Espécie Mulherana

by @ 22:14 on 14 outubro 2005.

Em toda espécie animal superior o sexo que melhor a tipifica é o feminino. Ele é essencial para a sua preservação e, por partenogênese, sozinho, é capaz de garantir-lhe a perpetuação. O masculino entra como acessório, útil para garantir a variabilidade genética, sem dúvida fator importantíssimo para o sucesso evolutivo, mas não essencial para a existência da espécie. Nos vegetais esse fato é ainda mais notável, já que o hermafroditismo das angiospermas permite caracterizar o indivíduo vegetal como feminino, sendo os órgãos masculinos da flor (estames) meros apêndices.
Uma das conseqüências disto é que os machos, entre eles o homem, vivem em função das fêmeas, que existem por si próprias. Assim eles precisam sempre fazerem-se aceitos por elas para que seus genes possam perpetuar-se na prole. A natureza é toda regida pela tirania do gen que, de modo egoísta, pretende espalhar-se na população de uma espécie. À fêmea cabe a função de avaliar a qualidade do pretendente e aquiescer no sexo com ele, se julgá-lo suficientemente bom. Assim as fêmeas são as guardiãs da qualidade genética da espécie não deixando que os exemplares menos aptos espalhem seus genes fracos. A espécie humana, de modo inconsciente, também participa deste jogo da natureza, mesmo quando possa parecer que é o sexo masculino o dominante. Em verdade até nas culturas mais machistas e patriarcais os homens vivem para suas mulheres, trabalham para suas famílias e fazem a guerra para defender sua companheira e sua prole ou para conquistar outras mulheres, evitando a endogenia. Mas tudo gira sempre em torno da mulher. Assim o nome da espécie, que na língua portuguesa coincide com o nome de seu exemplar masculino, devia ser “mulherana” e não, humana.
Observa-se que, na história, a maior parte das grandes obras foi, e ainda é, realização de indivíduos do sexo masculino. Isso vale para a literatura, a música, a poesia, a pintura, a escultura, as obras arquitetônicas, as conquistas militares, as descobertas científicas, as grandes invenções e quase tudo de criativo já produzido por seres “mulheranos” (do sexo masculino, no caso). O motivo é simples: os homens precisam impressionar as mulheres com seus feitos para provar a elas que possuem bons genes. E nisso empenham o máximo de suas energias e capacidades. Todo feito glorioso, artístico, político, militar, científico, esportivo, qualquer um que um homem realize, ele o faz com o pensamento voltado para alguma mulher. Mesmo o arrebatamento místico e religioso possui um componente erótico sublimado, às vezes até, na devoção à Virgem Maria. As mulheres não precisam impressionar os homens para ter aquele que desejam. Basta serem seletivas e escolher o mais conveniente.
A lição a tirar destas considerações é que, tomando consciência deste fato fundamental, homens e mulheres possam ter um melhor entendimento recíproco e consigam viver mais harmonicamente e não como seres de planetas diferentes. E que a aceitação desta verdade coloque o homem em seu devido lugar, deixando que as mulheres realizem-se completamente como pessoas de pleno direito e não como sombras de seus homens que em verdade são, eles sim, as sombras de suas mulheres.

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6 Responses to “Espécie Mulherana”

  1. Joao disse:

    Isso explica a minha dependencia das mulheres,mas o homem tb pode ser selecticvo?

  2. herbert dennis dias fernandes disse:

    Ernesto:
    Saudações.

    Gostei do pensamento que está no topo.

    Seria possível você adicionar nas musicas em midi
    “O Revolucionary” de Chopin?
    Obrigado
    Mauita Paz em 2007

  3. Marcos Penna disse:

    Há marcas de batom na trilha do futuro.
     
