações cristãs, tempos atrás, a segregação racial, de gênero, orientação sexual ou outras que existem por aí. São morais onde este é o costume, mas são antiéticas. O ateísmo, absolutamente não é antiético. A ação de ser ateu não diminui a felicidade de ninguém, pode ser adotada por qualquer um sem prejuízo e pode ser erigida como norma universal sem problema. Pelo contrário, o ateu, não relegando a um juiz do outro mundo a punição e o prêmio pela prática do mal ou do bem, investe-se da responsabilidade de promover, aqui mesmo, pela sociedade, esta tarefa, sendo assim muito mais ético. O que falar do católico que peca à vontade pensando que, ao se arrepender, vai ser perdoado e vai para o céu? E que valor tem a prática da virtude condicionada ao prêmio da salvação? Ser ateu pode ser imoral, mas é muito mais ético, principalmente porque é o suprassumo da honestidade para com a verdadeira realidade do Universo.
Ateísmo e Agnosticismo
Não me consta que exista na Física Quântica, como proclamam certos pseudo-cientistas esotéricos, algo que indique no sentido da existência de algum deus. Se houver, gostaria de saber, pois sou professor de Física Quântica e isto não me pode passar desconhecido. De fato não há comprovação cabal de que não exista nenhuma espécie de deus, como não há de que exista. No entanto, para tudo que não seja evidente ou comprovadamente existente, a opção que se toma é que não exista. Não é preciso provar que não existe algo que não se tem evidências de que exista e sim provar que exista. Por isto é que, considerar a inexistência de qualquer deus é a posição mais lógica, racional, coerente e honesta. Não se trata de “crer” que não existe deus algum (ou crer na inexistência de deus), mas em “saber” que não existe evidência e nem prova de que existe algum deus. O ateísmo não é uma crença, não é um palpite, não é uma opinião e nem uma certeza. É uma consideração, uma suposição, uma hipótese. Não garantida, mas muito bem alicerçada. Esta é a modalidade de ateísmo que abraço, isto é, o ateísmo cético, por alguns denominado “fraco”. Há uma modalidade de ateísmo, denominada “forte” que considera que seja certo que não existe nenhum deus. Isto é uma crença, uma consideração dogmática, do mesmo tipo que a fé religiosa. Este ateu é um crente que tem a certeza de que deus não existe. Mas isto não é comprovado. Quanto ao agnosticismo, trata-se de uma posição que, considerando que não se pode provar nem que deus exista nem que não exista, deixa de considerar a questão, omitindo-se sobre ela e levando a vida como se o tema fosse inteiramente irrelevante. Não é! Por causa da crença em deus nações foram destruídas e milhões de pessoas foram mortas. Não se pode ficar omisso quanto a isto. É preciso se posicionar. Eu me posiciono pela inexistência de deus e proclamo tal fato com todos os argumentos de que disponho. Já me considerei agnóstico, mas, revendo minha posição, vi que é uma posição muito incoerente e me decidi pelo ateísmo cético, no espectro de possíveis crenças em deus.
Niilismo, ateísmo e mau-caratismo
Desde que o personagem Ivan Karamazov, de Dostoievsky disse que: “Se não há deus, tudo é permitido”, que o ateísmo é confundido com o niilismo. O niilismo considera que não há significado algum para a vida e, portanto, que a moral e a ética são inteiramente sem cabimento. A pessoa pode fazer tudo aquilo que quiser, sem constrangimento. O niilista certamente é ateu, mas o ateu não necessariamente é niilista. O ateísmo admite a consideração de um padrão humanista e ético de comportamento. Muitos ateus que conheço são, até, mais virtuosos que a média dos crentes. Outra situação é a da pessoa que não possui, na prática, nenhuma escala de valores éticos e, mesmo não sendo ateu, age à revelia das concepções religiosas que, muitas vezes, diz professar, pautando suas ações inteiramente pela vantagem que leva, de forma completamente egoísta. Essa pessoa, na prática, ou não acredita em vida eterna, ou não acredita em castigo na vida eterna, ou confia em se arrepender antes da morte. É o mau-caráter. Trata-se de alguém inteiramente abjeto, egoísta e mesquinho, não merecedor do mínimo respeito e consideração. Muitas pessoas são assim e se dizem religiosas, o que não são. Mas podem crer em algum deus e algumas crêem em satanás ou outra modalidade de espíritos que lhes propiciariam vantagens em vida em troca de sua danação eterna. Tudo isto, certamente, não existe. Mas o mal existe. A disposição de provocar sofrimento, prejuízo, ou qualquer tipo de dano em outros seres para benefício próprio ou, simplesmente, por um prazer sádico. Isto, inclusive, é tema de estudos neuropsicológicos. Por isto é que digo que a responsabilidade do ateu em fazer prevalecer o bem e em evitar a ação dos mau-caratistas é muito maior, pois não existe deus algum para auxiliar ou para castigar o mal na outra vida.
