Posse na Academia

by @ 1:01 on 15 outubro 2005.

Ilustríssima Presidente da Academia de Letras de Viçosa,
Ilustríssimos componentes da mesa,
Excelentíssimas autoridades presentes,
Senhoras e senhores,

Agradecendo as gentis palavras de meu grande amigo Levy, confesso minha surpresa em ter sido convidado para compor o ilustre quadro da Academia de Letras de Viçosa, uma vez que não tenho obra literária publicada. Ao ver, porém, o objetivo e a finalidade desta egrégia agremiação, pude aceitar a justificativa do convite, considerando o que eu possa ter contribuído para a valorização e o engrandecimento da cultura, nesses anos de peleja nas lides da educação, tanto na Universidade Federal de Viçosa quanto agora, no Colégio Anglo.
Certamente ocupar a cadeira 21, inaugurada pelo ilustre e saudoso Alexandre de Alencar, insigne pioneiro da historiografia em Viçosa, não é tarefa de pouca monta. Para tanto conto com o incentivo e a clemência de meus confrades. Estou certo, porém, de que saberei honrar o nome desta casa no cumprimento do juramento que acabai de proferir.
D’Escragnole Taunay foi o patrono que tive o privilégio de poder escolher com grande satisfação, já que, pessoalmente, muito me identifico com várias facetas de sua biografia, de homem de letras e de ciências ao mesmo tempo.
Elogiar Taunay é tarefa das mais fáceis, pois sua vida é um crescendo ininterrupto de feitos valorosos. Acima de tudo paira seu caráter e sua conduta de homem que cultivou a virtude como regra de vida, exemplificando, em pessoa, o significado etimológico da palavra, como propriedade de “Vir”, varão.
Nascido em 22 de fevereiro de 1843, parecia mesmo um cavaleiro medieval em pleno final do século XIX. Fiel a seus valores e princípios foi um homem nobre e culto que batalhava infatigavelmente pelos direitos do povo e das minorias, como abolicionista convicto. Com a Proclamação da República, sua carreira política em ascensão foi interrompida, já que permaneceu monarquista.
Escritor, Músico, Pintor, Engenheiro, Militar, Professor, Político, Historiador, Jornalista, Geógrafo, realmente foi Taunay um exemplo brasileiro do homem múltiplo de quem foi arquétipo Leonardo da Vinci. Sua visão multifacetada da realidade possibilitou que tomasse as posições mais realistas, sensatas e modernas que se poderiam esperar à sua época, como a defesa do casamento civil, da imigração, da naturalização dos estrangeiros e da libertação gradativa dos escravos.
Suas principais obras foram “Inocência” e “A Retirada da Laguna”. Mas não se pode esquecer suas narrativas de guerra e de suas viagens, muitos escritos políticos, depoimentos, críticas, além de suas telas e várias composições musicais, tendo sido um grande estudioso dos compositores e polemista, como ocorreu com Tobias Barreto.
Na política foi deputado, senador e presidente das províncias de Santa Catarina e do Paraná. Foi oficial da Ordem da Rosa e Cavaleiro das Ordens de São Bento, de Aviz e de Cristo. Em 1889 recebeu o título de Visconde e faleceu em 25 de janeiro de 1899.
Foi sócio do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e membro fundador da Academia Brasileira de Letras, ocupando a Cadeira 13, cujo patrono é Francisco Otaviano.
Que seu exemplo possa servir-me de inspiração para trilhar um caminho de combatente pelos ideais de transformar, de forma pacífica, pela cultura e pela educação, principalmente disseminando o amor à arte e, em especial à literatura, como fator de encontro de significado para a vida de nossa juventude que, assim, possa vir a construir um mundo melhor para o futuro, é o que espero conseguir.
O fato de estar eu aqui hoje só foi possível porque tive, ao longo da vida, pessoas que me incentivaram a ser o que sou, começando por meu pai e minha mãe, de saudosas memórias, que me inculcaram seus valores e seus exemplos de vida dedicada a servir, como o lema rotariano “dar de si antes de pensar em si” e sempre cultivaram as letras, as artes e as ciências, iniciando-me no gosto da leitura. Começaram minha biblioteca, hoje bem razoável. Em minha carreira profissional o maior incentivo que tive foi de meu professor de matemática, João Anastácio, em Barbacena, onde me graduei, que reconheceu e incentivou meus pendores científicos e filosóficos. Meu orientador Mário Novello, eminente cosmologista, abriu minha mente para as maravilhas do Universo. Em Viçosa sou especialmente grato a meu grande amigo Jadir, que confiou a mim incumbências em que tive a oportunidade de poder contribuir com a fundação do Curso de Física da UFV. Sou grato aos ex-Reitores Chaves e Bandeira, que me instigaram a dar o melhor possível nos cargos para que me nomearam. Ao Adil, diretor do Anglo, que tem sido um dos meus grandes amigos. À minha família e meus filhos que sempre tiveram que agüentar um pai mergulhado em leituras, em estudos e no computador. Aos meus colegas da Academia e muito especialmente à Aparecida Simões, que em nossas muitas conversas, há anos vém dizendo que queria me ver aqui, e, por fim, mas não menos significativo, pelo contrário, agradeço à minha esposa Fátima, minha melhor amiga e grande companheira, além de meu grande amor, que me incentiva todo dia, me apóia e me acompanha em meus devaneios filosóficos.
Realmente hoje é um dia em que me sinto realizado e feliz, e, por tudo isso digo a todos: Muito obrigado!

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2 Responses to “Posse na Academia”

  1. Ilustríssimo Professor Rückert!

    Acabo de rever seu discurso de posse na ALV, à qual estive presente, registrando o momento para o jornal Folha da Mata.
    Na última quarta, senti falta do Primeira Classe.

  2. Prolfaças.

    Gostei de reler o seu magnífico discurso de posse

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