    O mundo foi dominado pelo homem desde seus primórdios, e algo em torno 50 anos as mulheres obtiveram sua alforria, e em tão pouco tempo chegaram onde chegaram onde chegaram, e já é possível vislumbrar as marcas de batom que deixaram lá. Resta, entretanto, uma questão: Até onde irão?
    Se as considerarmos pelo apego à matemática penso que não irão muito mais longe do que já chegaram, mas ainda resta uma dúvida: Seriam elas desafeitas à matemática ou nunca se afeiçoaram a ela por não terem tido a oportunidade dela realmente necessitar?
     
    Quanto a importância da matemática não temos dúvidas. Vejamos como ela foi encarada por estes pensadores:
     
    A Matemática é a honra do espírito humano. — LEIBNIZ.
     
    Eis a Matemática — a criação mais original do engenho humano. — WHITEHEAD.
     
    Nota-se, entre os matemáticos, uma imaginação assombrosa… Repetimos: havia mais imaginação na cabeça de Arquimedes do que na de Homero. — VOLTAIRE.
     
    Não há ciência que fale das harmonias da Natureza, com mais clareza do que a Matemática. — PAULO CARUS.
     
    Toda minha Física não passa de uma Geometria. — DESCARTES.
     
    O mundo é cada vez mais dominado pela Matemática. — A. F. RAMBAUD.
     
    Toda educação científica que não se inicia com a Matemática é naturalmente imperfeita em sua base. —— AUGUSTO COMTE.
     
    A Matemática é a chave de ouro que abre todas as Ciências. — DURUY.
    Sem a Matemática não nos seria possível compreender muitas passagens das Santas Escrituras. — SANTO AGOSTINHO.
     
    Possui a Matemática uma força maravilhosa capaz de nos fazer compreender muitos mistérios de nossa Fé. — SÃO JERÔNIMO.
     
    Sem a Matemática não seria possível existir a Astronomia; sem os recursos prodigiosos da Astronomia seria impossível a Navegação. E a Navegação foi o fator máximo do progresso da Humanidade. — AMOROSO COSTA.
     
    A Matemática não é uma ciência, mas a Ciência. — FELIX AUERBACH.
     
    A escada da Sabedoria tem os degraus feitos de números. — BLAVATSKY.
     
    Uma ciência natural é, apenas, uma ciência matemática. — EMANUEL KANT.
     
    Quem não conhece a Matemática morre sem conhecer a verdade científica. — SCHELBACH.
    Deus é o grande geômetra. Deus geometriza sem cessar. — PLATÃO.
     
    As leis da Natureza nada mais são que pensamentos matemáticos de Deus. — KEPLER.
     
    A Matemática é a linguagem da precisão; é o vocabulário indispensável daquilo que conhecemos. —WILLIAM F. WHITE.
     
    A Matemática é o mais maravilhoso instrumento criado pelo génio do homem para a descoberta da Verdade. — LAISANT.
     
    Pela certeza indubitável de suas conclusões, constitui a Matemática o ideal da Ciência. — BACON.
     
    A Ciência, pelo caminho da exatidão, só tem dois olhos: a Matemática e a Lógica. — DE MORGAN.
     
    A Matemática, de um modo geral, é fundamentalmente a ciência das coisas que são evidentes por si mesmas. — FELIX KLEIN.
     
    A Matemática é o instrumento indispensável para qualquer investigação física. — BERTHELOT.
     
    A Matemática é uma ciência poderosa e bela; problemiza ao mesmo tempo a harmonia divina do Universo e a grandeza do espirito humano. — F. GOMES TEIXEIRA.
     
    A Matemática é aquela forma de inteligência com auxílio da qual trazemos os objetos do mundo dos fenômenos para o controle da concepção de quantidade. — G. H. HOWISSON.
     
    Tudo aquilo que as maiores inteligências, ao longo dos séculos, têm realizado em relação à compreensão das formas, por meio de conceitos preciosos, está reunido numa grande ciência — a Matemática. — J. M. HERBART.
     
    A Matemática é a mais simples, a mais perfeita e a mais antiga de todas as ciências. — JACQUES HADAMARD.
     