Religião e Moral
Há certa razão quando se diz que o temor de deus (isto é, o medo de inferno) é um fator importante na determinação de uma conduta em observância aos preceitos morais. Ainda mais que, de um modo geral, a maioria dos preceitos morais de fundamentação religiosa são éticos. Assim, o ideal de santidade, que é preceituado não só pelo cristianismo, mas pelo islamismo, o hinduísmo, o budismo e o judaísmo (só para citar as mais importantes) se, de fato, fosse seguido por todos os fiéis, levaria certamente a um mundo mais fraterno, tolerante, solidário e compassivo. Parte da escalada de criminalidade hoje observada no Brasil e no mundo deve-se à perda desse temor do inferno (em outras palavras a um ateísmo na prática). No entanto duas questões emergem:
As lideranças políticas e econômicas sempre cooptaram os líderes religiosos a incutirem nos fiéis que a consecução de seus desígnios ambiciosos de poder e riqueza deveria ser tomada como missão a ser cumprida pelos fiéis em atendimento à vontade do deus do local e do momento (cruzadas, inquisição, jihad, indulgências etc.). Poucos se insurgiram contra tais práticas (tipo um São Francisco de Assis ou Martinho Lutero), mas a insurgência foi momentânea. Depois, seus próprios seguidores acabaram vassalos da plutotiranocracia. A hierarquia eclesiástica católica sempre explorou os fiéis para o enriquecimento e poder pessoal. Padres como João Maria Vianey, o “Cura d’Ars” são a exceção. E mesmo Lutero, sei lá…
A outra questão é simples: Será ético impingir uma conduta moral com base em uma mentira? (o castigo do inferno). Será que não é possível uma educação ateísta ética? Uma educação em que a virtude e o bem sejam erigidos como valores desejáveis por si mesmos e não por vantagem nenhuma a ser fruída ou por castigo nenhum a ser evitado? Será que a sociedade não pode, ela mesma, concluir que a honestidade e a solidariedade são mais valiosas do que o crime e o egoísmo? Não porque seja mais vantajoso, mas porque não é possível erigir a prática do mal como norma?
Não importa se a pessoa considere que a existência de deus seja uma verdade ou uma mentira, a ética se aplica da mesma forma. O que afirmo é que as noções de bem e de mal, de certo e de errado, de justo e de injusto, de verdadeiro ou falso, de honesto ou desonesto, enfim desse tipo de dicotomia que é característico da ética, não são noções religiosas. Elas existem quer se considere que deus exista ou não. E a ética deve nortear a moral a prescrever os comportamentos adequados de modo inteiramente dissociado de qualquer prêmio ou castigo na vida eterna. Isso é que eu considero importante. Para mim não há virtude em se fazer o bem para se ganhar o céu ou não precisar se reencarnar mais e nem deixar de fazer o mal para não ir para o inferno ou para não se reencarnar outra vez. O bem vale por si mesmo. A recompensa da virtude é a paz da consciência. Esses valores são impregnados na mente, quem sabe, por algum gene, mas a razão é capaz de mostrar que se o mal fosse erigido como norma de conduta a ser recomendada e praticada generalizadamente, não haveria condições para nenhuma pessoa alcançar paz e felicidade. A sensibilidade também repudia toda crueldade e todo mal e infelicidade que se possa causar. E a felicidade é o bem que não é condição para obtenção de nenhum outro acima dele. Dinheiro, saúde, paz, educação e outros que tais se desejam para poder ser feliz. Mas se se é feliz sem dinheiro, para que serve ele? Qualquer um que paute sua vida pelo bem estará tranqüilo e nada temerá, nem mesmo a existência de deus. Uma conduta hedonista pode e deve ser perseguida, desde que de modo não egoísta. Eu diria que a virtude está na síntese dialética do epicurismo com o estoicismo. Creia-se ou não em deus.

The URI to TrackBack this entry is: http://www.ruckert.pro.br/blog/wp-trackback.php?p=1890

17 Responses to “Ética e Ateísmo”

  1. Marilia Equi disse:

    Ernesto
    Fiquei muito satisfeita ao ler este artido sobre um tema tão pouco discutido quanto o ateísmo. Sou atéia, meu marido, não. Apesar dele ser professor de filosofia, temos discussões ferrenhas sobre dar ou não uma orientação religiosa para nossa filha que está a caminho. Seu texto ajudou-me a elucidar algumas questões, mas sei que não poderei dissuadi-lo (meu marido)da idéia de querer educá-la desta forma, pois ele argumenta sobre a importância do imaginário infantil (deus, papai noel, etc…), afinal ele acredita que a religião é fundamental na educação, ponto que discordo,
    Na verdade queria apenas parabenizá-lo pela clareza, simplicidade e utilidade do texto e gostaria de saber se posso reproduzi-lo em meu blog com os devidos créditos.

  2. Ernesto disse:

    Sobre o tema de uma educação ateísta, sugiro a leitura desses tópicos:
    http://www.ruckert.pro.br/blog/?p=514 ;
    http://www.ruckert.pro.br/blog/?p=1732 ;
    http://www.ruckert.pro.br/blog/?p=1753 ;
    http://www.ruckert.pro.br/blog/?p=1185 ;
    http://www.ruckert.pro.br/blog/?p=2257 .
    Sugiro também colocar a palavra “ateísmo” na caixa de procura e clicar em “busca”.

  3. Marco Aurélio Machado disse:

    Ernesto, tenho orgulho em tê-lo como um amigo virtual. Belíssimo texto! Parabéns, pela lucidez e inteligência!!

    Atenciosamente,

    Ass: Marco Aurélio Machado

    P.S: coloquei esta página nos meus favoritos.

  4. ivan disse:

    Gostei muito de seus textos e descobri que sou niilista. Mas não encontro argumento racional para não ser niilista. Seja visto que o remorso, ou caráter não fazem sentido a não ser que haja compensação social. Um Exemplo: “Sou o personagem histórico Gengis Khan, matei e roubei para unificar minhas terras e pelo bem estar de meu povo, em contrapartida estuprei mulheres e matei seus maridos e filhos. Como fui criador das regras, fui etico e nao me arrependo de nada, pq eu fiz as regras e todos me amam e me odeiam como um deus.”
    Entende?? ética existe enquanto ela atende a vc. Definir o bem e o mal são argumentos sociais, Afinal de contas Hitler, foi um martir para seus iguais.

  5. Idma disse:

    Wolff, permita-me por favor, transcrever este artigo em meu blog, para guardá-lo sempre comigo. Gostei muitíssimo, bem esclarecedor, e muito bem escrito, como aliás o são, todos os seus artigos.
    abçs!

  6. Danielle Lisboa disse:

    prof° seus textos como ja mencionei, está me ajudando muito em minhas aulas. Quero novamente agradecer pela simplicidade como explica algo tão “complicado” obrigada”

  7. Jorgge Dib disse:

    Gostei demasiadamente de sua posição Professor Ernesto, so me senti magoado (pode-se diser), com essa parte que o senhor descreve um ateu, ou seja:

    Ernesto:
    Muitos ateus que conheço são, ATÉ , mais virtuosos que a média dos crentes.
    (professor, esse ATÉ, foi pra acabar rsrs.
    .
    ABRAÇOS , VOU VER SE ENCONTRO UMA COMUNIDADE NO ORKUT COM SEU NOME E ENTRAREI.

    abraços sinceros
    Jorgge Dib

    meu ORKUT ( PROFILE)
    http://www.orkut.com.br/Main#Profile?rl=ls&uid=11866724270834767302
    .