  4. Mônica disse:

    Ótimo texto! O homem precisa mover céus e terra para obter o que a mulher traz em si? Ah, nascer mulher é sim sentir-se diferente, mas não menos importante.

    Todo o mal nasce da vontade de dominação
    O homem pode atirar
    Enquanto a mulher diz “não”!

  5. Natalia disse:

    “Wolf”, gostei muito do seu post.
    É um ponto de vista alternativo, lógico, e muito interessante de se ouvir (ler) de um homem.
    Principalmente o comentário sobre o homem precisar desenvolver criações para impressionar as mulheres, que precisam apenas escolher seu parceiro. Porém, nesse aspecto discordo de você, em termos, pois é sabido que em geral não foi dada à mulher sequer a oportunidade de participar de certos meios intelectuais e criativos, e ainda que alguns homens que o desempenharam, não o fizeram para impressionar uma mulher, mas apenas para sua realização indiviual. Não quero dizer que isso seja errado! Mas é indignante que tantas mulheres de talento não possam ter legado à História suas criações, por causa de mordaças sociais.

    Ótimo blog!
    Abraços!

  6. Marcelo Telles disse:

    Ridícula essa idéia faláciosa e odiosa de atribuir todo o avanço intelectual, como mero propósito de impressionar o sexo feminíno, compreende uma falácia: “non sequitur”, enclusive é de se considerar que grande parte dos gênios despojaram de interesse pelo sexo feminino, isso é, possuem uma natureza não-matrixiniana.

    O desenvolvedor de idéias, o gênio, faz isso de forma indiferente e sem qualquer relação com o instinto de procriação, a introspecção é um estado eminente do gênio, não se caracteriza pelos propósitos de espécie.

    O gênio não desenvolvolve por querer alguma compensação, desenvolve por essa condição exemplar se encontrar inata nele próprio, essa idéia apresentada neste post se mostra demasiadamente tola, considerando os pormenores na abordagem em ativar o interesse sexual feminino já reconhecidos pela ciência.
    Primeiro que este último se revela em primeira instância, mediante fatores biológicos essênciais para espécie, relações eqüitativas e simétricas que ativam o libido e provocam o interesse feminino, segundo, fatores hormônais influênciam fortemente e possuem papel decisivo, e por último: atributos indicadores de qualidade e conforto de vida.
    Este último quésito, em geral, para as mulheres tende uma exigência potêncialmente mais “pomposa”, saindo da tangente daquilo que é somente essêncial à permanência e entrando na esfera da futillidade, as mulheres como dizia Schopenhauer, possuem uma certa “miopia intelectual”, buscam relações imediatas no ambiente em relação àquilo que para elas é interessante, dificilmente fogem dessa natureza. Enquanto nos homens essa tendência natural se caracteriza de forma mais abstrata, consegue escapar mais fácilmente das afeições corporais,e assim agem intuitivamente, penetram na pura contemplação do mundo, sem buscar quaisquer relações com o meio.

    E por último, a maior discordância é sobre o papel “acessório” do homem, visto esses pormenores apresentados, é exatamente o contrário: as mulheres sim são acessórios, são elas o veículo na qual os indivíduos se propagam multiplicam-se, não possuindo maior importância e se limitando a somente a esse fim deliberado. Os homens sim não seres livres, podem sair de seu centro de gravidade, uscando apenas conhecimento genuino, livre de todo “querer” interesseiro. Já as mulheres como possuem propósito deliberado, sequer apresentaram alguma obra notável em ciências, ou artes, salvas em rarissímas exceções, tão raro quanto ver um cachorro andar sobre duas patas. Pelo simples motivo de não serem capazes, pois não foram feitas para isso. Também explica o motivo de possuirem uma maquinária potêncialmente superior a detectar e interpretar emoções alheias, justamente para este fim deliberado, o maior desejo delas é prosperar as custas do coquetismo masculino.

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