  8. Eugênio disse:

    Caro professor,

    O senhor não refutou o argumento lógico de Ivan Karamazov. Além disso, com todo o respeito, não apresentou nenhum argumento LÓGICO que fundamente o seu alegado ateísmo (não acredito que seja ateu). Atenciosamente,

    Eugênio

  9. Ernesto disse:

    Eugênio e Ivan. Não tem nada de “lógico” dizer que, se Deus não existe, tudo é permitido. É preciso entender o sentido em que se usa a palavra “permitido” neste contexto. Significa que dá-se o consentimento de que algo possa ser feito sem nenhum empecílho por parte da sociedade. Veja-se bem: é a sociedade que estabelece o que seja ou não permitido fazer. Não me refiro a impossibilidade física (como não ser capaz de respirar dentro d’água sem nenhum dispositivo de apoio), mas de uma impossibilidade moral e moral é algo estabelecido pela sociedade e não por Deus. Pode ser que a sociedade atribua tais regras a Deus, ou até que seja mesmo Deus que as estabeleça. Mas se a sociedade não as aceitar, não ficam valendo. Isto não tem nada de “lógico” pois não é uma necessidade incontornável. Mesmo não havendo Deus pode-se perfeitamente estabelecer-se normas de conduta, que é a moral. Nos estados comunistas, declaradamente ateus, há toda uma legislação criminal referente ao que se pode ou não se pode fazer. Não se pode roubar nem matar, pela lei, mesmo nos países comunistas.
    Por outro lado, não há que se ter nenhuma argumento “lógico” para se optar pelo ateísmo. Basta que se considere que os indícios para a inexistência de Deus são mais fortes do que os para sua existência. E como a existência não é óbvia, não havendo provas dela, há que se considerar que não valha. O ônus da prova é de quem acha que Deus existe.

  10. Eugênio disse:

    Boa noite, professor!

    Não sei se este espaço é apropriado para este nosso diálogo, mas, até que se pronuncie, vamos lá:

    TODA MORAL É UNIVERSALIZANTE,
    O MARXISMO POSSUI U’A MORAL, LOGO,
    O MARXISMO É UNIVERSALIZANTE.

    Dizendo de outro modo:

    TODA MUNDIVIDÊNCIA É UNIVERSALIZANTE.
    O ATEÍSMO É MUNDIVIDÊNCIA, LOGO,
    O ATEÍSMO É UNIVERSALIZANTE.

    Disse algum filósofo (não me lembro no momento) que para que determinada filosofia ou ideologia, possa obter consenso, precisa ser expansionista ou universalizante – tanto faz.Quem disse isso criticava tanto o cristianismo quanto o iluminismo(considerando o marxismo como iluminista – para simplificar). Não estou certo se foi Nietzsche, Foucault ou algum pós-estruturalista que se recusou a sistematizar a própria filosofia “para não cair na tentação da universalização e do etnocentrismo”.
    A “solução” para o etnocentrismo é o relativismo filosófico, científico, religioso, antropológico,etc. Assim, a cultura torna-se, ironicamente, um universal aristotélico defendido pelos reacionários luteranos, católicos e ortodoxos do século XIX, retomado pelos epígonos de Franz Bôas: Relativizando a moral de cada cultura e tornando-as equivalentes, evita-se o etnocentrismo, a posse da “verdade” e a dominação. Assim, chegamos à redução ao absurdo, se considerarmos o conceito de “verdade” como uma tríplice herança: aletheia, veritas e emunah, segundo Marilena Chauí. Com a ressalva de que as ciências exatas vão bem, obrigadas. Senão,vejamos:

    NENHUMA CULTURA É ABSOLUTA.
    A VISÃO EUROCÊNTRICA É CULTURA, LOGO,
    A VISÃO EUROCÊNTRICA NÃO É ABSOLUTA.

    Como corolário do silogismo acima, segue-se:

    TODA CULTURA POSSUI MORAL PRÓPRIA.
    O PCC EXPRESSA UMA CULTURA, LOGO,
    O PCC POSSUI MORAL PRÓPRIA.

    Pelo princípio do relativismo cultural, toda forma de cultura é equivalente e não existe nenhum universal que possa se sobrepor a outros. Assim, a moral do PCC está plenamente justificada do ponto de vista LÓGICO FORMAL – validando a afirmativa de Ivan Karamazov.
    Do ponto de vista material também, posto que o PCC tem qüididade e a manifesta diuturnamente, à revelia de outras culturas com códigos morais antagônicos. Como ficamos: aceitamos a existência de universais que não sejam contructos sócio-culturais históricos ou não? Veja, caro professor: admitir que toda norma é histórica e fruto de um contrato social será o mesmo que admitir que o relativo é absoluto – o que repugna a razão.

  11. Eugênio disse:

    Quando ao ônus da prova, creio que Tomás de Aquino baste. Se o senhor é daqueles que acham que os argumentos tomistas foram “destruídos” por Bertrand Russel, não vejo incômodo em retornar a este blog e explicar mais singelamente os argumentos de um e de outro. Fique com Deus, professor!!!

  12. è citado Pe. João Mariai Voaney..dedicou uma vida inteira em fazer orações….
    agora me diga, alem do efeito “psicologico” o que adinta orar?
    Para os enfermos, doentes, sofridos…se isso ocorre por vontade de deus..ele vai mudar por uma simples oração?

    orar para os pecadores…..deus vai perdoa-los por isso?
    vai amenisar sua pena…aumentará sua complacencia?
    fará vista grossa?…se eu pagar o mal com o bem e o bem pago como?…perdoar um assasino….é a familia do assasinado? será consultado? sei não……!!!!!!

  13. Sylvia disse:

    Ainda que eu achasse que Deus não existisse, nada mudaria nas relações entre os seres humanos
    pois se chegamos ao que somos não foi porque Deus nos impôs, foi porque achamos que seria a
    melhor forma de nos relacionarmos e de vivermos. logo a evoluçao das relações humanas não
    se prende a nenhum poder superior, mas ao próprio bem estar coletivo e a própria exigência
    do ser humano de viver bem. Se os modelos de convivência não nos satisfazem ainda, é pela
    nossa própria incapacidade. Pois existindo ou não, Deus não virá até aqui com dedo em riste
    exigindo atitudes de nossa parte. Nós é que precisamos descobrir(e isso se dará por
    experimentações) formas que satisfaçam a todos. É obvio que vários fatores influenciam essa
    coexistaencia, o principal e a diferença entre as pessoas. E essas diferenças se devem às
    diferentes experiências de cada pessoa. Se fosse bom ser troglodita, o mundo não teria mudado
    e entendido que é necessario um ajuste para a convivência geral. Hoje temos alguns
    trogloditas mas a grande massa já formou um consenso sem nenhum arrependimento que viver
    bem é viver em harmonia. Essa harmonia ainda não é bem entendida,pois não é externa mas
    sim interna que se reflete exteriormente. Se Fomos criados ou não por Deus não sabemos
    mas com certeza sabemos que estamos que quando assistimos a um futebol ou cantamos no
    Videokê em harmonia fraternal com nossos coexistentes nos sentimos bem, felizes, e isso
    nos faz pensar que a nossa essência sucita harmonia para exteriorizar bem estar.

  14. Sylvia disse:

    Boa noite Ernesto,
    Desculpe-me ter me posicionado antes de ler todo seu pensamento. Gostei
    bastante do seu artigo. O mundo precisa de artigos inteligentes e que sucitem reflexão.
    Infelizmente os formadores de opinião não tem muito o que dizer mas preocupam-se mais
    com o quanto podem ganhar. Paralelamente a correria contra o tempo supera a qualidade gerando
    uma cultura totalmente fracionada, um pensamento também fracionado e a reflexão fica
    bastante prejudicada. Ninguém consegue formar opinião sobre coisa alguma. As opiniões são
    conforme os interesses. Eu tenho uma religião, e gosto bastante dela. Ela evolui a medida
    que os conhecimentos vão se intensificando. Mas concordo que uma religião não coloca ninguém
    em patamar elevado, pois crer ou não crer em Deus do modo como você bem o disse não faz
    de ninguém uma ser ético se não houver uma predisposição nesse sentido. Os valores éticos
    podem ter mais peso que propriamente acreditar ou não na existência de Deus. Eu creio
    Em um poder superior, pois na minha concepção não existe um efeito sem uma causa,mas confesso
    que não temos respostas para todas as questões. Realmente quando se faz algo pensando só no
    que se obterá não é meritório.O mérito está na promoção da evolução pela vontade do
    indivíduo em ser solidário no estabelecimento de um mundo melhor para todos. Mas conforme
    mencionei anteriormente, as diferenças entre as pessoas levam às divergências de atitudes.
    Até para ser ético é necessário uma evolução. Saber é mais fácil que atuar, que sentir.
    Um grande abraço pra você. Fico feliz em ver que se pode manter contatos inteligentes.
    A polêmica produtiva faz bem ao intelecto.

  15. Sylvia Lima disse:

    Boa tarde.
    Voltando ao assunto que me interessou bastante. É difícil falar sobre a existência de Deus, mas é muito fácil falar sobre a providência divina. Ela esta em toda parte e a cada momento de nossas vidas. Ainda que não se creia nessa providência, há relatos de muitas ocorrências que fogem totalmente ao senso comum, pressupondo uma interferência inteligente capaz de realizar prodígios em nossas vidas. Fico fascinada por essas interferências e tenho sido agraciada muitas vezes por elas. Abraço a religião Espírita com um prazer enorme. Não vou fazer como o apóstolo Pedro que negou Jesus três vêzes. Creio na palavra de Jesus Cristo, assim como creio em muitos outros personagens que fazem parte da história da Terra, filósofos, astronomos, astrologos, etc… Evidente que tudo pode ser questionado, pois os pontos de vista são muito diferentes, e também evoluem, porém se Jesus disse que Deus existe, eu creio que ele exista, mesmo que essa existência seja muito difícil para o nosso entendimento. Eu sou médium psicógrafo e fico muito feliz de poder ter nascido portadora de uma mediunidade bonita como essa. Não sei se os que não são médiuns ostensivos fazem idéia do que seja essa beleza. Eu posso receber comunicações através de intuições e diretamente de espíritos (esses que o senhor não acredita) Na verdade nós somos seres espirituais com envólucros corpóreos temporários e isso faz de nós seres imortais. Não somos apenas corpos, somos espíritos materializados para estagiar na Terra. A cada dia quando dormimos e nossos espíritos se emancipam, fazemos um ensaio para a “morte”(do corpo fisico). Então se morremos e renascemos todos os dias, enquanto nossos corpos materiais descansam, até que pereçam, o que realmente conta é o ser espiritual e não o material. Se os corpos não necessitassem de espíritos, para existir, nós homens poderíamos fazer pessoas em laboratórios, o que não ocorre, pois o que há é manipulação do que já existe e não a criação de um ser. O ser humano só pode ser criado por supervisão espiritual sobre a sua carga genética. A matéria sem a animação do espírito é simplesmente um “defunto”, ou um boneco. O ser humano não é um animal especializado, mas é o único que pensa e questiona. Temos a capacidade magnífica de mudar de idéia, de alterar o curso de nossas vidas, pois só tem livre arbítrio quem pensa. Os minerais não pensam, logo não podem mudar suas condições por vontade própria. As pedras não sofrem pois não tem espírito. As alterações mais evidentes iniciam-se no animal irracional e evoluem no homem. Sugiro a leitura de “Evolução em Dois Mundos” Ditado à Chico Xavier pelo espírito de André Luiz (médico em sua última vida na Terra). Continuando com a minha reflexão: se somos seres essencialmente espirituais e não materiais e temos a nossa evolução contínua e garantida em dois mundos, somos altamente privilegiados no quesito “adquisição de conhecimentos”. Sugiro o aprofundamento da sua leitura na literatura existente psicografada pelo nosso companheiro Chico Xavier, que tenho certeza é um grande presente para todos. Sempre haverá uma existência na terra ou um despertar no plano espiritual, onde nós não nos furtaremos à analise dessas questões,sem preconceitos.
    Seria um grande desperdício que a inteligência do ser humano se perdesse totalmente junto ao seu envólucro material temporário, quando este se extinguisse. Será que a mesma força inteligente que agrega o microcosmo destruiria, de repente, tudo o que existe sem que mantivesse um back-up? Nem os meus arquivos ficam sem cópia. Aliás, os computadores do plano espiritual, segundo os relatos de espíritos, são milhões de vezes mais potentes e sofisticados que nossas pobres réplicas(Bill Gates que não nos ouça). Espíritos também nos informam que na vida não há disperdícios. Conforme o próprio Lavoisieur: “Na natureza nada se perde nada se cria tudo se transforma”. Temos muito ainda para conhecer, sobre a nossa criação e destinação. Nossa inteligência se expandirá infinitamente, ainda. Fico feliz que seja assim, pois, a cada “troca de habitat” crescemos mais em conhecimento, em afetividade. Por isso nem todas as pessoas tem a mesma ética, a mesma desenvoltura aqui na Terra. Sugiro também a leitura de “Os Exilados de Capela” e “Colonia Capela”. Não sei se já são do seu conhecimento, mas são preciosidades que todos deveríamos ler, pois facilitaria o entendimento e aceitação das diferenças. Espero que não retornes à pàtria espiritual sem que leia pelo menos algumas obras de Chico Xavier e Kardec, pois se o nosso conhecimento que não é tão brilhante agradece e se sensibiliza com essa literatura, a sua inteligência que já é brilhante se expandirá imensamente e seu status de filósofo descortinará imensas possibilidades.
    Não falo em nome do Espiritismo. Falo pelo conhecimento adquirido por mim ao longo dos anos de vida aqui na Terra,e obviamente da reflexão que fiz sobre o assunto. Certamente outras pessoas mais conhecedoras que eu poderão lhe proporcionar esclarecimentos mais profundos, mais a sua altura.
    Eu lhe asseguro apenas meu carinho e respeito.
    Sylvia

  16. peso disse:

    Solo decirte que fenomenal, me gusta mucho ver y leer tu blog, es ideal para alguien como yo. Enhorabuena!!

  17. RONALDO disse:

    BEM EU POSSO PROVAR POR A+B QUE EXISTE UM CONTROLADOR OCULTO EM NOSSO UNIVERSO. O PROBLEMA É QUE ELE É SACANA PRA CARALHO. POSSO DIZER QUE SOU O CRIADOR DE UMA NOVA TEOLOGIA: UMA EM QUE O SENHOR NOSSO DEUS NÃO PERDE TEMPO COM A NOSSOS PROBLEMAS E, PORTANTO, NÃO SE DEVE PERDER TEMPO OS PROBLEMAS DELE. GOSTARIA QUE VOSSA EXCELÊNCIA FALASSE SUA OPINIÃO SOBRE O SUICÍDIO. ESSA IDÉIA ME PARECE FASCINANTE: A LIBERDADE DE RENUNCIAR À PROPRIA CONSCIENCIA – DORMIR E NÃO MAIS ACORDAR. JULGAR A REALIDADE E CONDENÁ-LA COMO INVIÁVEL. NA SUA OPINIÃO A EXISTENCIA HUMANA É ALGO VIÁVEL? EM QUE CIRCUNSTANCIAS VC SE ELIMINARIA DESSE UNIVERSO? DESDE JÁ GRATO PELA ATENÇÃO.

Leave a Reply

Please note: Comment moderation is currently enabled so there will be a delay between when you post your comment and when it shows up. Patience is a virtue; there is no need to re-submit your comment.

[Ernesto von Rückert is proudly powered by WordPress.]